ESG

Patrocínio:

espro_fa64bd

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Revista Science elege energias renováveis como avanço científico de 2025

Pela primeira vez, solar e eólica superam carvão como fonte de eletricidade; América Latina gera 17% da energia a partir de renováveis, acima da média mundial

Nos últimos 20 anos, as renováveis deixaram de ser uma escolha movida por preocupações ambientais para se tornarem a opção mais barata e segura (AFP/Reprodução)

Nos últimos 20 anos, as renováveis deixaram de ser uma escolha movida por preocupações ambientais para se tornarem a opção mais barata e segura (AFP/Reprodução)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 23 de dezembro de 2025 às 14h09.

Tudo sobreEnergia
Saiba mais

A revista Science elegeu o crescimento das energias renováveis como o Breakthrough of the Year 2025, prêmio que reconhece anualmente o avanço mais importante da ciência. É a primeira vez que o setor energético recebe a distinção, que em edições anteriores premiou a vacina contra a covid-19 (2020) e a descoberta do bóson de Higgs (2012).

"Desde a Revolução Industrial, a sociedade humana funcionou com energia solar antiga — capturada por plantas há centenas de milhões de anos, armazenada em combustíveis fósseis e extraída da terra", afirma a publicação. "Mas este ano o impulso mudou inequivocamente para a energia que vem do Sol hoje."

O relatório Global Electricity Mid-Year, publicado em outubro pelo think tank Ember, mostrou que as renováveis alcançaram 34,3% da matriz energética global no primeiro semestre, superando pela primeira vez o carvão, que ficou em 33,1%. As instalações solares cresceram 64% no período.

Virada de chave na matriz energética global

O salto acontece num ritmo acelerado. Em 2004, o mundo levava um ano inteiro para instalar 1 gigawatt de capacidade solar. Hoje, o dobro disso entra em operação a cada dia.

A mudança é impulsionada pela queda vertiginosa dos preços. As renováveis deixaram de ser uma escolha movida por preocupações ambientais para se tornarem a opção mais barata e segura: a energia solar e eólica se transformaram nas fontes mais baratas em boa parte do planeta.

A Agência Internacional de Energia projeta que a capacidade renovável quase dobre entre 2025 e 2030, atingindo um aumento de 4.600 gigawatts — o dobro dos cinco anos anteriores.

Presença chinesa nas renováveis

A China lidera essa transformação. O país fabrica 80% das células solares, 70% das turbinas eólicas e 70% das baterias de lítio do mundo. A produção em escala massiva derrubou custos e alimentou a demanda global. A geração solar chinesa cresceu mais de 20 vezes na última década.

Em setembro, o presidente Xi Jinping anunciou na ONU que a China cortará até 10% de suas emissões de carbono na próxima década usando mais energia solar e eólica, não menos energia.

A onda de tecnologia barata vinda da China tem mudado o mapa energético de países em desenvolvimento. No Paquistão, as importações de painéis solares chineses cresceram cinco vezes entre 2022 e 2024. Na África do Sul e na Etiópia, a busca por alternativas às fontes tradicionais acelerou a adoção das renováveis.

A América Latina gerou 17% de sua eletricidade a partir de solar e eólica em 2024, acima da média global de 15%. Dezesseis países da região se comprometeram a chegar a 80% de energia renovável até 2030.

Os desafios, porém, persistem. A China continua construindo usinas de carvão, os Estados Unidos ergueram barreiras comerciais contra painéis chineses, e a infraestrutura necessária para armazenar e distribuir energia verde ainda avança devagar.

Acompanhe tudo sobre:Energia renovávelEnergiaChinaEstados Unidos (EUA)

Mais de ESG

Mercado de energia solar no Brasil encolhe 29% em 2025, aponta Absolar

NASA planeja instalar usina nuclear na Lua até 2030

Tratado Global dos Oceanos entra em vigor neste sábado após 20 anos de impasse

Microsoft compra 2,85 milhões de créditos de carbono de solo