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COP30 reuniu 43 mil pessoas credenciadas na Blue Zone e 300 mil visitantes na Green Zone, além de uma marcha de 70 mil pessoas em Belém (Ediago Quincó/Exame)
Repórter de ESG
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 15h45.
Última atualização em 22 de setembro de 2026 às 07h58.
Em evento realizado durante a Semana do Clima de Nova York, o último grande encontro internacional antes da COP31, em Antália, a presidência da COP30 fez um balanço da conferência climática em Belém.
O presidente, André Corrêa do Lago, e a CEO da COP30, Ana Toni, defenderam que a inclusão social não foi um efeito colateral, mas resultado de um desenho institucional deliberado, alinhado a uma das três prioridades: fortalecer o multilateralismo sob a UNFCCC, conectar o regime climático à vida real das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris.
"As COPs têm que ser esse momento em que o mundo renova a confiança na ciência e renova o desejo de fazer as coisas em conjunto. Basta de dividirmos o mundo, nós temos que trabalhar juntos", afirmou Corrêa do Lago.
Segundo o embaixador, a presidência brasileira passou um ano construindo uma relação com a sociedade civil nacional antes da COP, com base no trabalho de 30 enviados especiais nomeados para ouvir diferentes setores da população.
Ana Toni detalhou a arquitetura criada para operacionalizar essa participação, incluindo os chamados "quatro círculos" de governança, conselhos temáticos e a criação das figuras de campeões de juventude e do campeão climático, Dan Ioschpe.
"Colocar as pessoas no centro da governança é fundamental para que seja uma COP das pessoas, senão ela não acontece por acaso", destacou a CEO.
E acrescentou: "Não adianta só incluir se você não entrega", ao listar os resultados alcançados.
A equipe relembrou os números recordes de participação durante a COP30 em Belém: cerca de 43 mil pessoas credenciadas na Blue Zone, sendo 40% delas mulheres, 300 mil visitantes na Green Zone e uma marcha de 70 mil pessoas na capital paraense, além da maior presença indígena já registrada em uma COP e 4 mil jovens mobilizados.
O evento também reuniu milhares de grupos organizados em torno de iniciativas como o "balcão ético" e o restaurante de sociobiodiversidade, voltados à relação entre alimentação e populações tradicionais.
Entre as entregas concretas, estão a aprovação do Plano de Ação de Gênero de Belém, o mecanismo de transição justa, o reconhecimento de terras indígenas como ação climática — com ênfase em direitos de posse de terra, acesso direto a financiamento e integração do conhecimento indígena — e a primeira menção a povos afrodescendentes em um texto oficial de uma COP.
Ana Toni citou ainda o pacto sobre cultivo, conservação e combate ao desmatamento firmado pela presidência fora das negociações formais.
"Havia uma demanda social. Não é ainda madura o suficiente para as negociações, mas a gente trouxe para nós essa responsabilidade", frisou.
O tema também aparece refletido nos compromissos climáticos nacionais apresentados por países à ONU. Segundo levantamento do PNUD divulgado em janeiro, 96% das novas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) incorporam critérios de igualdade de gênero e inclusão social, enquanto 72% reconhecem a participação plena das mulheres e 67% a de jovens e crianças nos processos de decisão climática.
Uma pesquisa de opinião conduzida com mais de 4 mil pessoas cadastradas na base da UNFCCC também apontou o avanço na participação de indígenas, jovens e sociedade civil como o marco mais citado da COP30.
"Realmente é a área social de inclusão que marcou essa COP", resumiu Ana Toni, ao destacar que é necessário que a inclusão seja pensada desde o dia 1.
Este também é o maior legado da conferência para a COP31, em Antália, na Turquia.
Corrêa do Lago afirmou que apresentará, uma semana antes, os "mapas do caminho" ou "Roadmaps" sobre desmatamento, combustíveis fósseis e financiamento climático, sinalizando a intenção de dar continuidade ao processo iniciado em Belém.