Ciência

Virgin Galactic adia volta dos voos espaciais e avisa que passagens vão ficar mais caras

Sem voar desde 2024, empresa adia estreia da nova nave Delta para o próximo ano e prepara lote de assentos com valores acima de US$ 750 mil

Virgin Galactic: nova espaçonave Delta teve a estreia adiada após atrasos na instalação de sistemas (Virgin Galactic/Divulgação)

Virgin Galactic: nova espaçonave Delta teve a estreia adiada após atrasos na instalação de sistemas (Virgin Galactic/Divulgação)

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 14h00.

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A Virgin Galactic adiou novamente o retorno de seus voos espaciais comerciais. A empresa, que não realiza missões tripuladas desde junho de 2024, informou que sua próxima viagem ao espaço ocorrerá apenas em fevereiro de 2027, e não mais no fim de 2026, como estava previsto.

O anúncio foi feito pelo CEO da companhia, Michael Colglazier, durante a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, e publicadas no portal Space.com.

Segundo ele, o cronograma foi alterado para permitir a conclusão da instalação dos sistemas aviônicos e de outros componentes da primeira espaçonave da nova classe Delta. "Não há um único problema responsável pelo atraso. Observamos um aumento moderado na duração de centenas de tarefas de instalação relativamente pequenas, mas importantes, envolvidas na primeira construção de nossa nova espaçonave", afirmou o executivo.

Nova espaçonave promete voos mais frequentes

A retomada das operações marcará a estreia da classe Delta, desenvolvida para aumentar significativamente a frequência dos voos comerciais.

Diferentemente da aposentada VSS Unity, que realizou sete voos comerciais entre 2023 e 2024, os novos veículos foram projetados para operar até duas vezes por semana.

A Virgin Galactic está construindo duas espaçonaves Delta. Ambas serão tripuladas, terão capacidade para seis passageiros e serão lançadas a partir de uma aeronave-mãe, que as levará até cerca de 15 quilômetros de altitude antes da ignição do motor-foguete rumo ao espaço suborbital.

As viagens deverão durar entre 60 e 90 minutos, com pouso na mesma pista de decolagem, no Spaceport America, no estado do Novo México, nos Estados Unidos.

Segundo a empresa, a segunda espaçonave Delta deve chegar ao centro de operações em março de 2027.

Passagens ficarão mais caras

A companhia também informou que o último lote de reservas foi totalmente vendido, mesmo com o preço de US$ 750 mil por assento.

Agora, a Virgin Galactic pretende lançar um novo lote de passagens ainda neste segundo semestre com valores superiores. A empresa não informou o novo preço.

"Descontinuamos a faixa de preço de US$ 750.000 e planejamos lançar uma nova leva de expedições espaciais neste outono com preços mais altos", destacou Colglazier.

Nos últimos anos, o custo para participar de uma viagem espacial aumentou gradualmente: passou de US$ 450 mil para US$ 600 mil e, posteriormente, para US$ 750 mil por passageiro.

Empresa aposta em expansão a partir de 2027

Apesar do novo adiamento, a Virgin Galactic mantém uma projeção otimista para o próximo ano. Segundo o diretor financeiro da empresa, Doug Ahrens, com as duas espaçonaves Delta em operação, a expectativa é alcançar 10 ou mais voos espaciais por mês até o fim do segundo trimestre de 2027.

A companhia estima que cada nova espaçonave custará cerca de US$ 60 milhões para ser produzida e poderá realizar aproximadamente 500 voos ao longo de sua vida útil.

Com capacidade para seis passageiros por missão e margem de contribuição superior a 80% por voo, a empresa calcula que cada veículo poderá gerar mais de US$ 1,4 bilhão em margem de contribuição durante sua operação.

No segundo trimestre de 2026, a Virgin Galactic registrou prejuízo de quase US$ 56 milhões, uma melhora em relação às perdas de aproximadamente US$ 67 milhões registradas no mesmo período de 2025.

Virgin Galactic deve ficar sozinha no turismo espacial suborbital

Quando retomar as operações, a Virgin Galactic deverá ser a única empresa oferecendo voos comerciais suborbitais. Sua principal concorrente, a Blue Origin, interrompeu temporariamente esse tipo de missão para concentrar recursos em projetos ligados ao programa lunar da Nasa.

Embora a Blue Origin nunca tenha divulgado oficialmente o preço de seus voos turísticos, executivos da Virgin Galactic estimam que os bilhetes da concorrente custem entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões por passageiro. Segundo a empresa, a estratégia continuará sendo elevar gradualmente o preço das futuras reservas conforme a demanda permanecer elevada.

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