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O foco de 2026 será na COP31 na Turquia, presidida pela Austrália (Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 18h15.
Última atualização em 21 de janeiro de 2026 às 18h42.
Eventos extremos, tensões geopolíticas, eleições no Brasil e continuação do legado da COP30: 2026 promete ser um ano decisivo para o futuro da agenda climática global.
Em Davos, o Fórum Econômico Mundial é um termômetro dos desafios que estão por vir. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que o tema da crise climática deve ficar fora das reuniões bilaterais e dos compromissos oficiais dos quais o país participará.
Para analistas, é um sinal negativo de recuo da pauta ambiental no centro do poder econômico global, justamente em um momento em que o risco climático está em evidência e a pressão por ação aumenta.
É nesse contexto de retração internacional que o Brasil terá que provar sua liderança verde. A grande conferência climática em Belém deixou avanços significativos, especialmente fora das mesas de negociação, e o Brasil prometeu uma agenda de ação ambiciosa paralela ao processo formal da ONU: construir os "mapas do caminho" ou os roteiros nacionais para o fim dos combustíveis fósseis e do desmatamento.
Para quem pensou que a pauta ia "esfriar" ou ser deixada em segundo plano, se esqueceu que a presidência brasileira da COP liderada pelo embaixador André Corrêa do Lago começou oficialmente em Belém e termina em novembro, na próxima COP31 da Turquia.
Ou seja, os trabalhos estão a todo vapor e só vão se intensificar nos próximos meses para acelerar a implementação do "Pacote de Belém", que engloba 29 decisões sobre temas como transição justa, financiamento da adaptação, tecnologia e gênero, e o "Mutirão Global" para ação climática, com progressos em adaptação e o compromisso de triplicar o financiamento até 2035.
"É a grande virada de chave. Saímos do mote da negociação e criamos uma agenda de ação. Embora seja voluntária, traz um impulso político muito importante", destacou em entrevista à EXAME Viviane Romeiro, diretora de Clima e Energia do CEBDS, reforçando o papel do setor privado.
Para Claudio Ângelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima, os roteiros aprovados na COP30 devem dominar as discussões rumo à COP31.
"O maior interesse será nos roadmaps. O quão envolvente será esse movimento e quão completos serão esses roteiros, especialmente o de fósseis", avaliou à EXAME.
Já Carol Rocha, diretora executiva da rede LACLIMA, reforça que "precisamos fazer com que eles não sejam apenas documentos, e sim um local de articulação política onde esse tema precisa ser endereçado de uma forma que englobe todos os países".
Mas se no cenário global o foco está nos roteiros climáticos, dentro do Brasil a atenção se volta para as eleições de outubro.
"A principal garantia de que vamos ter alguma proteção ao meio ambiente no Brasil em 2026 é não deixar a extrema direita voltar ao poder", destacou Ângelo.
O alerta vem após um fim de 2025 marcado por retrocessos no Congresso Nacional, com a queda dos vetos do licenciamento ambiental e a abertura para o chamado PL da devastação.
++Retrospectiva de 2025: Brasil liderou o clima e enfrentou suas contradições
Mas afinal, quais eventos vale ficar de olho em 2026? Entre encontros técnicos, conferências ministeriais e grandes cúpulas globais, o ano será intenso. Confira a seleção da LACLIMA:
CCXG Fórum Global
📍 Paris, França | 17-18 de março
Organizado pela OCDE e IEA, o fórum promove diálogo entre países sobre negociações climáticas e implementação do Acordo de Paris, com foco nos preparativos para o segundo GST e na decisão da COP30 sobre o Objetivo Global de Adaptação.
CMS COP 15 – Conferência sobre Espécies Migratórias
📍 Campo Grande (MS), Brasil | 23-29 de março
Realizada a cada três anos, reúne países-parte do tratado para avaliar avanços na proteção de espécies migratórias e definir prioridades para o próximo triênio.
Diálogo de Petersberg
📍 Berlim, Alemanha | Março ou abril (a definir)
Reunião ministerial informal que antecede a COP, reunindo países vulneráveis e grandes economias do G20 para fortalecer cooperação e preparar negociações.
Diálogo de Copenhague
📍 Copenhague, Dinamarca | Março ou abril (a definir)
Encontro ministerial informal que reúne países-chave para construir confiança política, alinhar posições e destravar impasses em temas como financiamento climático e transição justa.
Conferência Internacional sobre Transição Justa para longe dos Combustíveis Fósseis
📍 Santa Marta, Colômbia | 28-29 de abril
Evento inédito coorganizado pela Holanda, dedicado exclusivamente à eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, discutindo caminhos legais, econômicos e sociais para uma transição justa.
Reunião Ministerial da OCDE sobre Clima e Meio Ambiente
📍 Paris, França | Maio ou junho (a definir)
Espaço estratégico onde ministros orientam o trabalho da OCDE em temas ambientais e climáticos, promovendo cooperação internacional. Acontece a cada quatro anos.
SB64 – Conferência de Bonn
📍 Bonn, Alemanha | 8-18 de junho
Principal conferência técnica fora da COP, onde são construídos os textos-base para as negociações, definidas posições técnicas e mapeados impasses políticos. "A COP começa tecnicamente em Bonn."
Climate Weeks Oficiais da UNFCCC
📍 Ásia-Pacífico (1º semestre) e Europa Oriental (2º semestre)
Lideradas pelo secretariado da UNFCCC, conectam o processo intergovernamental às necessidades reais de implementação, reunindo governos e atores não estatais.
UNCCD COP17 – Convenção de Combate à Desertificação
📍 Ulaanbaatar, Mongólia | 17-28 de agosto
Aborda desertificação, degradação dos solos e seca, impulsionando soluções para restauração de terras e fortalecimento da resiliência em regiões áridas.
CBD COP17 – Convenção sobre Diversidade Biológica
📍 Yerevan, Armênia | 19-30 de outubro
Principal conferência global sobre biodiversidade, definindo metas para proteger e restaurar a biodiversidade em conformidade com o Quadro Global de Kunming-Montreal.
Pré-COP31
📍 Ilha do Pacífico (a definir) | Outubro (a definir)
Reunião ministerial fechada onde se destravam impasses políticos e negociam-se compromissos de última hora. "A COP começa politicamente na Pré-COP."
COP31 – Conferência do Clima da UNFCCC
📍 Antalya, Turquia | 9-20 de novembro
O grande palco das negociações climáticas globais, com presidência compartilhada inédita: Turquia como anfitriã e Austrália liderando as negociações. Espera-se avanços em adaptação, transição justa e implementação de metas climáticas.