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IA do Imazon projeta 6,5 km² da Amazônia sob risco de desmatamento em 2025

A plataforma PrevisIA tem indicado as áreas ameaçadas na região desde 2021, com uma assertividade média de 73% nos últimos quatro anos

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 16 de dezembro de 2024 às 15h15.

Última atualização em 16 de dezembro de 2024 às 15h20.

Embora o desmatamento na Amazônia tenha tido a maior queda percentual em 15 anos na última análise histórica do Inpe, o número pode subir caso não hajam ações efetivas e urgentes nas áreas de maior risco.

A nova previsão da plataforma de inteligência artificial do Instituto de Pesquisa Imazon, a PrevisIA, apontou nesta segunda-feira (16) que  6.531 km² podem ser derrubados em 2025 no bioma amazônico -- o que representaria 4% a mais do que o registrado neste ano.

Do total, 2.269 km² (35%) estão sob risco muito alto, alto ou moderado e os outros 4.262 km² (65%) estão na categoria baixo ou muito baixo. 

Carlos Souza Jr, pesquisador do Imazon e coordenador da PrevisIA, ressaltou a importância dos dados visando a prevenção e para o Brasil avançar em direção à meta de desmatamento zero em 2030.

"A ação é essencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no país e mitigar os efeitos das mudanças climáticas que já estão nos afetando seriamente, como as cheias no Rio Grande do Sul e as secas na Amazônia. Precisamos usar a tecnologia a favor da floresta", destacou em nota. 

Os estados do Pará (35%), Amazonas (20%) e Mato Grosso (17%) possuem as maiores áreas sob risco e apenas os três concentram 72% de todo o território ameaçado no bioma, segundo a PrevisIA.

Entre as terras indígenas, a mais ameaçada é a Kayapó (PA), que pode ter uma área equivalente a 2,5 mil campos de futebol derrubada. No ano passado, quem liderava o ranking era a Terra Indígena Apyterewa, também no Pará. Quando se trata de unidades de conservação, a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, outro território paraense, aparece no topo pelo quarto ano consecutivo. 

Atualmente, a plataforma também é usada pelos ministérios públicos do Pará, Amazonas, Mato Grosso e Acre para basear estratégias de proteção da floresta. No Pará, por exemplo, o governo quer liderar uma ação de conscientização para atuar na prevenção do problema. 

“Além de poder ajudar na estratégia nacional de combate ao desmatamento, a PrevisIA também pode auxiliar os governos estaduais e municipais a protegerem suas florestas, já que oferece um mapa das áreas de risco, inclusive com informações de estradas e de Cadastros Ambientais Rurais (CARs) sobrepostos”, complementou Carlos. 

Lançada em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, a tecnologia tem indicado as áreas ameaçadas na região desde 2021, com uma assertividade média de 73% nesses últimos quatro anos.

A estimativa segue os dados oficiais do "calendário de desmatamento" do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Na análise de 2024, a Amazônia perdeu 6.288 km², uma queda de 31% em relação a 2023, e a PrevisIA havia estimado 8.959 km² sob ameaça -- sendo 5.207 km² sob risco muito alto, alto e moderado. 

O Imazon destaca que o modelo se baseia nos dados do período de julho de 2023 a agosto de 2024. Como houve um aumento significativo da derrubada e das queimadas a partir do último mês de análise, a previsão da plataforma pode ser considerada conservadora.

De agosto a outubro deste ano, meses que integram o calendário de 2025 do Prodes, o bioma já perdeu  1.628 km² de florestas -- 25% da estimativa. "Isso significa que as ações preventivas precisarão ser intensificadas principalmente a partir de maio, quando as chuvas na Amazônia deverão reduzir, o que facilita o desmatamento”, concluiu Carlos. 

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