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Seu CEP é de risco? Plataforma gratuita mostra exposição de imóveis a eventos climáticos extremos

Brasil é o primeiro país da América Latina a receber a ferramenta da Allianz, que avalia riscos de alagamento, vendaval e granizo a partir do endereço

São Paulo tem setembro mais chuvoso dos últimos 30 anos (Paulo Pinto/Agência Brasil)

São Paulo tem setembro mais chuvoso dos últimos 30 anos (Paulo Pinto/Agência Brasil)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 14 de setembro de 2026 às 18h00.

Última atualização em 14 de setembro de 2026 às 18h29.

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Rio Tietê perto de transbordar em São Paulo pelas fortes chuvas no último sábado, um ciclone extratropical que varreu o Sul do Brasil. Cenas como essa, que já são quase rotina em várias regiões, deixaram de ser exceção e viraram "o novo normal" em um planeta superaquecido pelas mudanças climáticas. 

Em 2025, o país registrou quase 1,5 mil ocorrências de enchentes, enxurradas e deslizamentos, um retrato da desigualdade climática: determinados endereços são mais vulneráveis e passam a conviver com um cenário de risco. 

É esse tipo de mapeamento que a seguradora Allianz quer dar visibilidade para as pessoas e os negócios.  A companhia acaba de lançar o GloRiA (Global Risk Assessment), ferramenta que permite descobrir, gratuitamente e apenas com o CEP, o quanto um imóvel está exposto a eventos climáticos extremos.

Na prática, o usuário precisa digitar o CEP da própria casa, do condomínio ou da empresa para receber, em menos de um minuto, o grau de severidade de cada risco — classificado como baixo, médio, significativo ou alto — além de orientações práticas de prevenção.

O Brasil é o primeiro país da América Latina a receber a tecnologia, desenvolvida pelo Grupo Allianz e já em uso em outros mercados. A plataforma está disponível neste site e pode ser usada por qualquer pessoa, cliente ou não da seguradora.

Segundo a seguradora, o momento do lançamento é estratégico: o Brasil se prepara para um possível super El Niño, que tem mais de 90% de chance depersistir pelo menos até o início de 2027, com possibilidade de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano.

++ Leia mais: Desigualdade climática: abismo de 15ºC separa Morumbi e Paraisópolis no verão em São Paulo

Estimativas da NOAA, agência de meteorologia dos Estados Unidos, apontam que pode ser o fenômeno mais intenso desde 1950, o que significa mais chuva em excesso em algumas regiões e seca severa em outras.

Nesse cenário, a mudança no padrão dos eventos climáticos exige que a prevenção vá além de uma resposta depois que o estrago já aconteceu, diz Veronica Gomes, diretora de Massificados da Allianz Seguros.

"A análise personalizada dos riscos de cada localidade permite identificar vulnerabilidades específicas e colocar em prática as medidas preventivas mais adequadas antes de uma situação extrema", destaca.

Isso valeria na hora de comprar um imóvel, reforçar a proteção da casa ou decidir que tipo de seguro contratar.

Por trás da ferramenta

A plataforma cruza dados históricos, informações geoespaciais e modelos preditivos para estimar a exposição de cada localidade.

O usuário informa o CEP e recebe, separadamente, o grau de risco para cada um dos três eventos monitorados (alagamento, vendaval e granizo), junto com recomendações de prevenção adaptadas a cada situação.

++ Leia mais: São Paulo tem setembro mais chuvoso dos últimos 30 anos, afirma prefeitura

Segundo a seguradora, a ideia por trás é: se a pessoa souber que mora em área de risco alto para alagamento, por exemplo, pode agir mais cedo e ganha tempo para tomar uma decisão mais assertiva. 

"Conhecer o risco é o primeiro passo para se preparar e se proteger. Com o GloRiA, buscamos levar esse conhecimento aos brasileiros de uma maneira simples e acessível. Além de identificar as exposições, queremos estimular uma cultura de prevenção e ajudar nesse planejamento", diz Fábio Morita, diretor executivo de Automóvel, Massificados e Vida da Allianz Seguros.

O lado B do risco: as empresas

A ferramenta não vale só para residências. Para empresas, a Allianz já opera o CAReS (Climate Adaptation and Resilience Services), que avalia como eventos climáticos podem afetar ativos corporativos hoje e no futuro. A

De tempestades a incêndios florestais, a ferramenta olha para 12 tipos de eventos e projeta riscos em quatro horizontes: ano atual, 2030, 2050 e 2080, com base em cenários do Painel Científico de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC). 

Na prática, isso significa que uma empresa pode antecipar se uma fábrica ou centro de distribuição estará mais exposto a enchentes daqui a três décadas, e decidir se vale a pena relocalizar operações, reforçar infraestrutura ou diversificar fornecedores.

Especialistas alertam para a necessidade da adaptação e reforçam que prevenir e preparar as cidades para o novo regime climático é o ponto de partida, antes de pensar em reconstrução quando o prejuízo de vidas e financeiro já bateu a porta.

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