Apesar de taxa de mortalidade elevada, doença tem tratamento e pode ser evitada (Badru Katumba/AFP)
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Publicado em 27 de maio de 2026 às 19h42.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou neste mês que a contaminação pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola se tornou uma emergência de saúde pública internacional. A variante afeta diretamente a República Democrática do Congo e, recentemente, casos foram diagnosticados em Uganda.
Segundo dados da OMS, mais de 100 pessoas já morreram e outras 900 estão isoladas com suspeita de infecção.
O vírus, segundo o Ministério da Saúde, é uma zoonose oriunda do morcego. Entre as cinco variantes conhecidas, quatro são provenientes do mamífero. Acredita-se que a infecção dos humanos se deu pelo contato com o fluido sanguíneo de animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinhos.
O Ebola teve seu primeiro caso diagnosticado em 1976 a partir de surtos ocorridos ao sul do Sudão e ao norte da República Democrática do Congo, nas proximidades do rio Ebola, origem do nome social do vírus.
No entanto, mesmo que a doença seja conhecida há bastante tempo, não foi desenvolvida, até os dias de hoje, uma vacina eficiente contra todas as variantes do vírus. Segundo a Presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Dra. Betânia Drumond, no caso dos ebolavirus, há ainda uma dificuldade extra. Eles são vírus perigosos e não podem ser estudados em qualquer laboratório. Muitas pesquisas precisam ser feitas em laboratórios com alto nível de biossegurança, com infraestrutura especializada, equipes treinadas e custos elevados.
“Desenvolver uma vacina é um processo caro, muito rigoroso que demanda muitas pesquisas e investimentos. É preciso fazer muitos estudos para entender o vírus, testar se a vacina é segura, avaliar se ela realmente protege e produzir tudo com qualidade”, explicou.
Infecção
A infecção pelo vírus ebola não acontece pelo ar, mas sim pelo contato com fluido corporal do infectado. Isso pode ser pelo sangue, saliva, suor, urina, sêmen e até mesmo pelas fezes.
“O vírus Bundibugyo não é transmitido pelo ar como o vírus da gripe ou da COVID-19. Depois que o vírus entra no organismo, ele precisa se ligar às células e entrar nelas para se multiplicar, ou seja, produzir mais vírus. É por isso que ele pode causar doença, porque ele interfere no funcionamento normal das nossas células”, explicou a virologista.
Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, fraqueza, diarréia, vômitos e, principalmente, sangramentos nas extremidades do corpo. Ainda segundo o Ministério da Saúde, o período de incubação da doença pode variar de 2 a 21 dias e ela se torna transmissível somente após a apresentação dos sintomas.
Apesar da mortalidade próxima aos 50%, a doença possui medicamentos específicos previstos para o tratamento. No entanto, nenhum deles foi comprovado para a variante Bundibugyo. Apesar disso, há outras formas de cuidado.
“O tratamento inclui suporte intensivo, como hidratação, controle da pressão arterial, oxigênio quando necessário, controle de vômitos e diarreia, tratamento de infecções associadas, acompanhamento da função dos órgãos e isolamento seguro do paciente para evitar transmissão para outras pessoas”, concluiu Betânia.