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Gigantes de tecnologia se unem para formar talentos em data centers no Brasil

Coalizão liderada pela Equinix Foundation reúne Cisco, ODATA e Vertiv para capacitar profissionais, ampliar inclusão produtiva e atender à demanda de um setor que pode atrair até R$ 100 bi no país

O mercado de data centers no Brasil deve atrair até R$ 100 bilhões em investimentos, com demanda de energia projetada para triplicar até 2030

O mercado de data centers no Brasil deve atrair até R$ 100 bilhões em investimentos, com demanda de energia projetada para triplicar até 2030

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 11 de abril de 2026 às 14h00.

Um dos mercados mais promissores para data centers mais sustentáveis, o Brasil traz projeções animadoras de investimentos que podem chegar a até R$ 100 bilhões nos próximos quatro anos.

Impulsionado pela expansão da inteligência artificial e computação em nuvem, o setor vive um momento de forte expansão e vê na matriz energética brasileira renovável uma oportunidade para triplicar o consumo de energia de data centers no país até 2030.

Por outro lado, há um gargalo: a escassez de profissionais qualificados para atuar neste mercado, um reflexo do crescimento acelerado da infraestrutura digital. 

É nesse contexto que uma coalizão global inédita foi lançada no Brasil para formar talentos e conectar profissionais a oportunidades no setor.

Liderada pela Equinix Foundation, braço filantrópico da Equinix, a iniciativa reúne empresas de tecnologias como Cisco, ODATA e Vertiv, além da organização sem fins lucrativos Generation.

Inclusão produtiva no centro da estratégia

No pilar social, a coalizão tem como um de seus principais pilares a inclusão econômica. O programa prioriza a formação de jovens e adultos de comunidades historicamente marginalizadas, ampliando o acesso a empregos qualificados em um setor de alta demanda e complexidade.

A proposta vai além da capacitação técnica. Os participantes recebem suporte para inserção no mercado de trabalho, conectando formação profissional a oportunidades reais de carreira, em um diferencial relevante em iniciativas de impacto.

“As formações em data centers não apenas respondem a uma demanda do mercado, mas também criam caminhos concretos de mobilidade social”, afirma Andrea Matsui, CEO da Generation Brasil.

As duas primeiras turmas estão previstas para 2026 e devem formar cerca de 50 profissionais para funções como técnico de operações, com apoio direto para empregabilidade.

A iniciativa também representa um novo modelo de governança. Além de financiar os treinamentos, as empresas da coalizão ajudam a desenhar os currículos com base nas demandas reais do mercado e se comprometem a contratar os profissionais formados.

O processo colaborativo busca reduzir o descompasso entre qualificação e empregabilidade, um dos principais entraves. Segundo as gigantes de tecnologia, a formação de mão de obra passa a ser um desafio que nenhuma empresa consegue resolver de forma isolada.

Expansão e desafio ambiental

O avanço dos data centers no Brasil também traz implicações relevantes para a agenda climática, especialmente no pilar ambiental. Essas infraestruturas demandam grandes volumes de energia para operar, o que aumenta a pressão por eficiência energética e redução de emissões.

Ao mesmo tempo, o país desponta como uma oportunidade estratégica para operações mais sustentáveis. A matriz elétrica brasileira, majoritariamente renovável e forte presença de fontes hidrelétrica, eólica e solar, é vista como um diferencial competitivo em um setor globalmente pressionado a reduzir sua pegada de carbono.

As vantagens naturais posicionam o Brasil como um hub relevante para data centers mais sustentáveis, alinhando crescimento econômico e transição energética.

Brasil como hub global

Além de atender à demanda local, a coalizão nasce com ambição internacional e deve ser expandida para outros países a partir de 2026, com o objetivo de criar uma rede global de formação de talentos para infraestrutura digital.

A iniciativa também abre espaço para novos parceiros, reforçando a colaboração entre empresas como estratégia para enfrentar desafios estruturais do setor.

Para a coalizão, a mudança desponta para a certeza de que a economia digital cada vez mais dependerá de investimentos coordenados em capital humano e inclusão social. 

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