ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Presidência da COP30 destaca inclusão social e mobilização como grande legado rumo à Antália

Na Semana do Clima de NY e a menos de dois meses da COP31, André do Lago reforçou a importância do multilateralismo: "As COPs devem ser o momento em que o mundo renova a confiança na ciência"

COP30 reuniu 43 mil pessoas credenciadas na Blue Zone e 300 mil visitantes na Green Zone, além de uma marcha de 70 mil pessoas em Belém (Ediago Quincó/Exame)

COP30 reuniu 43 mil pessoas credenciadas na Blue Zone e 300 mil visitantes na Green Zone, além de uma marcha de 70 mil pessoas em Belém (Ediago Quincó/Exame)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 21 de setembro de 2026 às 15h45.

Última atualização em 22 de setembro de 2026 às 07h58.

Priorizar nos meus resultados Google

Em evento realizado durante a Semana do Clima de Nova York, o último grande encontro internacional antes da COP31, em Antália, a presidência da COP30 fez um balanço da conferência climática em Belém.

O presidente, André Corrêa do Lago, e a CEO da COP30, Ana Toni, defenderam que a inclusão social não foi um efeito colateral, mas resultado de um desenho institucional deliberado, alinhado a uma das três prioridades: fortalecer o multilateralismo sob a UNFCCC, conectar o regime climático à vida real das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris.

"As COPs têm que ser esse momento em que o mundo renova a confiança na ciência e renova o desejo de fazer as coisas em conjunto. Basta de dividirmos o mundo, nós temos que trabalhar juntos", afirmou Corrêa do Lago.

Segundo o embaixador, a presidência brasileira passou um ano construindo uma relação com a sociedade civil nacional antes da COP, com base no trabalho de 30 enviados especiais nomeados para ouvir diferentes setores da população.

Ana Toni detalhou a arquitetura criada para operacionalizar essa participação, incluindo os chamados "quatro círculos" de governança, conselhos temáticos e a criação das figuras de campeões de juventude e do campeão climático, Dan Ioschpe.

 "Colocar as pessoas no centro da governança é fundamental para que seja uma COP das pessoas, senão ela não acontece por acaso", destacou a CEO.

E acrescentou: "Não adianta só incluir se você não entrega", ao listar os resultados alcançados.

A equipe relembrou os números recordes de participação durante a COP30 em Belém: cerca de 43 mil pessoas credenciadas na Blue Zone, sendo 40% delas mulheres, 300 mil visitantes na Green Zone e uma marcha de 70 mil pessoas na capital paraense, além da maior presença indígena já registrada em uma COP e 4 mil jovens mobilizados.

O evento também reuniu milhares de grupos organizados em torno de iniciativas como o "balcão ético" e o restaurante de sociobiodiversidade, voltados à relação entre alimentação e populações tradicionais.

Entre as entregas concretas, estão a aprovação do Plano de Ação de Gênero de Belém, o mecanismo de transição justa, o reconhecimento de terras indígenas como ação climática — com ênfase em direitos de posse de terra, acesso direto a financiamento e integração do conhecimento indígena — e a primeira menção a povos afrodescendentes em um texto oficial de uma COP.

Ana Toni citou ainda o pacto sobre cultivo, conservação e combate ao desmatamento firmado pela presidência fora das negociações formais.

"Havia uma demanda social. Não é ainda madura o suficiente para as negociações, mas a gente trouxe para nós essa responsabilidade", frisou.

O tema também aparece refletido nos compromissos climáticos nacionais apresentados por países à ONU. Segundo levantamento do PNUD divulgado em janeiro, 96% das novas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) incorporam critérios de igualdade de gênero e inclusão social, enquanto 72% reconhecem a participação plena das mulheres e 67% a de jovens e crianças nos processos de decisão climática.

Uma pesquisa de opinião conduzida com mais de 4 mil pessoas cadastradas na base da UNFCCC também apontou o avanço na participação de indígenas, jovens e sociedade civil como o marco mais citado da COP30.

"Realmente é a área social de inclusão que marcou essa COP", resumiu Ana Toni, ao destacar que é necessário que a inclusão seja pensada desde o dia 1.

Este também é o maior legado da conferência para a COP31, em Antália, na Turquia.

Corrêa do Lago afirmou que apresentará, uma semana antes, os "mapas do caminho" ou "Roadmaps" sobre desmatamento, combustíveis fósseis e financiamento climático, sinalizando a intenção de dar continuidade ao processo iniciado em Belém.

Acompanhe tudo sobre:ClimaMudanças climáticasCOP31COP30Impacto socialSustentabilidade

Mais de ESG

Pré-COP termina com cobrança para destravar US$ 5 bi de financiamento climático para o Pacífico

O que o quinto leilão do Eco Invest destrava na economia de baixo carbono

Mulheres 50+ sustentam famílias e lideram consumo na economia do cuidado, diz estudo

Do vale-refeição à Amazônia: como a dona da Ticket aposta na bioeconomia