A escolha do Rio Grande do Norte considera o potencial energético do estado, além da estratégia de descentralizar a infraestrutura científica e tecnológica de alta capacidade no País (Reprodução)
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Publicado em 25 de agosto de 2026 às 20h29.
O governo federal escolheu o Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba (RN), para receber o novo supercomputador de inteligência artificial com investimento superior a R$ 1 bilhão via Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Com capacidade de 7.200 petaflops (o equivalente a 7,2 quintilhões de operações por segundo), o equipamento integrará o ranking dos 10 mais potentes do mundo na área e a previsão é que entre em operação no fim de 2027.
"A instalação de uma infraestrutura desse porte pode representar uma mudança de escala para a ciência e a tecnologia no Rio Grande do Norte e no Nordeste. Pesquisadores e empresas da região passarão a estar próximos de uma das maiores infraestruturas computacionais do País, capaz de viabilizar pesquisas em inteligência artificial, saúde, energia, clima, petróleo e gás, entre muitas outras áreas que hoje dependem de recursos computacionais escassos ou localizados longe da região", destaca Samuel Xavier, docente do Departamento de Engenharia da Computação e Automação da UFRN (DCA/UFRN) e coordenador do Núcleo de Processamento de Alto Desempenho (NPAD), que abriga o supercomputador da UFRN.
Impacto
A execução ficará sob a responsabilidade do Laboratório Nacional de Computação Científica e será utilizada por empresas, universidades, instituições de pesquisa e órgãos públicos para o treinamento de modelos de IA, desenvolvimento de aplicações e realização de pesquisas.
"O impacto não se limita à pesquisa. Um supercomputador desse porte demanda profissionais altamente qualificados, desenvolvimento de software, operação de infraestrutura, redes, armazenamento, segurança e uma série de serviços especializados”, explica o professor.
Segundo ele, isso cria condições para formar mão de obra, atrair empresas e novos projetos de P&D (pesquisa e desenvolvimento) e fortalecer um ecossistema tecnológico em torno da infraestrutura. “O próprio edital não trata a aquisição apenas como compra de equipamentos: exige a transferência de tecnologia, a formação de profissionais brasileiros, o desenvolvimento conjunto de software e parcerias com instituições de pesquisa", acrescenta.
Potencial da região
A escolha do Rio Grande do Norte considera o potencial energético do estado, especialmente a geração de energia eólica, além da estratégia de descentralizar a infraestrutura científica e tecnológica de alta capacidade no País.
"No Nordeste, ainda há um importante efeito de descentralização. Historicamente, a maior parte da infraestrutura científica de grande porte do País está concentrada no Sul e no Sudeste. Ter uma máquina dessa dimensão no Rio Grande do Norte aumenta a capacidade da região de participar, como protagonista, de grandes projetos nacionais e internacionais e pode funcionar como âncora para novos investimentos em infraestrutura digital", avalia Xavier.
O especialista também ressalta a importância da infraestrutura País: “Com uma infraestrutura dessa dimensão instalada no Brasil, uma parte importante desse processamento poderá ser realizada no País, sob governança brasileira. Isso significa não apenas reduzir a necessidade de comprar horas de processamento no exterior, mas também manter dados estratégicos, modelos e conhecimento técnico sob maior controle nacional. O edital de aquisição da máquina estabelece explicitamente como objetivos a formação de capacidade brasileira para operar, manter, administrar e evoluir a infraestrutura, bem como a redução de dependências tecnológicas estruturais em relação à infraestrutura estrangeira.”
A iniciativa integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028 para ampliar a infraestrutura tecnológica, formar profissionais e estimular pesquisa, inovação e aplicações de IA.
"No curto prazo, continuaremos a usar processadores e aceleradores desenvolvidos por empresas internacionais. A diferença é que podemos começar a dominar cada vez mais o software, a operação e o conhecimento que estão sobre esse hardware. É esse processo que pode transformar a compra de um supercomputador em uma construção efetiva de autonomia tecnológica brasileira", conclui Samuel Xavier.