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Racionamento de água pode chegar a 12 dias por ano até 2050

Pesquisa do Instituto Trata Brasil relata que crescimento populacional, avanço econômico e alta nas temperaturas impacta demanda por água

As regiões Nordeste e Centro-Oeste podem contar com 30 dias de escassez (Colin Anderson Productions PTY LTD/Getty Images)

As regiões Nordeste e Centro-Oeste podem contar com 30 dias de escassez (Colin Anderson Productions PTY LTD/Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 28 de outubro de 2025 às 16h23.

Última atualização em 28 de outubro de 2025 às 17h39.

Em 2050, o Brasil pode viver 12 dias por ano sem abastecimento de água, mas este número pode passar de 30 dias no Nordeste e Centro-Oeste. A informação é de uma pesquisa do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta terça-feira, em parceria com a consultoria Ex Ante.

O abastecimento de água é influenciado pela alta na demanda prevista: em 2050, a busca por água tratada deve ser 59,3% maior do que em 2023. Entre os três principais fatores para isso estão a alta nas temperaturas, o crescimento populacional e o avanço econômico. Segundo o estudo, a cada grau Celsius adicional na temperatura de uma região, a demanda por água reage com alta de 24,9%.

A urbanização das cidades brasileiras também colabora para esse cenário: a alta de um ponto percentual na população urbana de um município reverbera no crescimento de 0,96% no consumo de água.

Aumento da temperatura

A pesquisa ainda aponta que a temperatura máxima em 2050 deve aumentar cerca de 1 °C em comparação a 2023, enquanto a temperatura mínima deve subir 0,47 °C. O cenário indica a redução na quantidade de dias chuvosos por ano, além do aumento na ocorrência de precipitações mais severas.

Todos esses fatores devem gerar ainda um adicional de 12,4% na demanda por água, ou seja, um acréscimo de 3,515 bilhões de metros cúbicos por ano. Ou seja, a produção adicional necessária até 2050 seria de 10,6 bilhões de metros cúbicos.

O estudo do Trata Brasil aponta que 40,3% de toda a produção de água tratada hoje é desperdiçada — o equivalente a 7 bilhões de metros cúbicos por ano. Esse total seria suficiente para suprir a demanda adicional prevista até 2050, mas é perdida todos os anos em vazamentos, ligações clandestinas e falhas de operação.

Nordeste e Centro-Oeste: mais dias sem água

Enquanto o país enfrentará uma média de 12 dias sem água suficiente para suprir a demanda nacional, as regiões Nordeste e Centro-Oeste podem contar com mais que o dobro dessa quantia, por conta do seu histórico de escassez. A pesquisa indica que as mudanças climáticas devem reduzir em 3,4% a disponibilidade de água ao longo do ano.

As regiões podem contar com mais de 30 dias de racionamento, o suficiente para gerar consequências graves na saúde e na qualidade de vida de toda a população, como afirma a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto. “É fundamental agir agora para promover eficiência, e preparar o país para enfrentar os desafios que as mudanças climáticas trarão nos próximos anos”, explica.

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