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Em 2025, as vendas da Lev contribuíram para evitar a emissão de 31 toneladas de CO₂
Repórter de ESG
Publicado em 22 de abril de 2026 às 12h17.
A Lev, fabricante de bicicletas elétricas, projeta expandir sua operação no Brasil em 75% até abril de 2027, após crescer 47% entre março de 2025 e março de 2026. Os dados foram divulgados com exclusividade para a EXAME.
A companhia, sediada no Rio de Janeiro, vem ampliando sua presença no país em um momento de aquecimento do mercado global de bicicletas elétricas, apoiada em um modelo de negócios inspirado no setor chinês de e-bikes.
O movimento ocorre em linha com a evolução da indústria no exterior. Segundo a Grand View Research, o mercado movimentou [grifar]US$ 69,7 bilhões em 2025 e deve atingir US$ 144,3 bilhões até 2033, com taxa média de crescimento anual de 9,2%.[/grifar]
Parte do desempenho recente da empresa está ligada a mudanças estruturais implementadas ao longo do último ano. A principal delas foi o início de operação de uma linha de montagem própria, em abril de 2025.
Depois de ajustes em logística, estoques e estrutura de equipe, a operação alcançou plena capacidade em 2026, o que ampliou a oferta de produtos para pronta entrega e contribuiu para o avanço das vendas.
Outro fator importante foi o desempenho da ONN, scooter elétrica do grupo. A expectativa inicial era comercializar 1.000 unidades no primeiro ano, mas a linha fechou o período com 2.500 unidades vendidas. A ONN se consolidou como o segundo produto mais vendido do portfólio. Em 2026, a demanda segue forte já nos primeiros meses, de acordo com a companhia.
A operação industrial em Manaus também trouxe impacto financeiro. Com a fábrica, a Lev registrou aumento de aproximadamente 15% na margem bruta, o que ampliou a capacidade de investimento da empresa e abriu espaço para novas frentes de crescimento.
Entre essas frentes está a entrada no mercado B2B, iniciada no fim de 2025. A companhia passou a realizar vendas diretas para grandes varejistas e empresas, entre elas Magazine Luiza e Cury Construtora. Para este ano, a empresa já reúne contratos relevantes e mantém novos projetos em negociação.
Ao mesmo tempo, a Lev estruturou um canal voltado ao atendimento de bicicletarias no interior dos estados onde já atua, ampliando sua capilaridade. A estratégia se soma ao plano de expansão da rede física, que prevê a abertura de cinco a oito novas lojas ao longo de 2026, concentradas em regiões nas quais a marca já tem presença consolidada.
No digital, o e-commerce também sustenta a trajetória de crescimento. O canal registra alta média de 90% ao ano e já responde por cerca de 5% da receita total da empresa, o que amplia o alcance nacional da operação. Esse avanço é reforçado por parcerias com grandes varejistas e seus canais online, o que estende o acesso da marca a consumidores de diferentes regiões do país.
No cenário mais amplo, a expansão da mobilidade elétrica combina fatores econômicos, regulatórios e comportamentais. No período pós-pandemia, os preços de carros e motos subiram de 30% a 50%, levando parte dos consumidores a buscar alternativas mais acessíveis. Ao mesmo tempo, mudanças regulatórias ampliaram a circulação de modais elétricos em ciclovias e favoreceram a adoção.
Há ainda um componente ligado à agenda ambiental. Em 2025, as vendas da Lev contribuíram para evitar a emissão de 31 toneladas de CO₂, volume equivalente ao plantio de aproximadamente 350 mil árvores.
O recorde recente da companhia também teve influência de fatores sazonais. Março, mês em que a Lev alcançou o maior volume de vendas em seus 16 anos de operação, coincide com o pagamento de bônus no mercado financeiro e em grandes empresas, perfil considerado relevante na base de clientes da marca. O mesmo efeito aparece em dezembro, impulsionado pelas vendas de fim de ano.