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Cidade mais poluída do mundo: Toronto lidera ranking de pior qualidade do ar

Fumaça de incêndios florestais e calor recorde colocam a cidade canadense no topo do ranking mundial de pior qualidade do ar. Entenda o que houve e os riscos à saúde.

A cidade do Canadá foi classificada com a pior no ranking de qualidade do ar. (Imagem criada com IA)

A cidade do Canadá foi classificada com a pior no ranking de qualidade do ar. (Imagem criada com IA)

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 16 de julho de 2026 às 10h33.

Nesta quarta-feira, 15 , Toronto amanheceu debaixo de um céu alaranjado. Ao longo do dia, a maior cidade do Canadá chegou a ocupar o topo de um ranking pouco desejado: o de pior qualidade do ar entre as grandes metrópoles do mundo.

O dado é da IQAir, empresa suíça que monitora a qualidade do ar em tempo real ao redor do planeta.

Em determinados momentos do dia, Toronto chegou a superar cidades historicamente mais poluídas, como Nova Délhi, na Índia, e Kinshasa, na República Democrática do Congo.

O motivo foi a fumaça densa de incêndios florestais que atingem o noroeste de Ontário, província da qual Toronto é a capital.

Segundo a Environment and Climate Change Canada, agência ambiental do governo canadense, o Índice de Qualidade do Ar e Saúde (AQHI, na sigla em inglês) da cidade chegou a 10+, a pior categoria da escala, classificada como "risco muito alto".

A situação piorou porque uma onda de calor atingia o leste do Canadá e dos Estados Unidos ao mesmo tempo.

As temperaturas em Toronto bateram na casa dos 33°C, com sensação térmica próxima dos 39°C por causa da umidade.

Diante do cenário, as autoridades locais recomendaram que a população evitasse esforço físico ao ar livre e mantivesse janelas e portas fechadas.

A cidade chegou a fechar piscinas públicas, cancelar atividades de colônias de férias e suspender a área oficial de fan fest da Copa do Mundo, montada às vésperas da semifinal entre Inglaterra e Argentina.

De acordo com o governo do Canadá, o país tinha, nesta semana, 835 incêndios florestais ativos, sendo 112 fora de controle, a maioria nas províncias de Manitoba, Saskatchewan e Ontário.

No total, já foram queimados 1,9 milhão de hectares no país neste ano, área equivalente à da Eslovênia.

Ainda assim, a temporada de incêndios de 2026 é considerada mais branda que as de 2023 e 2025, os dois piores anos já registrados no Canadá.

A fumaça não ficou restrita ao território canadense e avançou por estados americanos como Pensilvânia, Nova York, Connecticut, Massachusetts, Maine e New Hampshire, levando autoridades de Nova York a emitir alertas à população.

Já nesta quinta-feira, 16, a qualidade do ar em Toronto seguia ruim, mas com leve melhora.

A cidade caiu para a 3ª posição no ranking mundial da IQAir. O alerta laranja de qualidade do ar seguia em vigor, e a previsão da Environment Canada é de melhora a partir de sexta-feira, 17, à medida que a fumaça se desloca para o sul.

Poluição do ar: o que faz uma cidade ficar poluída?

A poluição atmosférica acontece quando gases, partículas sólidas ou líquidas se acumulam no ar em quantidade suficiente para prejudicar a saúde humana e o meio ambiente.

É assim que o Ministério da Saúde define o problema em material técnico sobre vigilância em saúde ambiental.

Existem duas grandes origens para isso, as fontes humanas e fontes naturais.Veja as diferenças:

Fontes humanas 

  • Queima de combustíveis fósseis por veículos, indústrias e usinas termelétricas, que libera dióxido de carbono, óxidos de nitrogênio e material particulado;
  • Atividade industrial, sobretudo nos setores químico, metalúrgico e de mineração;
  • Queimadas ligadas a desmatamento e expansão agropecuária;
  • Queima de lixo e resíduos a céu aberto.

Fontes naturais

  • Incêndios florestais, como o que atinge Ontário agora;
  • Tempestades de areia e poeira;
  • Erupções vulcânicas.

No caso de Toronto, o problema não nasceu dentro da própria cidade. A fumaça viajou centenas de quilômetros carregada pelo vento, algo que a Health Canada, agência de saúde do governo canadense, explica em seus materiais.

Calor e baixa umidade, como os registrados na cidade nos últimos dias, também tendem a piorar a concentração de poluentes.

Por que isso importa para a saúde?

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) reproduzidos pelo Ministério da Saúde, a poluição do ar é considerada o principal risco ambiental à saúde humana, associada a cerca de 4,2 milhões de mortes prematuras por ano no mundo.

As partículas mais perigosas são as chamadas PM2,5: finas o bastante para penetrar profundamente nos pulmões e até chegar à corrente sanguínea.

A exposição pode causar desde irritação nos olhos e na garganta até agravamento de doenças cardíacas, derrames e problemas respiratórios crônicos, como bronquite e asma, segundo cartilha do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

O que pode ser feito para reduzir a poluição do ar?

Governos têm algumas ferramentas principais para lidar com o problema:

  • Redes de monitoramento da qualidade do ar, que geram dados em tempo real e emitem alertas à população. No Brasil, essa estrutura está sendo organizada a partir da Lei 14.850/2024, que criou a Política Nacional de Qualidade do Ar;
  • Padrões de emissão mais rígidos para veículos e indústrias, com fiscalização e inspeção veicular;
  • Incentivo a energia limpa e transporte público, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis;
  • Combate ao desmatamento e às queimadas ilegais;
  • Planejamento urbano que evite concentrar fontes poluidoras perto de áreas residenciais.

Qual é a cidade mais poluída do Brasil?

Enquanto Toronto enfrenta uma crise pontual causada por incêndios florestais, o Brasil também tem seus próprios desafios de qualidade do ar, ainda que em outra escala.

De acordo com o levantamento mais recente da IQAir, referente a 2025, a cidade brasileira com a pior qualidade do ar do país foi Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, com índice de 68 pontos na escala AQI+ usada pela empresa.

Para efeito de comparação, o índice médio de poluição do Brasil como um todo, calculado pela IQAir, foi de 53 AQI+ em 2025, o equivalente a duas vezes o valor de referência anual para partículas finas (PM2,5) recomendado pela OMS.

Isso colocou o país na 93ª posição entre 143 países avaliados, uma posição intermediária se comparada às nações mais poluídas do mundo, caso de Paquistão e Bangladesh, e às mais limpas, como Estônia e Austrália.

Vale destacar que o Brasil tem hoje uma legislação federal específica sobre o assunto.

A Lei 14.850/2024 instituiu a Política Nacional de Qualidade do Ar e determinou que o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, junto ao Conama, publique padrões nacionais atualizados e estruture uma Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade do Ar, segundo nota da Câmara dos Deputados.

Um capítulo à parte da história brasileira é o de Cubatão, no litoral paulista. Na década de 1980, a cidade foi apontada pela ONU como a mais poluída do planeta, por causa da concentração de indústrias químicas, petroquímicas e metalúrgicas na região.

Depois de décadas de investimento em controle ambiental, Cubatão hoje aparece entre as áreas com melhor qualidade do ar do estado de São Paulo.

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