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Heineken: companhia estima evitar cerca de 67 mil toneladas de emissões até 2030 com mudança na geração de vapor da unidade paulista (Fabio Rezende /Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 23 de agosto de 2026 às 07h43.
A fabricante de bebidas Heineken pretende avançar sobre uma das etapas intensivas em energia de sua produção de cerveja no Brasil: a geração de calor. A companhia implementará um sistema baseado em biometano e biomassa para abastecer as caldeiras de sua cervejaria em Jacareí, no interior de São Paulo, em um projeto cujo fornecimento de combustível pode movimentar até R$ 460 milhões até 2037.
Desenvolvida em parceria com a Veolia, a solução começou a ser implementada e deve entrar em funcionamento de forma gradual, até atingir operação plena em 2027. A Veolia ficará responsável pela engenharia, construção, operação e manutenção da infraestrutura destinada às caldeiras.
A mudança mira a geração térmica, necessária para produzir o vapor utilizado no processo industrial. A Heineken já utiliza energia elétrica de fontes renováveis em suas cervejarias no país e agora busca ampliar essa participação para a demanda térmica da unidade paulista.
A expectativa da companhia é que o novo sistema reduza em mais de 97,5% as emissões associadas à geração térmica até 2030, na comparação com o cenário-base atual da fábrica. Pelas projeções apresentadas pelas empresas, isso representaria aproximadamente 67 mil toneladas de emissões evitadas até o fim da década.
Em vez de depender de uma única fonte, a infraestrutura combinará biometano e biomassa. Os dois combustíveis terão certificação da Roundtable on Sustainable Biomaterials (RSB), organização que estabelece critérios de sustentabilidade para combustíveis e materiais de origem biológica.
A estrutura foi desenhada para entregar 110 mil toneladas de vapor por ano. Segundo as empresas, o modelo híbrido busca conciliar a redução da intensidade de carbono da geração térmica com a necessidade de manter o fornecimento contínuo de energia para a operação industrial.
A mudança na matriz térmica integra a estratégia global de sustentabilidade da Heineken, chamada Brew a Better World, e a agenda de negócios EverGreen, que incorpora metas ambientais à estratégia da companhia.
Para Ligia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo Heineken, a alteração na fonte de energia também deve chegar ao consumidor por meio de uma menor pegada de carbono associada à produção.
“Essa iniciativa vai além de uma melhoria operacional. Ela significa que os consumidores brasileiros poderão, cada vez mais, apreciar os produtos Heineken produzidos com energia renovável e uma menor pegada de carbono, mantendo a mesma qualidade, sabor e consistência que já conhecem e esperam do nosso portfólio”, afirma.
A parceria divide também a execução do investimento. A Veolia será responsável por implantar e manter a infraestrutura das caldeiras, enquanto o projeto prevê até R$ 460 milhões em fornecimento de combustível até 2037.
José Renato Bruzadin, diretor executivo de desenvolvimento de negócios da Veolia, afirma que a iniciativa busca combinar a demanda produtiva da unidade com a redução das emissões de carbono.
“Este projeto é um exemplo concreto de duas empresas unindo forças para liderar, por meio de ações, a descarbonização industrial e um modelo de redução de emissões de CO2 que prova que é possível combinar eficiência produtiva com desempenho sustentável”, diz.
A adoção de biometano e biomassa em Jacareí amplia, portanto, a estratégia da cervejaria sobre fontes renováveis para além da eletricidade. A implementação será gradual até 2027, enquanto o contrato de fornecimento que sustenta a operação se estende até 2037.