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O boom dos data centers pode travar na transmissão de energia

A crescente demanda por eletricidade motivada pelo desenvolvimento da IA pressiona sistemas elétricos e coloca a transmissão no centro da estratégia

Data centers: avanço da IA aumenta demanda por energia e pressiona redes elétricas.

Data centers: avanço da IA aumenta demanda por energia e pressiona redes elétricas.

Weslly Morais
Weslly Morais

Colunista

Publicado em 30 de abril de 2026 às 11h00.

Durante muito tempo, a discussão sobre inteligência artificial esteve concentrada em poder de processamento e algoritmos mais sofisticados. Mas, à medida que a tecnologia avança e os data centers se multiplicam, o foco passou a ser o consumo de energia elétrica e em como integrar esta nova demanda crescente aos sistemas elétricos dos países.

Relatório da Agência Internacional de Energia publicado em 2025 indica que o mundo entrou em uma nova fase de crescimento da demanda elétrica, com participação relevante dos data centers. Para dimensionar o desafio, há data centers podem demandar centenas de megawatts de potência, algo próximo ao consumo de uma cidade média. Globalmente, essas instalações já consomem cerca de 400 terawatts-hora (TWh) por ano (cerca de 60% da demanda do sistema brasileiro), e podem mais que dobrar até o fim da década.

No Brasil, grandes data centers voltados à IA levam cerca de 18 meses para entrar em operação, e estruturas menores podem ser concluídas entre oito e 12 meses. Já os projetos estruturantes de transmissão costumam levar de cinco a oito anos entre planejamento, licenciamento e construção. Isto resulta em um gargalo estrutural, já que a infraestrutura de rede nem sempre evolui na mesma velocidade da nova demanda ou mesmo da implementação de projetos de geração.

No Brasil, o setor já acumula cerca de 200 empreendimentos, sendo a maior parte no estado de São Paulo. A previsão é de atrair entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em novos investimentos nos próximos anos. O governo federal trabalha em uma Política Nacional de Data Centers, que visa tornar o Brasil mais competitivo frente a outros mercados.

A América Latina vive um movimento que combina oportunidade e tensão. Dados recentes de mercado indicam que os investimentos globais em infraestrutura digital (incluindo data centers, inteligência artificial e serviços em nuvem) podem alcançar a ordem de trilhões de dólares nos próximos anos, conforme apontam análises de instituições como o Goldman Sachs, refletindo a escala da transformação em curso. Além do Brasil, na América Latina pode-se destacar alguns países que apresentam interesse neste mercado:

  • Chile: competitividade da energia solar no Atacama e um ambiente regulatório relativamente estável atraíram investimentos, porém gargalos de transmissão entre o Norte e o Centro-sul já impõem desafios;
  • México: impulsionado pela proximidade e integração industrial com os Estados Unidos. Projetos recentes indicam expansão significativa, mas incertezas regulatórias e limitações da rede podem influenciar o ritmo de implantação;
  • Colômbia e Peru: mercados emergentes, com matrizes relativamente limpas e potencial renovável, embora também enfrentem entraves de transmissão;
  • Uruguai e Panamá: o Uruguai combina estabilidade institucional e infraestrutura consolidada, e o Panamá tem posição estratégica nas rotas de cabos submarinos que conectam as Américas. Ambos precisam avaliar o impacto de grandes cargas em sistemas de menor escala.

O avanço da IA inaugura um novo ciclo de investimentos físicos em infraestrutura elétrica na região. A adaptação das redes para absorver cargas intensivas será determinante para que a América Latina transforme seu potencial energético em vantagem competitiva no mercado global de data centers.

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