Repórter
Publicado em 27 de abril de 2026 às 16h47.
Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira, 27, ter alcançado o controle da evolução da pré-eclâmpsia — condição marcada por hipertensão em gestantes — por meio da aférese, técnica de filtragem sanguínea.
O resultado foi observado em um ensaio clínico "piloto", com participação de sete grávidas. Os dados indicam desaceleração na progressão da doença, que atualmente conta apenas com abordagens paliativas.
Nos quadros mais avançados, a condição eleva a pressão arterial e amplia riscos para mãe e feto. Em geral, a melhora ocorre apenas após o parto, o que leva à interrupção antecipada da gestação e à ocorrência de nascimentos prematuros.
A prática clínica busca evitar a progressão para a eclâmpsia, estágio que inclui convulsões e amplia o risco materno e fetal.
Durante o estudo, o uso da aférese permitiu controle parcial da doença, com prolongamento da gestação por período superior ao dobro em relação ao grupo comparativo (média de 10 dias contra 4 dias).Esse intervalo adicional, ainda que limitado, pode impactar o desenvolvimento fetal, sobretudo em casos diagnosticados na fase inicial da gravidez.
Os resultados foram publicados na edição mais recente da Nature Medicine. A pesquisa concentrou-se na proteína tirosina-kinase-1 de forma FMS, conhecida como sFlt-1, associada à progressão da pré-eclâmpsia em estudos anteriores.
A técnica de aférese permitiu a retirada do sangue das pacientes, a remoção da proteína e a reinfusão do material. O processo utilizou anticorpos desenvolvidos para atuar especificamente sobre a sFlt-1.
"As reduções vistas na pressão arterial média após a aférese tiveram forte correlação com a redução de sFlt-1 em circulação", afirmaram no estudo os cientistas liderados por Ravi Thadhani, do Cedars-Sinal Medical Center de Los Angeles (EUA). "Além disso, a remoção seletiva da sFlt-1 por aférese parece ser bem tolerada por mulheres com pré-eclâmpsia muito precoce."
Antes da aplicação em gestantes, a abordagem foi testada em babuínos, com redução de 50% na concentração da proteína no sangue. A técnica também foi aplicada em voluntárias não gestantes para avaliação de segurança.
Somente após essa etapa, o estudo avançou para pacientes com diagnóstico confirmado. Nos testes clínicos, a intensidade da terapia foi menor que a aplicada nos animais, com redução média de 17% da proteína.
Os autores indicam que os resultados não permitem conclusões definitivas sobre a adoção ampla do método. O estudo viabiliza a condução de ensaios clínicos de fase I e II, com grupos maiores e comparação entre pacientes submetidas ou não à aférese.
"Embora sejam necessários ensaios clínicos controlados para determinar se essa estratégia prolonga a gravidez de forma segura e eficaz em casos de pré-eclâmpsia muito prematura, nosso estudo fornece a base necessária para abordar uma das complicações mais devastadoras da gravidez", escreve Thadhani.