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Companhia busca "aterro zero" com estratégias de recompensas ao cliente, treinamento ao funcionário e doações de alimentos para parceiros (Assaí/Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 16h15.
Última atualização em 21 de janeiro de 2026 às 16h19.
O Assaí, uma das principais varejistas de alimentos no país, vai reduzir drasticamente o descarte de itens em aterros sanitários. Até 2035, a companhia destinará menos de 10% dos resíduos produzidos em suas 312 lojas e 12 centros de distribuição para o lixo.
O processo não é da noite para o dia. A estratégia exige adaptações no processo de circularidade dos materiais de acordo com a oferta de serviços em cada região, envolvendo toda uma cadeia de parceiros nos 24 estados em que o Assaí está presente.
Fábio Lavezo, gerente de sustentabilidade e investimento social do Assaí, conversou com a EXAME e deu mais detalhes sobre a estratégia de reaproveitamento de resíduos da companhia, que atualmente já consegue destinar 45% do que é gerado com assertividade. "A meta é chegar aos 90% de reciclagem e reaproveitamento, excluindo apenas materiais que não possam ser reciclados, como resíduos sanitários", explica.
De acordo com o gerente, a companhia trabalha para adaptar as diferenças regionais ao alcance da meta. Por exemplo, em São Paulo, a companhia instalou em uma loja um biodigestor, uma máquina com microorganismos que decompõem a matéria orgânica transformando os resíduos em uma espécie de "efluente".
"Assim, conseguimos fazer o tratamento de forma mais simplificada. Isso envolve muita tecnologia na cadeia de fornecedores, já que precisamos de parceiros para adequar nossa operação", explica.
Em regiões em que essa tecnologia não estava disponível com a mesma facilidade de oferta, a inovação precisou ser feita de outra forma. Em lojas no Nordeste, a companhia instaurou a triagem manual dos resíduos. "No nosso negócio, temos alimentos embalados em vidros, como embalagens de palmito e azeitona, assim como em plásticos perfuráveis, como um molho de tomate. A separação manual ajuda a proteger esses itens", explica Lavezo.
A compostagem de resíduos orgânicos que não podem ser aproveitados também é uma das práticas da varejista. Só nos primeiros oito meses de 2025, quase 6.300 toneladas de resíduos foram destinados para a compostagem, reduzindo a presença desses itens nos aterros sanitários, número que dobrou desde 2024.
O trabalho ainda passa por incentivar a reciclagem e reinserção de materiais na cadeia produtiva entre funcionários, clientes e fornecedores. A varejista conta com mais de 600 pontos de entrega voluntária de materiais como papelão, plástico, vidro, metal, óleo vegetal, pilhas e lâmpadas.
Para garantir o sucesso dessas práticas, a varejista instituiu um sistema de recompensas para os clientes que retornam materiais após o uso.
Agora, alguns pontos de entrega do Assaí oferecem prêmios como recargas de celular, saldo nos bilhetes de transporte, crédito em plataformas de delivery e até descontos no pagamento da energia elétrica.
Muito do alcance das metas depende do envolvimento de fornecedores, que, segundo Lavezo, passam por treinamentos constantes com foco em governança e transição sustentável.
Assaí instaurou sistema de recompensa para o cliente que retorna itens para a reciclagem em suas lojas, como créditos no celular e no cartão de transporte (Assaí/Divulgação)
Evitar que alimentos se tornem lixo também entra no escopo da agenda ESG do Assaí. A empresa criou em 2012 o programa Destino Certo, que combate o desperdício de alimentos em bom estado de conservação, mas fora do padrão estético em cor, tamanho ou formato.
O projeto conecta suas lojas com alimentos que não podem mais ser comercializados e mais de 100 organizações sociais que atuem no combate à fome.
Só em 2024, foram doadas mais de 2 mil toneladas de frutas, legumes e verduras, evitando o descarte em aterros e a emissão de mais de 1,3 mil toneladas de CO2 equivalente.
"Tudo passa por uma tripla análise: ainda nas lojas, para garantir que pode ser aproveitado; antes do transporte para a organização social, e claro, por quem prepara aquele alimento. Assim garantimos toda a segurança", explica o gerente.
Hoje, mais de 301 lojas já participam do programa. Contando com outros programas locais de distribuição de alimentos, o Assaí fechou 2025 com mais de 6 milhões de refeições doadas e distribuídas.
De acordo com Lavezo, o tema de aterro zero se conecta com o plano de sustentabilidade da companhia, que começou a ser implementado em 2016.
"Logo de início, atrelamos as metas de ESG com a remuneração variável da liderança", explica. Até 2030, o Assaí vai reduzir em 42% as emissões com base no ano de 2021.
Essa redução inclui adaptar sistemas de refrigeração. Todas as novas lojas inauguradas entre 2023 e 2025 já contam com sistemas de refrigeração de baixa taxa de emissão de carbono. No escopo 2, a companhia informa que 99% das lojas já operam no mercado livre de energia.