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Grécia enfrenta incêndios florestais que já devastaram 16 mil hectares

Primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis fala em condições 'extremas' e ventos que impediram até o uso de aviões no combate às chamas

Após Espanha e França, Grécia enfrenta onda violenta de incêndios (Angelos TZORTZINIS/AFP)

Após Espanha e França, Grécia enfrenta onda violenta de incêndios (Angelos TZORTZINIS/AFP)

Publicado em 2 de agosto de 2026 às 10h32.

Última atualização em 2 de agosto de 2026 às 10h52.

A Grécia enfrenta uma semana crítica no combate a incêndios florestais: três bombeiros morreram, mais de 16 mil hectares de florestas e áreas agrícolas foram destruídos e um dos focos, próximo a Atenas, pode ser classificado como "mega-incêndio".

O balanço foi divulgado neste domingo, 2, pelo primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, que descreveu condições climáticas "extremas", com ventos que chegaram a 100 km/h.

 

Escala dos danos

Os três bombeiros mortos ao longo da semana atuavam em Creta (dois óbitos) e no Peloponeso (um óbito). No início do período, as chamas já haviam consumido 6 mil hectares nas ilhas de Creta e Paros.

O foco mais preocupante está em Porto Germeno, a 70 km a noroeste de Atenas, no Golfo de Corinto — destino de verão procurado por moradores da capital grega. Segundo Théodore Giannaros, meteorologista especialista em incêndios e pesquisador do Observatório Nacional, a área atingida na região já soma mais de 10 mil hectares, quase o dobro da estimativa inicial.

"Infelizmente, é muito provável — se não quase certo — que este incêndio seja classificado como um mega-incêndio", escreveu o pesquisador no Facebook.

Dezenas de residências foram danificadas ou destruídas na região, segundo as autoridades. Um morador de vilarejo próximo, o agricultor Minas Tsotdanis, relatou à AFP a violência do fogo: "O fogo era muito violento e o vento soprava com uma força incrível. Não havia nada a fazer, a não ser observar o incêndio. Minha casa foi completamente destruída."

Bombeiros 'levados ao limite'

Com ventos fortes durante praticamente toda a semana, as equipes de combate enfrentaram dezenas de focos simultâneos. Neste sábado, um novo incêndio foi registrado na ilha de Cefalônia, no Mar Jônico.

O ministro grego da Proteção Civil, Evangelos Tournas, afirmou que os bombeiros foram "levados ao limite". Segundo ele, a intensidade do vento criou "condições extremamente difíceis" e, em muitos casos, impediu que aviões realizassem descargas de água por causa de turbulências extremas — um obstáculo confirmado pelo próprio Mitsotakis, que disse que "nem mesmo as bolsas de aeronaves podem operar com segurança" em ventos tão fortes.

"Há momentos em que a natureza e a intensidade das condições meteorológicas ultrapassam qualquer planejamento humano e qualquer capacidade operacional", declarou o premiê grego em publicação no Facebook.

Alerta segue ativo

Porto Germeno e outras localidades foram evacuadas na sexta-feira. Os ventos perderam força no fim da tarde de sábado, mas a região metropolitana de Atenas e as áreas próximas de Voiotia e da ilha de Eubeia seguem neste domingo em nível de risco de incêndio quase máximo, segundo o Ministério da Proteção Civil.

A Grécia é atingida todos os anos por incêndios florestais, impulsionados por ondas de calor e secas frequentes. Neste verão, o país entra em cena após uma sequência de incêndios de proporções históricas registrados na França e na Espanha, já sob controle.

Cientistas apontam que eventos climáticos extremos, como ondas de calor, têm se tornado mais frequentes e intensos por causa das mudanças climáticas provocadas pela atividade humana.

*Com informações da AFP

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