Deschamps se despede da França após derrota histórica por 6 a 4 (CHANDAN KHANNA/AFP)
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Publicado em 19 de julho de 2026 às 11h04.
Última atualização em 19 de julho de 2026 às 11h07.
O técnico Didier Deschamps encerrou neste sábado, 18, o ciclo de 14 anos à frente da seleção francesa admitindo os motivos que o levaram a deixar o cargo: um "ambiente insuportável" ao seu redor, que o fez tomar a decisão "pelo bem da seleção francesa".
A declaração foi dada ao canal M6, após a derrota por 6 a 4 para a Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo de 2026 — a partida com mais gols da história em decisões de terceiro lugar em Mundiais.
"Decidi que tinha que acabar. E se tomei essa decisão, não foi por mim, sinceramente, foi pelo bem da seleção francesa. Talvez eu não tenha dito isso antes, mas não foi por mim que tomei essa decisão. Porque o ambiente era insuportável, a seleção francesa não merece isso", afirmou Deschamps.
A França chegou a estar 4 a 0 atrás no intervalo, arriscou uma reação na etapa final, mas acabou derrotada por 6 a 4, terminando o Mundial na quarta colocação. Em coletiva após a partida, Deschamps reconheceu que a equipe ainda não havia superado a eliminação para a Espanha nas semifinais.
"Não conseguimos o resultado que queríamos. Como Kylian [Mbappé] disse, ainda não tínhamos superado a derrota para a Espanha, e eu deveria ter feito uma escolha melhor para esta partida", disse o técnico, que optou por rodar o time titular e escalou jogadores com pouco tempo de jogo no torneio.
Apesar do resultado, Deschamps disse deixar o cargo "muito orgulhoso". "Chegamos a esta fase final e posso dizer que foi a coisa mais bonita que já vivi. Comecei em 2012 e pudemos enfrentar todos esses adversários. Estou muito orgulhoso de toda a equipe", afirmou.
Questionado sobre sua relação com Kylian Mbappé, Deschamps foi enfático: "Ele é um jogador incrível, extraordinário, e, às vezes, isso realmente não corresponde à realidade. Não me arrependo de tê-lo escolhido como capitão. Ele foi exemplar durante toda a Copa do Mundo."
Mbappé encerrou o torneio como maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 22 gols — um a mais que Lionel Messi, que disputa a final deste domingo contra a Espanha. O francês também terminou como artilheiro isolado desta edição, com dez gols, à frente do argentino, que soma oito.
À frente da seleção desde 2012, Deschamps conquistou a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, além da Liga das Nações de 2021, e foi vice-campeão em 2022, no Catar. Ele também integra o grupo seleto de técnicos que também foram campeões mundiais como jogadores, ao lado do brasileiro Zagallo e do alemão Franz Beckenbauer.
"Sempre disse que era um privilégio ser o técnico da França. Eu me sentia como um guardião, como um protetor deles", disse o técnico, que prometeu acompanhar o futuro da seleção "independentemente do que acontecer". "Quero que saibam que sempre serei um torcedor silencioso", completou.
Nos bastidores, a expectativa é que Zinedine Zidane seja anunciado em breve como o novo técnico da seleção francesa.
Após a partida, o meio-campista Adrien Rabiot criticou o comportamento de parte do elenco na disputa pelo terceiro lugar. Sem citar nomes, o jogador apontou atitudes que classificou como vergonhosas. "Vi o comportamento de alguns jogadores que eu nunca tinha visto antes. É um pouco decepcionante", disse na zona mista.