Repórter
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 09h29.
Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 09h48.
Transformar desperdício em faturamento é um dos principais desafios — e oportunidades — do varejo alimentar. Em 2025, as ações realizadas por meio da Food To Save geraram R$ 31 milhões em receita incremental para empresas parceiras, valor obtido com a venda de produtos que, sem a plataforma, seriam provavelmente descartados.
O dado faz parte da segunda edição do Relatório de Impacto da foodtech, que mapeia os resultados financeiros e ambientais gerados pela operação no Brasil.
O levantamento destaca 10 parceiros que, juntos, ajudaram a resgatar mais de 1.000 toneladas de alimentos. Franquias de chocolates, mercados e até delivery de bebidas aparecem na lista.
A proposta da Food to Save é que itens danificados ou prestes a vencer sejam vendidos a um preço menor pelo aplicativo, entregues numa 'sacola surpresa'.
O consumidor não recebe detalhes sobre quais produtos vêm, mas sabe se a comida será de padaria ou sushi, por exemplo. Os preços variam conforme os itens, região e, caso disponível, taxa de entrega, mas, visitando o aplicativo, é comum ver sacolas entre R$ 20 e R$ 55.
“Nosso trabalho é transformar esse cenário em oportunidades de consumo consciente, mas também resultados financeiros para empresas e consumidores”, afirma Lucas Infante, CEO da Food To Save.
Somente pela Food to Save, as empresas abaixo transformaram matéria-prima que seria descartada em lucro.
A Cacau Show é a rede varejista com maior número de lojas no Brasil, com 4.661 unidades em operação. Ela supera gigantes como Carrefour, Grupo Boticário e Raia Drogasil.
Atravessando um processo de melhoria operacional, o Grupo Pão de Açúcar conseguiu vender o equivalente a 466 mil pratos de comida pelo Food to Save.
Quinto maior supermercado de Minas Gerais, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Foram R$ 4,9 bilhões de reais de faturamento em 2024.
O Grupo CRM é dono da Kopenhagen, da Chocolates Brasil Cacau e da Kop Koffee. Uma dos maiores franqueadores de chocolates no Brasil, tem receita anual acima dos R$ 2 bilhões e a Nestlé como sócia.
Em outubro de 2025, o Grupo St Marche teve o plano de recuperação extrajudicial homologado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, encerrando o processo iniciado em abril.
A rede de supermercados, que enfrentava uma dívida de R$ 528 milhões, recebeu dois aportes financeiros durante o processo, totalizando R$ 90 milhões, para ajudar na reestruturação das suas finanças e evitar a falência.
A rede de padarias paulista Fiorella existe desde 1979. Tem uma unidade na Chácara Klabin e outra na Santa Cruz, também com itens de confeitaria.
Terceiro maior supermercado de Santa Catarina, a rede Angeloni faturou R$ 3,8 bilhões de reais em 2024, segundo a Abras.
A rede de padarias está presente em diversos bairros do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de Fortaleza, Curitiba e Florianópolis.
O Grupo Hortifruti Natural da Terra (HNT) tem mais de 63 lojas distribuídas pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais. No início de 2025, a Americanas estava em busca de compradores para o grupo. "Não temos pressa. A obrigação é conduzir um processo de venda até 2026, não vender de qualquer jeito", disse Leonardo Coelho, CEO da Americanas em podcast da EXAME.
Da Ambev, o aplicativo de entrega de bebidas está presente em 850 cidades pelo Brasil.
Sacola da Food to Save: aplicativo oferece itens surpresa de restaurantes, lojas e mercados (Divulgação/Divulgação)
A história da empresa começa com o fundador Lucas Infante, que viu uma oportunidade de negócio enquanto viajava para a Espanha. Lá, ele se deparou com uma prática simples, mas impactante: supermercados e mercados vendendo alimentos próximos da data de validade em sacolas surpresa.
"Quando vi isso pela primeira vez, percebi que o Brasil poderia se beneficiar muito dessa ideia", diz Infante. Ao voltar para o Brasil, ele fundou a startup com a missão de mudar como as pessoas lidam com o desperdício alimentar.
Em 2021, quando abriu as portas, a Food to Save vendeu 35 mil sacolas. Depois, praticamente dobrou ano a ano:
Isso representa um crescimento de 5.233,33% em quatro anos.
No início, a Food to Save era conhecida pelas sacolas surpresa de padarias e lojas de donuts. Hoje, tem parcerias com marcas de todo tipo de segmento, como vinhos, pizza e hortifrúti.
Em 2024, a Food to Save comprou a Fruta Imperfeita. Semelhante ao Food to Save, a startup pega frutas boas, mas com estética desfavorável, e vende a um preço menor.
A Food To Save usa um aplicativo onde o consumidor escolhe o tipo de sacola que deseja — salgada, doce ou mista — e paga um preço muito mais baixo do que pagaria pelos mesmos itens no mercado.
O que vem dentro da sacola é uma surpresa: alimentos que não foram vendidos ou estão prestes a vencer, mas ainda em bom estado. O modelo permite uma economia significativa para o consumidor e ajuda a reduzir o desperdício de alimentos em grande escala.