Ciência

Pernas peludas, 3 lábios e olhos vermelhos: nova 'aranha-do-mar' é descoberta em mergulho

Pesquisadores encontraram duas novas espécies no Mar de Salish; uma delas usa apêndices com espinhos para limpar as próprias pernas

Aranha-do-mar: Callipallene pilosuspedes foi encontrada em águas rasas do Mar de Salish (Cormac Toler-Scott)

Aranha-do-mar: Callipallene pilosuspedes foi encontrada em águas rasas do Mar de Salish (Cormac Toler-Scott)

Publicado em 29 de setembro de 2026 às 09h42.

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Cientistas descobriram duas novas espécies de aranhas-do-mar nas águas do Mar de Salish, entre o Canadá e os Estados Unidos. Uma delas chamou atenção pelas pernas cobertas por longos espinhos, olhos vermelhos e uma boca triangular com três lábios.

Batizada de Callipallene pilosuspedes, a espécie também possui apêndices que funcionam como uma espécie de ferramenta de higiene, usados pelo animal para limpar as próprias pernas.

A segunda espécie recebeu o nome de Tanystylum kiixin. Ela apresenta olhos negros, abdômen em formato de ampulheta e foi encontrada frequentemente coberta por pequenos parasitas.

As duas foram encontradas durante mergulhos realizados entre setembro de 2023 e agosto de 2024, a profundidades de até 18 metros. A descoberta foi descrita na revista científica Organisms Diversity & Evolution.

Nova espécie de 'aranha-do-mar' tem características incomuns

A Callipallene pilosuspedes recebeu esse nome por causa dos longos espinhos curvos presentes na parte inferior das pernas. Em latim, "pilosus" significa "peludo", enquanto "pedes" corresponde a "pés".

A espécie apresenta longos espinhos curvos na parte inferior das pernas, além de olhos vermelhos e uma boca triangular formada por três lábios e coberta por tentáculos sensoriais.

Outra característica chamou a atenção dos pesquisadores. A espécie possui ovígeros, apêndices semelhantes a pernas que não são utilizados para caminhar.

Ao observar o animal no microscópio, os cientistas perceberam que ele enrolava esses apêndices ao redor das próprias pernas. Espinhos semelhantes a um pente eram então utilizados para retirar material da superfície.

Segundo a Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), os ovígeros podem funcionar como ferramentas de higiene.

Foto: Cormac Toler-Scott (Cormac Toler-Scott)

Segunda espécie aparece coberta por parasitas

A Tanystylum kiixin apresenta características bastante diferentes. Seus apêndices utilizados para carregar ovos são menores e menos ágeis, o que limita sua capacidade de realizar a mesma limpeza.

Os pesquisadores encontraram exemplares entre sujeira e detritos e frequentemente cobertos por pequenos parasitas. Cormac Toler-Scott, autor principal do estudo, descreveu a situação como "um ecossistema dentro de um ecossistema dentro de um ecossistema".

O nome kiixin, pronunciado aproximadamente como "ki-hin", faz referência a uma antiga aldeia indígena próxima ao local onde os primeiros exemplares foram encontrados. A palavra deriva do som das ondas quebrando na base do sítio.

A espécie também possui abdômen semelhante a uma ampulheta, olhos negros e garras em formato de botão.

Foto: Cormac Toler-Scott (Cormac Toler-Scott)

Aranhas-do-mar não são realmente aranhas

Apesar do nome, as aranhas-do-mar não são aranhas verdadeiras. Elas são artrópodes marinhos aparentados às aranhas, aos escorpiões e aos caranguejos-ferradura.

Quase 1.400 espécies desses animais já foram identificadas. Segundo o estudo, o grupo surgiu há aproximadamente 500 milhões de anos.

Seu tamanho varia bastante. Algumas espécies medem menos de um centímetro, enquanto outras podem alcançar cerca de 70 centímetros. Esses animais podem rastejar pelo fundo do oceano ou se deslocar sobre outros organismos e plantas. Algumas espécies também conseguem nadar.

As aranhas-do-mar geralmente possuem quatro segmentos no tronco e quatro pares de pernas longas, embora algumas possam apresentar até 12 pernas.

Outra particularidade está na anatomia interna. Os sistemas digestivo e reprodutivo se estendem pelas pernas, enquanto os machos carregam os ovos em apêndices especializados até a eclosão.

Nova espécie de aranha aquática Tanystylum kiixin. Foto: Cormac Toler-Scott (Cormac Toler-Scott)

Descoberta amplia diversidade conhecida no Mar de Salish

Os pesquisadores decidiram investigar as aranhas-do-mar de águas rasas do Mar de Salish porque apenas 17 espécies haviam sido documentadas de forma confiável na região. O número era considerado baixo diante da biodiversidade marinha existente no local.

A região também enfrenta crescente ocupação e desenvolvimento em sua costa. Por isso, os pesquisadores consideram importante estabelecer quais espécies vivem nessas águas antes de avaliar como alterações ambientais podem afetá-las.

O levantamento da biodiversidade pode ajudar a identificar áreas onde medidas de conservação teriam maior impacto diante das pressões provocadas pelas atividades humanas.

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