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Quase metade dos jovens negros não cuidam da saúde mental, diz estudo

Pesquisa da Vidalink aponta desigualdades no acesso ao cuidado psicossocial por pessoas negras na comparação com brancos da mesma faixa etária

O gênero também aparece como um agravante na desigualdade de acesso a serviços de saúde e autocuidado pela população negra (Freepik/Divulgação)

O gênero também aparece como um agravante na desigualdade de acesso a serviços de saúde e autocuidado pela população negra (Freepik/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 11h58.

No ano em que a Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que estabelece diretrizes para o cuidado da saúde mental no trabalho, foi aprovada, uma nova pesquisa aponta que os jovens negros ainda estão bem distantes desse cenário. Cerca de 42% dos jovens pretos e pardos entre 18 e 28 anos não fazem nada pelo cuidado com a saúde mental, como aponta o estudo “Check-up de Bem-Estar de 2025”, da Vidalink, companhia de benefícios corporativos.

A diferença na comparação com jovens brancos da mesma faixa etária é perceptível: apenas 29% não contam com nenhum cuidado com a saúde mental, diferença de 13 pontos percentuais.

O mesmo desafio se reflete na população trabalhadora de outras faixas etárias no Brasil. 36% das pessoas negras não fazem nada pela sua saúde mental, enquanto para brancos, o índice se aproxima dos 24%.

Luis Gonzalez, CEO e fundador da Vidalink, afirma que uma das explicações para esse cenário é o contexto de oportunidades de autocuidado que a própria população está inserida. “A desigualdade racial impacta o contexto do indivíduo, podendo gerar mais barreiras para acessar terapia, tempo livre e recursos desde cedo”, explica.

Rotina como culpada

Com uma rotina mais corrida, maiores os obstáculos para cuidar da saúde: essa é a uma das percepções da pesquisa. Os dados confirmam, já que 23% dos pretos e pardos da Geração Z relatam dupla jornada entre o trabalho e o cuidado da casa e família, acima dos 16% relatados por jovens brancos.

Essa sobrecarga cresce entre as mulheres negras: 26% conciliam o trabalho e as tarefas domésticas, frente a 19% das mulheres brancas. Entre os homens, esse total chega a 19% dos pretos e pardos e apenas 10% dos brancos.

As pessoas brancas, no entanto, são maioria entre os que conciliam trabalho e estudo, chegando a 31%. Os pretos e pardos ocupam 26% desse total.

Mulheres negras são mais expostas

O gênero também aparece como um agravante na desigualdade de acesso a serviços de saúde e autocuidado pela população negra. De acordo com a pesquisa, 35% das mulheres negras não realizam nenhum tipo de cuidado, contra 22% das mulheres brancas.

Entre os homens, os números crescem timidamente: 36% dos pretos e pardos não cuidam da própria saúde mental, versus 27% dos homens brancos.

O sono tem um impacto significativo nesse cenário, uma vez que é responsável pelo descanso mental e a recuperação física. 30% das pessoas negras afirmam estar insatisfeitas com a qualidade do seu sono, versus 25% das brancas. As mulheres negras são as que relatam maior insatisfação, com cerca de 35% dormindo menos do que o ideal. Entre as mulheres jovens, esse percentual chega a 37%.

“Bem-estar também é uma pauta de equidade, a partir de uma visão holística que considere os diferentes pontos de vista dos colaboradores”, explica Gonzalez. De acordo com o CEO, as companhias podem desenhar estratégias que reduzam as desigualdades estruturais, consideram as diferentes realidades ao desenhar o plano de benefícios.

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