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Saber estruturar comandos precisos pode aumentar a qualidade das respostas de ferramentas de inteligência artificial e ampliar sua utilidade no trabalho (Magnific/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 30 de agosto de 2026 às 07h02.
Uma pergunta cada vez mais comum nas empresas é quanto um profissional consegue produzir melhor quando sabe usar inteligência artificial.
A resposta não aparece como um adicional fixo no contracheque, mas já há sinais no mercado de que essa competência pode pesar na contratação e na negociação salarial.
O Guia Salarial 2026 da Robert Half destaca habilidades especializadas como um fator capaz de ampliar a remuneração oferecida pelas empresas.
A consultoria também aponta que o conhecimento em inteligência artificial ganhou espaço entre as competências valorizadas em diferentes áreas, incluindo finanças, RH, jurídico e engenharia.
Saber abrir o ChatGPT, Gemini ou outra ferramenta não diz muito sobre a capacidade de um profissional. O que interessa para uma empresa é o que ele consegue fazer com esses recursos.
Um dos exemplos mais simples está na elaboração de prompts. Pedir "faça um relatório sobre vendas" deixa quase todo o trabalho de interpretação para a IA.
Já uma instrução que informa o público, o objetivo, os dados disponíveis, o formato desejado e os critérios de análise reduz as ambiguidades e aumenta a chance de receber algo aproveitável.
Ter contato com o ChatGPT ou outra ferramenta não é suficiente para transformar essa habilidade em diferencial profissional. O que ganha valor é saber aplicar a tecnologia para resolver problemas reais.
Um profissional de marketing, por exemplo, pode usar IA para analisar dados de campanhas, testar diferentes versões de uma mensagem ou acelerar pesquisas.
Na área financeira, a tecnologia pode apoiar análises e organização de informações. No RH, pode auxiliar na triagem e estruturação de dados, sempre com revisão humana. A diferença está na capacidade de avaliar o resultado, identificar erros e decidir quando a ferramenta realmente ajuda.
O Guia Salarial 2026 da Robert Half projeta, por exemplo, remuneração nacional entre R$ 19.500 e R$ 27.100 para engenheiros de inteligência artificial.
Para especialistas em IA e machine learning, a faixa vai de R$ 17.950 a R$ 23.550. Já o cargo de engenheiro de prompt aparece com valores entre R$ 19.050 e R$ 26.100.
Os números correspondem aos percentis de remuneração considerados pela consultoria, e não a um salário garantido para qualquer profissional da área.
Os números, porém, correspondem a cargos especializados. Eles não significam que qualquer profissional que aprenda a escrever bons prompts passará automaticamente a receber esses valores.
A velocidade da mudança também é um sinal para quem está entrando ou já está no mercado. Segundo a PwC, as competências exigidas nas ocupações mais expostas à IA estão mudando mais de duas vezes mais rápido do que nas funções menos afetadas pela tecnologia.
No Brasil, quase 30% dos profissionais afirmaram usar IA generativa diariamente no trabalho em uma pesquisa da PwC publicada em 2026. A mesma pesquisa mostra que 83% dos brasileiros percebem melhora na qualidade do trabalho e 79% relatam ganhos de produtividade com o uso da tecnologia.
Por isso, o valor da IA no salário não pode ser resumido a um adicional fixo. Para o profissional, a remuneração tende a refletir a combinação entre domínio da própria área e capacidade de usar a tecnologia para entregar mais, melhor ou de uma maneira que antes não era possível.