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Câmeras analógicas vivem nova fase e conquistam uma geração de fotógrafos

Da Pentax à Rollei, marcas apostam em produtos inéditos para atender uma demanda que cresce entre iniciantes e entusiastas

Câmeras analógicas: O avanço de novos equipamentos mostra que a fotografia em filme se consolidou como um mercado ativo e em expansão (Imagem gerada por IA/EXAME)

Câmeras analógicas: O avanço de novos equipamentos mostra que a fotografia em filme se consolidou como um mercado ativo e em expansão (Imagem gerada por IA/EXAME)

Publicado em 18 de julho de 2026 às 08h51.

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Durante anos, a fotografia analógica parecia destinada a ocupar um espaço reservado à nostalgia. Hoje, o cenário é diferente. Novos modelos chegam ao mercado, fabricantes voltam a investir em câmeras de filme e uma geração acostumada aos smartphones descobre o prazer de fotografar com um número limitado de poses e resultados que só aparecem após a revelação.

Um mercado que voltou a produzir novidades

O interesse pela fotografia em filme cresceu a ponto de incentivar empresas tradicionais e marcas independentes a lançar equipamentos inéditos. Entre os destaques estão a Pentax 17, a Rollei 35AF e novos modelos da Lomography, mostrando que a indústria voltou a enxergar espaço para produtos desenvolvidos especialmente para quem deseja fotografar em filme, sem depender apenas de câmeras antigas encontradas no mercado de usados.

Segundo a análise da Wirecutter, do The New York Times, esse movimento representa uma mudança importante. Em vez de sobreviver apenas com equipamentos fabricados décadas atrás, a fotografia analógica passa a contar com opções modernas, garantia de fábrica e recursos pensados para facilitar a experiência de novos usuários.

A experiência faz parte da fotografia

O principal atrativo das câmeras analógicas está no próprio processo. Cada clique exige atenção à composição, à iluminação e ao momento certo de apertar o disparador. O limite de exposições em cada filme transforma a fotografia em uma atividade mais intencional, valorizando cada imagem registrada.

Essa característica também cria uma relação diferente com as fotografias. A expectativa pela revelação e a impossibilidade de revisar a imagem imediatamente fazem parte da experiência, algo que muitos fotógrafos consideram um contraponto ao ritmo acelerado da fotografia digital.

A Geração Z impulsiona o renascimento do filme

Grande parte desse novo interesse vem de quem cresceu cercado por smartphones e redes sociais. Para muitos jovens, fotografar em filme representa uma experiência diferente da lógica do registro instantâneo. O processo envolve escolher o filme, pensar em cada enquadramento e esperar pela revelação, transformando cada fotografia em uma lembrança física e duradoura.

Em vez de buscar a perfeição técnica, esse público valoriza características que fazem parte da fotografia analógica, como o grão, as pequenas imperfeições e a imprevisibilidade do resultado. A estética do filme também ganhou espaço nas redes sociais, mas o principal atrativo está na experiência de produzir imagens com mais calma e intenção.

Dados de 2025, divulgados pelo portal Público, de Portugal, indicam que 35% dos 42 milhões de usuários ativos de câmeras de filme no mundo tinham entre 18 e 30 anos. O interesse também aparece nas buscas pela internet: em comparação com o ano anterior, as pesquisas relacionadas à fotografia analógica cresceram 41%, refletindo o fortalecimento dessa tendência entre um público que busca uma experiência mais consciente e criativa ao registrar imagens.

Mais opções para quem quer começar

O renascimento da fotografia em filme também ampliou a variedade de equipamentos disponíveis. Há modelos compactos voltados para iniciantes, câmeras reutilizáveis inspiradas nas descartáveis e versões mais sofisticadas para quem busca maior controle sobre a captura das imagens. Esse cenário facilita a entrada de novos entusiastas sem exigir conhecimento técnico avançado logo no primeiro contato.

É o caso da Kodak Snapic A1, à venda na Amazon por R$1.084. Lançada em novembro de 2025, a câmera foi desenvolvida pela Reto, empresa licenciada pela Kodak, e chegou ao mercado como uma alternativa compacta e acessível para quem deseja entrar no universo da fotografia analógica em filme 35 mm.

Outra opção também é a KODAK EKTAR H35, disponível na Amazon por R$

Também fazendo parte de lançamentos recentes da Kodak, a Kodak F8 foi lançada em 2024. Trata-se de uma câmera analógica reutilizável para filmes de 35 mm, desenvolvida para oferecer uma experiência clássica de fotografia. O modelo conta com lente grande-angular de 28 mm, foco fixo e flash integrado, reunindo simplicidade de uso e praticidade para quem está começando na fotografia analógica. Ela está disponível na Amazon por R$ 383.

Uma moda que veio para ficar — de novo

O crescimento dessa comunidade também acontece fora da internet. Festivais, feiras, oficinas e laboratórios de revelação voltaram a reunir fotógrafos iniciantes e experientes em torno da fotografia analógica.

Em abril deste ano, aconteceu a primeira edição da AnalogCon, realizada em Los Angeles. O evento reuniu fabricantes de câmeras, laboratórios de revelação, fornecedores e entusiastas da fotografia analógica em uma programação com demonstrações de produtos, palestras e exposições.

No Brasil, um dos principais símbolos desse movimento é o FFV Café, na Santa Cecília, na região central de São Paulo. Criado a partir do projeto Festival de Filmes Vencidos, o espaço reúne cafeteria, loja especializada, laboratório de revelação e venda de filmes e câmeras analógicas em um mesmo endereço. A proposta transforma o local em um ponto de encontro para fotógrafos, criadores e curiosos que desejam explorar a fotografia em filme além do clique.

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