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Do vinhedo à taça, como a Chandon avança na regeneração do solo

Primeira vinícola brasileira certificada em viticultura sustentável, a marca investe em cobertura vegetal e zero herbicidas: "Construímos tudo pensando nas próximas gerações", diz diretora à EXAME

Delphine Vazquez, diretora de sustentabilidade da Chandon: "Construímos a sustentabilidade pensando em como vamos seguir no futuro" (Divulgação)

Delphine Vazquez, diretora de sustentabilidade da Chandon: "Construímos a sustentabilidade pensando em como vamos seguir no futuro" (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 22 de agosto de 2026 às 14h00.

Última atualização em 22 de agosto de 2026 às 15h43.

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Nos vinhedos de Encruzilhada do Sul, no Rio Grande do Sul, a Chandon entendeu que um bom espumante começa muito antes da colheita e não pode ser dissociado da saúde do solo onde a videira se desenvolve.

Não basta cuidar da planta: é preciso de um olhar atento ao organismo vivo que a sustenta, passando pelas raízes, microrganismos, água, insetos e clima.

Essa é a premissa que guia, há mais de uma década, o trabalho de agricultura regenerativa da vinícola francesa no Brasil, reconhecida internacionalmente pela sustentabilidade em uma prmeiação do grupo de luxo LVMH. 

Em entrevista à EXAME durante evento da Casa Chandon em São Paulo, Delphine Vazquez, diretora de sustentabilidade da empresa, contou que a aposta é de longo prazo: tanto para o ecossistema, quanto para as pessoas que dependem dele.

Uma videira só atinge seu real potencial produtivo depois de sete anos de cultivo, o que torna a atividade, em suas palavras, "um ofício pensado em décadas, não em safras isoladas". 

"Quando construímos um vinheiro sustentável, é prinipalmente pensando para gerações futuras", afirmou a diretora.

Entre as boas práticas testadas e depois replicadas estão o fim do uso de herbicidas, o plantio direto e 100% do uso de culturas de cobertura vegetal, como aveia e nabo, que protegem a terra da erosão e ajudam a reter umidade. Hoje, esse conhecimento já alcança 100% dos 80 produtores parceiros da marca.

"Provamos em nossos vinhedos o que funciona e compartilhamos para os viticultores parceiros aplicarem também", explica Delphine.

A diferença entre preservar e regenerar é conceitual, mas também estratégica para a Chandon: preservar significa proteger o que já existe, enquanto regenerar significa ajudar o território a recuperar vitalidade e diversidade que, em algum momento, foram perdidas.

Na prática, esse segundo objetivo se traduz em um conjunto de decisões de manejo que se reforçam mutuamente.

O ciclo da agricultura regenerativa se fecha com o próprio processo de elaboração dos espumantes: todo o bagaço de uva gerado é transformado em composto e retorna ao vinhedo, alimentando de volta o solo, em um modelo de economia circular. 

O resultado das práticas foi medido neste ano por uma consultoria especializada em estudos de solo, a Genesis, que avalia propriedades agrícolas ao redor do mundo e a Chandon se posicionou entre as melhores empresas do setor em nível global.

"Conseguimos realmente alcançar a regeneração de biodiversidade", destacou Delphine.

Pioneira em certificação de viticultura sustentável

Em 2020, o vinhedo próprio de Encruzilhada do Sul recebeu a certificação do protocolo PIUP que tornou a Chandon a[grifar] primeira vinícola brasileira certificada em viticultura sustentável.

Em 2024, a propriedade de Garibaldi também foi certificada, e hoje a marca soma 121 hectares de vinhedos com o selo. 

O protocolo internacional reconhece práticas de manejo responsável, monitoramento e melhoria contínua nos vinhedos, exigindo acompanhamento constante, registros detalhados, capacitação e disciplina ao longo de cada safra.

Em 2025, a marca no Brasil também ficou em segundo lugar mundial na categoria biodiversidade do LVMH Awards, premiação interna do conglomerado que reconhece iniciativas sustentáveis.

Um território de biodiversidade

Parte importante desse trabalho acontece dentro do bioma Pampa, que reúne campos, áreas úmidas, matas e uma ampla diversidade de espécies.

Hoje, a Chandon destina 36% de suas terras (100 hectares) à vegetação nativa, corredores biológicos e abrigos para aves, sendo 80 hectares no Pampa e 20 hectares na Mata Atlântica.

A propriedade preserva ainda 170 araucárias nativas e mantém 90 colmeias com seis espécies de abelhas sem ferrão.

Uma das iniciativas mais simbólicas desse esforço é a conservação do butiá, palmeira nativa ligada à paisagem e à cultura gaúcha.

Em parceria com a Embrapa Clima Temperado, a CMPC e a SEMA-RS, a Chandon está replantando 3 mil espécies ameaçadas de extinção em Encruzilhada do Sul, projeto que integra a Rota dos Butiazais e que, desde 2023, inclui um seminário anual aberto para colaboradores, parceiros e comunidade local.

Todo ano, a vinícola também realiza levantamento de fauna e flora na propriedade, conduzido por biólogos. O traballho já identificou espécies em via de extinção na região, do gato-do-mato a diversas aves.

A rede de produtores parceiros

Segundo a diretora de sustentabilidade, a regeneração não pode e nem deve ficar restrita aos vinhedos próprios da Chandon. Pensando nisso, a empresa mantém uma equipe dedicada exclusivamente ao acompanhamento de viticultores parceiros ao longo de todo o ano, com apoio de um aplicativo que reúne todas as parcelas de produção e permite o monitoramento de práticas aplicadas.

"Temos uma pessoa 100% dedicada aos viticultores. É um trabalho de confiança e faz parte do impacto da cadeia de valor", afirmou a executiva.

Para Delphine, convencer os produtores parceiros a adotar práticas mais sustentáveis passa também por um argumento econômico, não apenas ambiental.

"Se você está preservando seu solo, garante a matéria-prima do seu trabalho e terá mais produtividade, tempo no futuro e resistência a fatores climáticos", concluiu.

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