ESG

Oferecimento:

LOGO SITE YPÊ
LOGO SITE COPASA
LOGO SITE COCA COLA FEMSA
LOGO SITE AFYA
LOGO SITE PEPSICO

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Reciclagem não é opção, é estratégia contra o colapso climático

O Decreto de Logística Reversa de Embalagens Plásticas atribui às empresas a responsabilidade de reinserir material pós-consumo em seus sistemas produtivos, mas enfrenta gargalos históricos

A partir de análises conjuntas da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), estima-se que o mercado de r-PET movimenta cerca de R$ 1,6 bilhão por ano no país (Freepik)

A partir de análises conjuntas da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), estima-se que o mercado de r-PET movimenta cerca de R$ 1,6 bilhão por ano no país (Freepik)

Publicado em 29 de março de 2026 às 16h00.

Última atualização em 30 de março de 2026 às 13h05.

Por Irineu Bueno Barbosa Junior*

A crise climática deixou de ser um debate prospectivo para se consolidar como uma pauta que demanda soluções urgentes.

Em 2026, as projeções indicam a intensificação de extremos climáticos e de contrastes regionais no Brasil, com regimes de chuva cada vez mais irregulares e temperaturas persistentemente elevadas.

Esse cenário compromete a previsibilidade e pressiona a gestão de recursos hídricos e energéticos, ampliando riscos operacionais, inflacionários e de segurança hídrica e elétrica. 

Enquanto a população geral, o Poder Público e a iniciativa privada se questionam sobre o que pode ser feito para reduzir cada vez mais o impacto ambiental gerado pela atividade humana, uma estratégia precisa assumir protagonismo: a reciclagem.

Ao se utilizar materiais pós-consumo para a produção de itens novos, reduz-se significativamente a demanda por extração de recursos naturais, o que garante o abastecimento do mercado consumidor de forma ecologicamente responsável. 

Diferentes análises confirmam o impacto positivo da reciclagem, o que pode ser atestado pela comparação entre o PET reciclado (r-PET) e o PET virgem. Segundo estudos da Franklin Associates (ERG), a produção de r-PET gera uma massa de CO₂ 67% da menor do que a produção de PET virgem (v-PET), além de consumir 79% menos energia. 

Não reconhecer o valor da reciclagem tem impedido um enfrentamento mais consistente da crise do plástico. 

No Brasil, o Decreto de Logística Reversa de Embalagens Plásticas (12.688/2025) representa um avanço no reconhecimento da reciclagem como estratégia sustentável de desenvolvimento econômico.

A norma estabelece que embalagens plásticas contenham, no mínimo, 22% de conteúdo reciclado, com escalonamento progressivo até 40% em 2040. 

O objetivo é elevar o índice nacional de reciclagem para 50% nos próximos 15 anos. Assim, o decreto desloca o debate da intenção para a execução industrial.  

A regulamentação ainda busca enfrentar alguns gargalos históricos que impedem o avanço da economia circular, como a estruturação da logística reversa.

O texto atribui às empresas a responsabilidade de reinserir material pós-consumo em seus próprios sistemas produtivos, criando previsibilidade para investimentos, incentivando a ampliação da capacidade instalada da reciclagem e induzindo mudanças estruturais em decisões de design, suprimentos e produção. 

Ainda que haja desafios a serem superados quanto à coleta seletiva, o Decreto é bem-sucedido ao dar à reciclagem o devido protagonismo na promoção da sustentabilidade. O uso de conteúdo reciclado passa a ser um critério objetivo de conformidade ambiental e de competitividade industrial. 

Se o objetivo é enfrentar a crise climática por meio de soluções efetivas, a iniciativa privada e o Poder Público devem olhar para a reciclagem com a devida importância.

A partir de análises conjuntas da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), estima-se que o mercado de r-PET movimenta cerca de R$ 1,6 bilhão por ano no país.

Acrescido a esses números os reconhecidos impactos ambientais positivos, a cadeia da reciclagem se firma como uma estratégia consistente que combina responsabilidade socioambiental e rentabilidade para a economia. 

Afinal, as empresas precisam de materiais plásticos para embalar e comercializar seus produtos, uma vez que é um material versátil, resistente, seguro e de fácil manuseio pelos consumidores finais.

A resistência mecânica do PET permite fabricar embalagens leves e com pouca matéria-prima, o que reduz as emissões durante o transporte e traz grandes vantagens logísticas.

Com um menor custo de produção, as embalagens PET democratizam o acesso aos produtos para todas as classes.

Reciclar o material é uma forma de prolongar o ciclo de vida das embalagens e atender às necessidades do setor empresarial, garantindo, ao mesmo tempo, oportunidades de negócios e impacto ambiental positivo

Quanto mais a reciclagem – seja de PET ou de outros materiais – se estruturar numa cadeia robusta, mais caminhos teremos para encontrar soluções ainda mais efetivas no enfrentamento das mudanças climáticas.

Tudo irá depender do reconhecimento que se dá aos resíduos pós-consumo, entendendo-os não apenas como lixo, mas como matéria-prima para novos itens com o mesmo grau de qualidade e performance. 

*Irineu Bueno Barbosa Junior é CEO da Cirklo, uma das maiores empresas de reciclagem de PET do Brasil e da América Latina. 

Acompanhe tudo sobre:ESGSustentabilidadeClimaMudanças climáticasReciclagemEconomia Circular

Mais de ESG

Sem árvores, cidades seriam duas vezes mais quentes, diz estudo global

Dá para reciclar as figurinhas do álbum da Copa do Mundo? Essas empresas podem ajudar

Fundo de US$ 25 milhões vai financiar pequenos produtores na Amazônia

Por que há tantas comercializadoras de energia elétrica com problemas?