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Engie se une à comunidade Kalunga para recuperar nascentes no maior quilombo do Brasil

Projeto que se estende até 2028 busca ampliar a segurança hídrica da região e proteger uma cadeia de rios que também abastece o reservatório de uma usina operada pela companhia em Goiás

No território Kalunga, moradores participam das ações de recuperação das nascentes e ajudam a definir as áreas prioritárias do projeto (Divulgação)

No território Kalunga, moradores participam das ações de recuperação das nascentes e ajudam a definir as áreas prioritárias do projeto (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 09h00.

No coração do Cerrado goiano, vive uma comunidade que carrega mais de duzentos anos de história. É lá, na Comunidade Engenho II, dentro do maior território quilombola do Brasil, que moram cerca de 180 famílias que mantêm viva a relação com a terra passada de gerações.

Na área de 262 mil hectares, nasce o Rio João Rodrigues, fonte de água para quem vive na região e para o ecoturismo que sustenta boa parte da economia local.

É nesse território que a Engie Brasil iniciou um projeto de recuperação e proteção das nascentes e ampliar a disponibilidade de água na região.

Até 2028, a ação reunirá a gigante de energia, o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do Ibama e a Associação Kalunga Comunitária do Engenho II em uma frente que combina conservação ambiental, conhecimento tradicional e segurança hídrica.

Durante uma visita de campo em maio, as equipes mapearam as áreas consideradas prioritárias. A primeira etapa prevê, até outubro, ainda durante o período seco, a instalação de cercas para isolar e proteger as nascentes, criando uma faixa mínima de 50 metros ao redor de cada uma.

É um cuidado simples, mas decisivo: sem o acesso de animais e sem atividades que compactam o solo, a água tem mais chance de se manter limpa e disponível.

Nesta primeira fase, a Engie vai investir R$ 100 mil. Com a chegada das chuvas, entre novembro e dezembro, começa a segunda etapa, com o plantio e o replantio de espécies nativas.

Em 2027 e 2028, novas áreas serão mapeadas e passarão pelo mesmo processo de recuperação.

Um projeto construído a várias mãos

Segundo a empresa de energia, o que diferencia a iniciativa de outras de recuperação ambiental é a forma como foi construída: em um modelo colaborativo caracterizado como "triangulação inédita", unindo a iniciativa privada, liderança comunitária e o órgão público ambiental. 

A associação comunitária é quem conhece o território como ninguém: é ela quem define as áreas a serem protegidas e fornece as sementes de espécies nativas da região, além de mobilizar a comunidade para os mutirões de plantio e as ações de educação ambiental.

Essas sementes seguem depois para o Horto Florestal da Usina Hidrelétrica Cana Brava, onde se transformam em mudas. Já a execução do cercamento e do plantio em campo é feita em conjunto pela Brigada de Incêndios Florestais do Ibama, com base fixa no território, e por moradores locais. À Engie, cabe fornecer os insumos, materiais e equipamentos, além de coordenar e participar diretamente das atividades.

É um modelo em que a ciência ambiental, a estrutura de uma grande companhia e o conhecimento tradicional Kalunga caminham lado a lado.

A água que também move a operação do negócio

Há ainda um fio que liga essa história à operação da Engie: as nascentes do Rio João Rodrigues seguem para o Rio Claro e, depois, para o Rio Preto, um dos principais afluentes do reservatório da Usina Hidrelétrica Cana Brava, também operada pela companhia.

Proteger essas nascentes, portanto, não é apenas um gesto de responsabilidade ambiental distante da operação: é cuidar de uma cadeia que começa na floresta e termina, literalmente, na geração de energia.

"Junto aos parceiros, valorizamos o conhecimento de quem vive no território e construímos soluções de impacto ambiental e social duradouros", destacou Thais Soares, diretora de Sustentabilidade da Engie Brasil.

Karen Schroder, gerente de Meio Ambiente da companhia, completa que o isolamento das áreas, somado ao manejo correto do solo e ao plantio de espécies nativas, é o que garante tanto a recomposição da vegetação quanto a disponibilidade de água para a região no longo prazo.

A Engie já atua na proteção de nascentes em Goiás. Entre 2014 e 2025, a empresa apoiou a recuperação de mais de 100 nascentes no município vizinho de Minaçu.

O novo capítulo no Território Kalunga faz parte do Programa de Proteção de Nascentes, criado em 2010 e que já contribuiu para a proteção de mais de 2,6 mil nascentes em todos os biomas brasileiros.

No Engenho II, a água é importante para a vida e a economia da comunidade. As cachoeiras atraem visitantes, enquanto o recurso natural também está presente na culinária, nas tradições e no dia a dia.

Proteger as nascentes significa cuidar, ao mesmo tempo, da biodiversidade, da segurança hídrica e das pessoas que dependem desses recursos para viver e gerar renda”, conclui a diretora de sustentabilidade.

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