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Crianças e adolescentes durante atividade de badminton no projeto Miratus, na Chacrinha, Zona Oeste do Rio de Janeiro (Divulgação / Fundação Decathlon)
Repórter de ESG
Publicado em 20 de setembro de 2026 às 08h30.
Última atualização em 20 de setembro de 2026 às 08h40.
A relação entre atividade física e uma vida mais longa e saudável já é amplamente reconhecida pela ciência e a Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de exercício por semana para reduzir riscos de doenças cardíacas, diabetes e outras condições crônicas.
Mas o que acontece quando o acesso ainda é um privilégio para boa parte da população? É essa lacuna que a Fundação Decathlon tenta preencher há duas décadas, apostando no esporte como ferramenta de inclusão social, e encontrando, pelo caminho, reflexos diretos na saúde e na longevidade das comunidades que atua.
"Colocar pessoas em situação de vulnerabilidade em movimento ajuda a diminuir esses riscos e promover uma vida de mais qualidade", explica Emilie Langrené, líder da Fundação Decathlon no Brasil, em entrevista à EXAME.
Segundo a executiva, a aposta é um ecossistema completo: prática física é sinônimo de mais bem-estar emocional, equilíbrio, autoestima e confiança em si, vários aspectos sendo trabalhados ao mesmo tempo.
Essa conexão não é uma meta declarada da Fundação, mas uma consequência do seu modelo de atuação: são os próprios colaboradores da Decathlon, varejista multiesportes, que apadrinham e acompanham os projetos sociais.
"A fundação não existe sem os colaboradores. Nenhuma iniciativa que a gente apoia é uma decisão unilateral", destaca Emily.
Os frutos do modelo são celebrados anualmente no Foundation Day, realizado no Dia Nacional do Voluntariado, em 28 de agosto.
Neste ano, a mobilização bateu recorde: mais de 200 colaboradores, 48 unidades e 40 organizações sociais em 12 estados, beneficiando mais de 2.300 pessoas, um salto em relação à edição anterior.
Ao todo, desde 2005, o Brasil já apoiou mais de 30 projetos em oito estados : São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Goiás e Bahia, impactando mais de 80 mil pessoas.
No mundo, a Fundação já soma cerca de 10 mil colaboradores mobilizados em 53 países, mais de mil projetos apoiados e aproximadamente 900 mil pessoas impactadas.
Se a conexão entre esporte e longevidade é uma consequência do trabalho da Fundação, o impacto social é o que está no centro da sua missão desde que nasceu na França, em 2005.
E poucos exemplos ilustram isso tão bem quanto a história da Miratus, projeto de badminton na comunidade da Chacrinha, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, apoiado desde 2007.
Criada por Sebastião Dias de Oliveira, a Miratus recebeu ao longo dos anos apoio em infraestrutura, equipamentos esportivos e capacitação para aulas comunitárias.
Foi ali que Ygor Coelho começou a jogar badminton ainda criança, em uma trajetória que o levou ao alto rendimento e à sua primeira participação olímpica, no Rio de Janeiro, em 2016.
Segundo Emily, o caso é emblemático porque "uniu integração através do esporte e performance": hoje, boa parte da seleção brasileira de badminton tem passagem pela Miratus.
Mas a história não parou por aí. Pedro Nepomuceno, também formado pela Miratus, entrou na Decathlon como jovem aprendiz em 2019 e hoje atua como técnico de vendas sênior na loja da Barra da Tijuca.
Em 2025, foi convidado a compartilhar sua jornada na celebração global dos 20 anos da Fundação, no Campus da Decathlon em Lille, na França.
Para Emily, esse tipo de história que começa no projeto social e termina em uma carreira consolidada, não é acaso, mas parte do modelo.

"Quando os colaboradores conhecem o que estão apoiando, eles conseguem enxergar de forma muito concreta o impacto dessas relações", afirma, reiterando que a proximidade fortalece o sentimento de pertencimento e mostra que a atuação da Fundação não está separada da cultura do negócio.
"Na realidade, ela é construída pelas pessoas que fazem parte da Decathlon", complementa.
Para além do voluntariado e das histórias de transformação, a Fundação também busca mensurar os resultados de sua atuação.
Segundo Emily, o método não é replicável de um projeto para outro, porque vai depender das realidades e demandas locais. Ainda assim, pesquisas aplicadas antes e depois dos programas ajudam a acompanhar avanços em critérios como autoestima e confiança, além do acompanhamento quantitativo do número de beneficiários.
Fundação Decathlon apoia o Gol de Letra desde 2005 e ajudou a construir o Ginásio do Caju, no Rio de Janeiro (Divulgação )
O compromisso, segundo ela, é sempre de longo prazo: a organização não financia ações pontuais, mas relações que se sustentam por pelo menos 12 meses.
"A ideia é construir a longo prazo e ter um impacto duradouro", resume Emily.
É esse horizonte estendido, que, na visão dela, explica por que o esporte social pode se transformar, ao longo dos anos, em algo tão próximo da própria definição de longevidade: mais movimento, mais pertencimento, e mais tempo de vida com qualidade para quem historicamente teve menos acesso.