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Paula Borges, presidente do Instituto Maratona Cultural e o irmão Heitor Lins, sócio e produtor do evento (Toia Oliveira/Divulgação)
Editor da Região Sul
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 15h27.
Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 16h15.
O que começou como um trabalho de conclusão de curso em Artes Cênicas, em 2006, transformou-se em um dos mais consistentes cases de economia criativa do país. Idealizada pelos irmãos Paula Borges e Heitor Lins, a Maratona Cultural de Florianópolis já movimentou cerca de R$ 70 milhões na economia local ao longo de 11 edições e se consolidou como o maior evento multicultural do Sul do Brasil.
Esse desempenho dialoga diretamente com o posicionamento da cidade no cenário nacional. Além disso, a capital foi eleita, pela quinta vez, pelo Prêmio Caio 2025, a melhor cidade do Brasil para eventos de grande porte — reconhecimento concedido pela principal premiação da indústria de eventos e do turismo de negócios do país, criada em 1999, e conhecida como o “Oscar dos Eventos”. O resultado reforça a capacidade logística, a qualidade da infraestrutura urbana e o nível de governança da cidade.
Esse protagonismo é sustentado por indicadores objetivos: em 2024, 10,7% dos trabalhadores da capital atuavam no setor cultural, a maior proporção entre as capitais brasileiras, e a cidade lidera o Índice de Desenvolvimento Potencial da Economia Criativa (IDPEC), elaborado pela ESPM. No recorte estadual, Santa Catarina ocupa o 4º lugar no ranking nacional do PIB da Economia Criativa, consolidando um ambiente favorável à atração de eventos e projetos culturais de grande escala.
A primeira edição do evento só saiu do papel em 2011, após cinco anos de tentativas, aprendizado e persistência. Inspirados por grandes eventos urbanos como a Virada Cultural de São Paulo e a Nuit Blanche, de Paris, os idealizadores viajaram, observaram modelos, adaptaram conceitos e insistiram em viabilizar uma iniciativa inédita em Florianópolis.
“Durante anos, batíamos na porta das pessoas tentando vender uma ideia que nunca tinha sido realizada na cidade. Não havia patrocinador, nem espaço, nem garantias. Era sempre tentar de novo no ano seguinte”, relembra Paula Borges, hoje presidente do Instituto Maratona Cultural.
Praça XV de Novembro, em frente à Catedral, será novamente um dos espaços para shows na programação de 2026 (Toia Oliveira/Divulgação)
A aposta se confirmou logo na estreia. A edição inaugural reuniu cerca de 30 mil pessoas em três dias e gerou um retorno econômico estimado em R$ 1 milhão, dissipando a principal dúvida dos idealizadores: havia público para um evento dessa magnitude na capital catarinense.
Desde então, a Maratona entrou em uma trajetória consistente de crescimento. Adotou um modelo descentralizado, passou a ocupar bairros e espaços públicos diversos, ampliou linguagens artísticas e consolidou uma gestão profissional baseada em planejamento, parcerias público-privadas, captação via leis de incentivo e mensuração de resultados.
Ao longo de 11 edições, o festival já impactou mais de 1 milhão de pessoas, reuniu cerca de 15 mil artistas e promoveu mais de 3 mil atrações culturais. Apenas em 2025, foram mais de 400 ações culturais, distribuídas por 20 bairros e mais de 100 endereços, com público estimado em 200 mil pessoas e impacto econômico de R$ 26 milhões, além do envolvimento de mais de 1.000 profissionais na operação.
“A Maratona Cultural mostra que a cultura pode operar como política de desenvolvimento. Ela ativa territórios, gera empregos, movimenta cadeias como turismo, gastronomia e serviços, e fortalece a identidade urbana”, resume Paula.
A próxima edição da Maratona Cultural já tem data marcada: de 20 a 23 de março de 2026. O evento entra em um novo ciclo de expansão, foi contemplado em edital da Petrobras, contará com patrocínio do Mercado Livre e terá quatro dias de programação, com mais de 40 shows gratuitos já previstos, além de atrações como Adriana Calcanhoto (Partimpim), Joelma e Marisa Monte. Assim como nas edições anteriores, toda a programação será 100% gratuita, mantendo o compromisso com acesso amplo, ocupação do espaço público e democratização da cultura.
O avanço da Maratona Cultural acompanha um movimento global. Segundo a UNESCO, o setor cultural responde por 3,39% do PIB mundial e por 3,55% dos empregos globais, com 93% dos países já incorporando a cultura como eixo estratégico de desenvolvimento.
No Brasil, dados do IBGE indicam que a economia criativa emprega 5,9 milhões de pessoas e representa 3,11% do PIB, o equivalente a mais de R$ 270 bilhões por ano. O setor de eventos, em especial, cresceu 77% na geração de empregos em 2025, segundo a ABRAPE.
A trajetória da Maratona Cultural sintetiza um modelo cada vez mais valorizado no Brasil: o da cultura como investimento estruturante, capaz de gerar crescimento econômico, ativar territórios e transformar eventos em plataformas permanentes de desenvolvimento urbano.