ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

América do Sul se prepara para os impactos do El Niño no setor elétrico

Países dependentes da geração hidrelétrica enfrentam riscos crescentes de déficit de eletricidade e precisam reforçar planejamento e investimentos

Campanha para economia de água na Colômbia por conta do El Niño, tirada em 15/07/2026, em Bogotá. (Cecilia Araújo)

Campanha para economia de água na Colômbia por conta do El Niño, tirada em 15/07/2026, em Bogotá. (Cecilia Araújo)

Weslly Morais
Weslly Morais

Colunista

Publicado em 29 de julho de 2026 às 14h00.

Centros especializados em previsão climática, como o National Oceanic Atmospheric Administration (NOAA), confirmaram as condições de estabelecimento de El Niño de proporções significativas. No Brasil, a tendência é de déficit de chuvas no Norte e Nordeste, com possibilidade de aumento de incêndios florestais na Amazônia, enquanto o Sul deve observar chuvas acima da média, beneficiando reservatórios hidrelétricos, porém com elevado risco de enchentes.

O caso brasileiro é um exemplo sobre os efeitos do El Niño na América do Sul, onde quase metade da eletricidade vem de hidrelétricas. Isso representa um forte sinal de alerta para o setor elétrico dos países do continente.

A Colômbia é um dos casos mais agudos. A operadora XM alertou formalmente o governo para o risco de déficit de energia em 2026–2027 via seus boletins energéticos. Ao final de maio, por exemplo, os reservatórios estavam em torno de 65% da capacidade máxima — distantes dos 80% que a XM estabelece como referência para agosto. A incorporação de novos projetos de geração ao sistema tem ficado sistematicamente aquém do planejado.

Em 2022, apenas 28% da capacidade prevista entrou em operação; em 2023, 17%; em 2024, 25%; e em 2025, somente 10,8%. Dos 4.475 MW programados para 2026, apenas 291 MW haviam sido incorporados até abril, segundo boletim da própria XM. O efeito econômico do El Niño pode ter graves consequências para o país. Um apagão prolongado custaria o equivalente a 1,5% do PIB,

Outro exemplo é o Equador, que entra na crise já fragilizado. Em 2024, enfrentou frequentes cortes de energia entre setembro e novembro, com perdas de US$ 7,5 bilhões estimadas pela Câmara do Comércio de Quito. Hoje, mais de 4.000 MW de capacidade instalada (cerca de 83% da capacidade hidrelétrica instalada) dependem de bacias vulneráveis à estiagem.

Medidas preparatórias para o evento

Algumas ações começaram a ser implementas nos últimos meses procurando mitigar os impactos negativos do evento. O governo colombiano apresentou um plano com 50 ações coordenadas entre ministérios e agências do setor, que busca combinar inteligência operacional (monitoramento permanente de demanda, abastecimento de gás e projetos estratégicos de geração) e comunicação (estratégias para informar consumidores e indústria sobre eficiência energética durante a crise).

Na Costa Rica, o operador ICE com contratação emergencial de geração térmica de aluguel e manutenções escalonadas nas principais usinas do país. No Equador, para reforço de redes antes que a estiagem se instale.

Em um contexto de mudanças climáticas, eventos como este tendem a se tornar mais intensos e frequentes. A resposta não pode ser apenas operacional: países que chegam a cada El Niño correndo para encher reservatórios e acionar térmicas de emergência pagam um custo que planejamento de longo prazo e investimento consistente em geração poderiam evitar.

Acompanhe tudo sobre:PSR Energia em foco

Mais de ESG

Dois anos após enchentes históricas, RS volta ao alerta máximo e expõe lacuna da adaptação climática

Casas Bahia evita perdas de R$ 255 milhões com economia circular

Super El Niño se aproxima e ameaça segurança energética no Brasil

Fundação Clinton lança instituto para políticas públicas nos EUA