(Supatman/Getty Images)
Presidente da BrandLovers no Brasil
Publicado em 29 de julho de 2026 às 13h54.
Durante décadas, a principal disputa do marketing foi por espaço publicitário. Quem comprava mais mídia tinha mais chances de ser visto. Hoje, essa lógica mudou. Espaço nunca faltou. O que se tornou escasso foi a atenção das pessoas.
É justamente por isso que a Creator Economy cresce em um ritmo tão acelerado. Não apenas porque creators produzem conteúdo, mas porque conquistam algo que se tornou o recurso mais valioso do mercado: a atenção de comunidades que escolheram acompanhá-los.
Os números mostram essa transformação. Segundo o mais recente relatório do IAB, os investimentos em creator advertising nos Estados Unidos cresceram quatro vezes mais rápido do que a indústria de mídia como um todo. Quase metade dos anunciantes já considera creators um canal indispensável em seus planos de mídia.
Isso acontece porque creators não funcionam como um formato tradicional de publicidade. Eles conhecem profundamente a linguagem das plataformas, entendem o comportamento de suas comunidades e produzem conteúdos que fazem parte da experiência de consumo das pessoas, em vez de simplesmente interrompê-la. Em um mercado em que toda marca disputa os mesmos segundos de atenção, essa capacidade se tornou uma vantagem competitiva.
Mas existe uma consequência dessa transformação que ainda recebe pouca atenção.
Quanto mais as marcas recorrem aos creators para disputar atenção, mais elas deixam de controlar diretamente a produção de suas campanhas. Em vez de trabalhar com poucos fornecedores ou uma única agência, passam a operar com centenas — às vezes milhares — de pessoas produzindo conteúdo simultaneamente, em diferentes formatos, plataformas e contextos culturais.
É nesse momento que surge o verdadeiro desafio.
Durante muito tempo, Brand Safety foi tratado como uma etapa do processo de comunicação. Um checklist antes da campanha entrar no ar. Uma revisão jurídica. Uma validação do conteúdo final. Essa lógica fazia sentido quando campanhas envolviam poucas peças e um número limitado de parceiros.
Hoje, ela simplesmente não acompanha a escala das operações.
Quando uma campanha reúne centenas de creators, não basta revisar cada publicação individualmente. É preciso selecionar os perfis mais adequados, analisar históricos de publicação, acompanhar entregas, validar aderência às diretrizes da marca e monitorar continuamente um ambiente que muda todos os dias. O desafio deixa de ser editorial. Passa a ser operacional.
O próprio relatório do IAB aponta esse movimento. Embora os investimentos em creator advertising continuem crescendo rapidamente, as principais barreiras para acelerar sua adoção já não estão relacionadas ao potencial do canal, mas à capacidade de encontrar os creators certos, criar padrões operacionais e estabelecer mecanismos confiáveis de mensuração e governança.
Esse talvez seja o maior sinal de maturidade da Creator Economy. A discussão deixou de ser se creators funcionam. Hoje, a pergunta é como transformar a atenção que eles conquistam em uma operação previsível, segura e escalável.
Essa necessidade se torna ainda mais evidente com a evolução das próprias estratégias de marketing.
Modelos como o Organic to Paid fazem com que conteúdos originalmente produzidos para canais orgânicos se transformem em ativos de mídia paga, ampliando significativamente seu alcance. Quanto maior a distribuição de um conteúdo, maior também a responsabilidade sobre toda a operação que existe por trás dele.
Por isso, Brand Safety deixou de ser uma preocupação isolada dos times de comunicação para se tornar parte da infraestrutura necessária para operar Creator Advertising em escala.
É uma transformação semelhante à que vimos acontecer em outros canais digitais. Hoje, ninguém espera que uma plataforma de mídia ofereça apenas inventário. Espera segmentação, mensuração, prevenção contra fraude, transparência e governança. Com creators, o movimento segue exatamente na mesma direção.
No Creator Ads, essa visão sempre orientou o desenvolvimento da nossa tecnologia. Acreditamos que criatividade e controle não competem entre si. Pelo contrário. Quanto maior a ambição criativa de uma campanha, mais robusta precisa ser a infraestrutura capaz de sustentá-la.
Por isso desenvolvemos tecnologias como a Guardian, que utiliza inteligência artificial para analisar automaticamente imagens, vídeos, áudio e legendas antes da publicação, verificando sua aderência às diretrizes da marca. O objetivo não é substituir a liberdade criativa dos creators, mas permitir que ela aconteça em escala sem depender de revisões manuais que rapidamente se tornam inviáveis.
A mesma lógica orienta nossa tecnologia de seleção de creators, que analisa milhares de pontos de dados antes mesmo do início de uma campanha. Em vez de decisões baseadas apenas em alcance ou afinidade percebida, a escolha passa a considerar histórico, contexto e critérios padronizados de Brand Safety.
A tecnologia assume a complexidade operacional para que marcas e creators possam dedicar seu tempo ao que realmente gera resultado: criatividade, repertório cultural e conexões autênticas com as pessoas.
No fim, essa talvez seja a maior transformação pela qual o marketing está passando. A vantagem competitiva das marcas já não depende apenas de quem compra mais mídia, mas de quem consegue conquistar atenção de forma consistente. E, cada vez mais, isso depende da capacidade de operar a Creator Economy com a mesma sofisticação, previsibilidade e escala que esperamos de qualquer outro canal estratégico.