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Beija-Flor aposta em impressão 3D para reduzir impacto ambiental do Carnaval

Escola de samba já produziu cerca de 10% das alegorias que serão utilizadas no Carnaval de 2026 com plástico reciclável, em substituição em isopor

Luiz Lolli (esq.), engenheiro mecânico responsável pelo desenvolvimento e idealização da impressora 3D no Carnaval, e o presidente da Beija-Flor, Almir Reis (dir.) (Eduardo Hollanda/Divulgação)

Luiz Lolli (esq.), engenheiro mecânico responsável pelo desenvolvimento e idealização da impressora 3D no Carnaval, e o presidente da Beija-Flor, Almir Reis (dir.) (Eduardo Hollanda/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 16h27.

Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 16h34.

A um mês do Carnaval, a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, atual campeã carioca, aposta na tecnologia para acelerar a produção de peças cenográficas, adereços e elementos das fantasias — reduzindo o impacto ambiental nos processos.

A escola de samba apresentou à EXAME que passou a utilizar uma impressora 3D de larga escala na produção de artigos que serão usados no desfile. Em poucas semanas de testes, o equipamento já é responsável pela produção de ao menos 10% de todo o desfile de 2026, cujo samba-enredo será o Bembé, o único candomblé de rua no mundo.

O objetivo é transformar o barracão da Beija-Flor, localizado no centro do Rio de Janeiro, em um laboratório da indústria 4.0 e suas aplicações na economia criativa. A impressora funciona em larga escala usando a tecnologia FDM, que derrete filamentos plásticos para formar camadas.

A impressora foi financiada pelo presidente da Beija-Flor, Almir Reis, e idealizada e desenvolvida pelo engenheiro mecânico Luiz Lolli, responsável pela criação de toda a estrutura de fabricação digital.

O trabalho será realizado com ABS, um plástico resistente, leve e reciclável, que permite a reprodução de texturas, volumes e padrões semelhantes ao projeto original.

O líder de esculturas da Beija-Flor de Nilópolis, Kenedy Prata, explica que a tecnologia vai ser utilizada como uma aliada dos artistas que trabalham para a escola durante o período de Carnaval. “As máquinas reproduzem com exatidão esculturas em grandes quantidades e permitem que os artistas se dediquem às peças maiores, mais autorais e mais artísticas”, conta.

Menor impacto ambiental no Carnaval

O objetivo é que a produção em larga escala substitua a utilização de isopor, material com taxa de reutilização ainda baixa, pelo plástico reciclável, que apresenta mais oportunidades de reaproveitamento.

O principal benefício ambiental está na redução do desperdício de material. De acordo com a escola, boa parte do isopor usado hoje é em comprado em blocos, então o que resta após os cortes da produção não consegue ser reutilizado.

O contrário acontece com a impressão 3D: a produção não gera excessos que precisam ser descartados, evitando o desperdício. Após o desfile, os itens ainda podem ser derretidos e reutilizados a partir dessas impressoras, ou, como a Beija-Flor já costuma fazer, parte das alegorias é doada para escolas do grupo de acesso.

Como vai funcionar?

A velocidade da produção é um dos pontos que chama a atenção no projeto. Uma peça de cerca de 1,1 metro de altura leva cerca de 24 horas para ser produzido, enquanto a produção manual levaria até semanas no desenvolvimento.

Para o carnavalesco da Beija-Flor João Vitor Araújo, a tecnologia pode melhorar até mesmo na qualidade do desfile, já que as peças ficam mais leves, o material não chega com distorções pelo trajeto entre o barracão e a avenida, e a escola garante maior nível de precisão no projeto.

A expectativa da escola é ampliar a utilização da impressão 3D nos próximos anos, superando a marca já alcançada de 10% da produção com essa tecnologia.

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