Ciência

Tubarões nas Bahamas testam positivo para cocaína e cafeína, diz estudo

Pesquisa com tubarões nas Bahamas identifica drogas e medicamentos no organismo e levanta alerta sobre poluição marinha

Tubarão: estudo detecta cafeína, medicamentos e cocaína no organismo do animal nas Bahamas (James Watt/AFP)

Tubarão: estudo detecta cafeína, medicamentos e cocaína no organismo do animal nas Bahamas (James Watt/AFP)

Publicado em 29 de março de 2026 às 06h21.

Tubarões podem estar sendo expostos a substâncias como cafeína, analgésicos e até cocaína, segundo estudo conduzido por cientistas marinhos nas Bahamas. A pesquisa analisou amostras de sangue de diferentes espécies e identificou a presença desses compostos, levantando um alerta sobre o avanço da poluição química nos oceanos.

Os dados foram publicados na revista científica ScienceDirect.

Substâncias detectadas em tubarões

Os pesquisadores analisaram 85 tubarões de cinco espécies distintas e testaram o organismo dos animais para 24 substâncias, incluindo drogas lícitas e ilícitas.

Os resultados indicaram que parte dos tubarões apresentava níveis detectáveis de cafeína e medicamentos anti-inflamatórios. Em um dos casos, foi identificada a presença de cocaína.

Alguns animais também tinham mais de uma substância no organismo.

Poluição se espalha no ambiente marinho

Segundo os autores do estudo, esse tipo de contaminação está ligado ao descarte de resíduos humanos no ambiente marinho.

Em declaração à CBS News, a zoóloga Natascha Wosnick, da Universidade Federal do Paraná, afirmou que a presença de cocaína chama atenção, mas destacou que a ocorrência de cafeína e produtos farmacêuticos é igualmente preocupante, por serem amplamente consumidos e frequentemente descartados no meio ambiente.

Os pesquisadores apontam que regiões com crescimento urbano e turismo intenso apresentam maior risco de contaminação.

Alterações no organismo preocupam

A análise identificou mudanças em marcadores metabólicos nos tubarões contaminados, incluindo sinais relacionados ao estresse. Segundo o estudo, ainda não é possível afirmar com precisão os impactos dessas alterações, mas há indícios de que a exposição contínua pode afetar a saúde e o comportamento dos animais.

A principal preocupação, de acordo com os autores, não é o aumento da agressividade contra humanos, mas os possíveis efeitos sobre o equilíbrio das populações de tubarões.

Casos registrados no Brasil

A presença de drogas em tubarões não é um caso isolado. Em 2024, um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros, e publicado na revista científica Science of the Total Environment, também identificou cocaína e seus metabólitos em tubarões no Brasil. As substâncias foram encontradas no fígado e nos músculos dos animais analisados.

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