Lilly Wachowski, diretora conhecida pela trilogia Matrix, por Speed Racer e O Destino de Júpiter (Divulgação/Windy City Times)
Repórter
Publicado em 14 de setembro de 2026 às 20h12.
Última atualização em 15 de setembro de 2026 às 15h10.
A diretora Lilly Wachowski, conhecida pela trilogia Matrix, por Speed Racer e O Destino de Júpiter, voltou a criticar publicamente J.K. Rowling. Em entrevista à revista Variety publicada na última sexta-feira, 11, ela afirmou que quem consome produtos da franquia "Harry Potter" está, na prática, contribuindo para causar dano à comunidade trans.
A declaração surge no momento em que a HBO prepara uma nova série baseada nos livros de Rowling, projeto que já vem sendo criticado por parte do público devido às posições da autora sobre questões de gênero.
Segundo Wachowski, uma parte do dinheiro arrecadado com produtos da saga chega às mãos de Rowling e, a partir daí, é direcionada a causas que classifica como prejudiciais às pessoas trans.
"J.K. Rowling financia o genocídio trans, ponto final. Então, se você apoia 'Harry Potter', você está apoiando o genocídio trans", disse.
Para justificar a comparação, a diretora citou outros exemplos de boicote: "Da mesma forma que, se você é contra Elon Musk, você boicota ou não compra Tesla; e se você é contra o aquecimento global, você tenta reduzir o uso de gasolina", disse. "Seu prazer com essas séries e seu apoio contínuo a elas estão financiando minha erradicação".
"Existe uma ligação direta entre Musk e a comunidade nazista. Ele fez uma saudação nazista em rede nacional. Acho que a comunidade global precisa isolar os EUA de suas populações, porque este país permitiu que a propaganda nazista se proliferasse a tal ponto que se tornou perigosa para a população mundial. Na medida do possível, outros países precisam combater o discurso de ódio e fechar essas plataformas. Tiveram algum sucesso no Brasil e na Europa, mas para os EUA e o Reino Unido, a situação está praticamente insustentável no momento. O que o Twitter e o Meta fazem no Reino Unido… acabou para eles", disse.
À Variety, o agente e sócio fundador de J.K. Rowling, Neil Blair, respondeu às acusações. Ele defendeu a liberdade de expressão como valor a ser preservado, mas pediu que as opiniões da autora sejam "representadas com precisão, imparcialidade e respeito".
Blair também fez questão de esclarecer a atuação do Fundo para Mulheres J.K. Rowling, citado por críticos como prova de suposta perseguição a pessoas trans. Segundo ele, a iniciativa apoia mulheres que buscam, na Justiça britânica, preservar direitos já garantidos pela Lei da Igualdade de 2010, direitos que, segundo o fundo, vêm sendo "ignorados ou ameaçados".
Blair negou que a autora financie ações contra pessoas trans ou que apoie iniciativas voltadas a restringir direitos dessa população.
Por fim, classificou as falas de Wachowski como difamatórias: "As pessoas têm o direito de discordar das opiniões dela, mas alegações seriamente difamatórias dessa natureza, que chegam a invocar de forma ultrajante os nazistas e o genocídio que cometeram, jamais devem ser apresentadas como fatos quando são claramente fabricadas e não se baseiam em nenhuma evidência".