Tabuleiro de xadrez caseiro joga sozinho e move peças com ímãs e IA (iStock/Getty Images)
Redatora
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 08h19.
Um tabuleiro de xadrez com inteligência artificial capaz de reconhecer jogadas humanas e mover suas próprias peças foi desenvolvido pelo YouTuber Joshua Stanley Robotics. O projeto foi apresentado em vídeo pelo criador e publicado em uma reportagem da Popular Science.
A proposta automatiza uma etapa que ainda limita o xadrez fora das telas. Programas e aplicativos atuais conseguem derrotar jogadores experientes, mas dependem de alguém para mover as peças em um tabuleiro físico. No protótipo caseiro, o sistema faz essa função sozinho.
A plataforma identifica o movimento do jogador, calcula a resposta e executa a jogada automaticamente. A decisão é feita pelo Stockfish, um motor de xadrez de código aberto usado em todo o mundo. Segundo o criador, o nível de dificuldade pode ser ajustado em tempo real.
Para montar o sistema, Stanley imprimiu as peças em 3D e colocou um ímã na base de cada uma. O tabuleiro foi construído com uma placa de circuito impresso (PCB) equipada com sensores magnéticos, capazes de detectar quando os pinos mudam de casa.
A movimentação automática acontece por baixo. Um mecanismo motorizado guia um eletroímã móvel pela parte inferior do tabuleiro. Quando ativado, o eletroímã atrai o ímã dentro da peça e a arrasta até a casa de destino. Ao fim do movimento, o campo magnético é desligado.
Para ajudar o sistema a diferenciar os dois lados, o criador também usou polaridades diferentes para as peças brancas e pretas. Isso permite identificar quais figuras pertencem a cada jogador.
Mesmo usando o Stockfish, ainda era necessário traduzir os dados do tabuleiro para um formato que o motor pudesse interpretar. Para isso, Stanley escreveu um script em Python que atua como intermediário.
O programa converte as informações dos sensores em dados digitais. Depois, transforma a jogada escolhida pelo Stockfish em comandos para o mecanismo que move o eletroímã e arrasta as peças.
No vídeo, o criador afirma que decidiu construir o projeto como um desafio técnico. Ele também destaca que queria um sistema capaz de derrotá-lo, já que não se considera um jogador experiente.
Apesar de funcional, o tabuleiro ainda tem limitações. Como as peças são arrastadas sobre a superfície, alguns movimentos podem ser difíceis de executar com precisão.
O principal exemplo é o salto do cavalo. Como a peça precisa ultrapassar outros pinos no caminho, ela pode esbarrar e derrubar figuras próximas. Em alguns casos, o jogador precisa reposicionar manualmente o tabuleiro.
Outra limitação é que o sistema não remove peças capturadas automaticamente. A retirada ainda precisa ser feita pelo jogador humano.
O projeto de Stanley não é o primeiro tabuleiro autônomo baseado em magnetismo. Já existem modelos comerciais com soluções semelhantes.
Um exemplo citado é o Miko-Chess Grand, anunciado como um tabuleiro em tamanho oficial de torneio, feito de madeira maciça e com sistema magnético. O preço mencionado pela Popular Science é de cerca de US$ 497.
Outro modelo é o Phantom, que também usa magnetismo para mover peças, mas pode ser integrado a um aplicativo online. Isso permite jogar contra pessoas em plataformas como Chess.com, com as jogadas digitais sendo reproduzidas no tabuleiro físico em tempo quase real.
O tabuleiro caseiro de Stanley é descrito como mais simples e menos refinado. Ainda assim, o projeto mostra como sensores magnéticos, motores, Python e IA podem ser integrados em um tabuleiro de xadrez físico.