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Ameaça ao ecossistema do Tocantins e cidades sem água no Natal após acidente

Queda de ponte no domingo (22) despejou toneladas de ácido sulfúrico e agrotóxicos no Rio Tocantins. Autoridades e órgãos ambientais suspendem sistemas de água por contaminação

Queda de ponte: população de 19 cidades passa véspera de Natal sem poder consumir água do rio Tocantins após acidente com ácido sulfúrico e agrotóxicos (Felipe Brasil/Ministério dos Transportes/Divulgação)

Queda de ponte: população de 19 cidades passa véspera de Natal sem poder consumir água do rio Tocantins após acidente com ácido sulfúrico e agrotóxicos (Felipe Brasil/Ministério dos Transportes/Divulgação)

Lia Rizzo
Lia Rizzo

Editora ESG

Publicado em 24 de dezembro de 2024 às 10h57.

Última atualização em 26 de dezembro de 2024 às 09h35.

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O Rio Tocantins enfrenta risco de grave dano ambiental, depois do colapso da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, ocorrido no domingo (22), que provocou a queda de pelo menos 10 veículos nas águas, incluindo cargas com substâncias perigosas que ameaçam a saúde pública e o meio ambiente. Até o momento, 16 pessoas estão desaparecidas, uma morreu e outra permanece hospitalizada.

De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA/MA), três caminhões transportando produtos químicos caíram nas águas: dois com ácido sulfúrico e um com defensivos agrícolas. No total, o acidente envolveu quatro caminhões, três veículos de passeio e três motocicletas.

Sem água na véspera do Natal

No fim da tarde de ontem, autoridades do Tocantins e Maranhão emitiram um alerta conjunto para que a população evite qualquer contato com as águas do rio na região do acidente. Segundo as secretarias de estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e da Defesa Civil Estadual do Tocantins, a recomendação se deve ao "alto risco à saúde pública e ao meio ambiente devido à possível queda de cargas com produtos químicos".

O incidente afetou ao menos 19 municípios, 10 em Tocantins (Aguiarnópolis, Maurilândia do Tocantins, Tocantinópolis, São Miguel do Tocantins, Praia Norte, Carrasco Bonito, Sampaio, Itaguatins, São Sebastião do Tocantins e Esperantina) e 9 no Maranhão (Estreito, Porto Franco, Campestre, Ribamar Fiquene, Governador Edison Lobão, Imperatriz, Cidelândia, Vila Nova dos Martírios e São Pedro da Água Branca). A população ribeirinha foi a mais impactada. 

Análises preliminares confirmaram a presença de substâncias químicas perigosas na água e levaram a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) a suspender de imediato os sistemas de captação, tratamento e produção de água em Imperatriz, cidade localizada a mais de 120 km de Estreito. Para minimizar os impactos, a empresa enviará caminhões-pipa para abastecer locais públicos, como unidades de saúde e delegacias.

O governo do Tocantins informou que "equipes técnicas dos dois estados, em parceria com outros órgãos competentes, estão mobilizadas para monitorar a situação. Os trabalhos incluem a avaliação da qualidade da água e possíveis impactos ambientais, planejamento e execução de ações para conter a contaminação do rio e operações para a remoção dos veículos submersos".

Impactos ambientais evidentes, mas imensuráveis

Agentes do Ibama e do ICMBio seguem na região para avaliar as consequências sobre flora e fauna locais, incluindo a potencial contaminação de peixes. A SEMA e o Governo do Maranhão informam que "seguem dando todo o suporte necessário ao Governo Federal, uma vez que o Rio Tocantins é de gestão federal". O monitoramento é realizado em conjunto com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e já se sabe que 76 toneladas de ácido sulfúrico foram despejadas no Rio Tocantins.

Os primeiros efeitos do desastre ambiental são bastante evidentes: a suspensão do sistema de captação em diversos municípios inviabiliza desde o consumo humano até atividades como pesca e recreação na região. Além do alcance geográfico substancial do desastre, seu impacto temporal ainda não pode ser determinado pelas autoridades ambientais.

A gravidade da situação é amplificada pelo volume expressivo dos produtos derramados e pela atual impossibilidade de contenção subaquática, visto que os riscos impedem o trabalho dos mergulhadores. Adicionalmente, a submersão total dos veículos dificulta também a mensuração da extensão do vazamento.

Acompanhe tudo sobre:TocantinsMaranhãoAmbientalistasContaminação por materiais

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