Trump e Bolsonaro: sobretaxa foi aplicada no escopo da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa, na sigla em inglês) no contexto da prisão do ex-presidente brasileiro (SAUL LOEB/POOL/AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 28 de julho de 2026 às 15h53.
Última atualização em 28 de julho de 2026 às 16h56.
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira, 28, que as sanções aplicadas ao Brasil em julho de 2025 serão prorrogadas por mais um ano, mas a medida não tem efeito prático imediato. A sobretaxa foi aplicada no escopo da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa, na sigla em inglês) no contexto da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, no ano passado.
No entanto, a tarifa de 40% foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro deste ano, o que faz a renovação da medida ineficaz, ao menos por enquanto. A renovação da medida é considerada uma formalidade prevista na legislação americana e não cria novas sanções nem restabelece tarifas sobre as exportações brasileiras.
O comunicado foi publicado no Federal Register, o diário oficial dos EUA, e informa que a publicação oficial da renovação ocorrerá nesta quarta-feira.
A Casa Branca reafirmou nesta terça-feira as justificativas utilizadas para declarar emergência nacional em relação ao Brasil no ano passado.
Entre elas, estão alegações de restrições à liberdade de expressão, violações de direitos humanos e perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, além de críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o texto, o governo americano sustenta que políticas e ações atribuídas ao governo brasileiro continuariam representando uma ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
O documento também menciona supostos episódios de censura, decisões relacionadas à liberdade de expressão e conteúdos publicados na internet.
Com base nesses argumentos, o presidente Donald Trump determinou a manutenção da emergência nacional declarada em 30 de julho de 2025 por mais um ano, conforme previsão da Lei de Emergências Nacionais dos Estados Unidos. O aviso também será encaminhado ao Congresso americano.
A renovação ocorre em meio a uma série de anúncios tarifários feitos pelo governo Trump nas últimas semanas.
No início do mês, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros sob alegação de práticas comerciais ilegais. Semanas depois, foi anunciada uma tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil e de mais de 60 países, sob o argumento de combate ao trabalho forçado.