Ozempic: pesquisa investigou a relação entre medicamentos GLP-1 e o risco de internação psiquiátrica (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 9 de setembro de 2026 às 15h37.
A semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, foi associada a um menor risco de hospitalização psiquiátrica em pessoas com transtorno bipolar. O resultado surgiu em uma análise de dados de quase 15 mil pacientes na Suécia.
O estudo foi publicado na revista Acta Psychiatrica Scandinavica e conduzido por pesquisadores liderados por Mark Taylor, da Universidade Griffith, na Austrália. A equipe analisou registros nacionais de pessoas com transtorno bipolar que também utilizavam medicamentos para diabetes.
Entre os 14.694 participantes, 5.200 utilizaram medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 durante o período analisado. A semaglutida esteve associada a uma redução de 21% no risco de hospitalização psiquiátrica em comparação com períodos em que os mesmos pacientes não utilizavam esses medicamentos.
Os pesquisadores acompanharam dados referentes ao período de 2009 a 2024. O desenho do estudo permitiu comparar períodos de uso e de não uso dos medicamentos dentro dos mesmos indivíduos.
A análise também avaliou outros dois agonistas de GLP-1: liraglutida (Saxenda e Victoza) e dulaglutida (Trulicity). Esses medicamentos não apresentaram associação significativa com uma redução das internações psiquiátricas.
O resultado, portanto, não indica que todos os medicamentos da classe tenham o mesmo efeito. Os autores afirmam que são necessários estudos adicionais para entender por que a associação apareceu especificamente com a semaglutida.
Além das internações psiquiátricas por qualquer motivo, os pesquisadores analisaram especificamente hospitalizações relacionadas a recaídas do transtorno bipolar. Nesse caso, a semaglutida foi associada a um risco 17% menor de hospitalização.
A pesquisa também avaliou afastamentos do trabalho por motivos psiquiátricos. Nesse indicador, não houve associação significativa com o uso de semaglutida ou dos demais medicamentos analisados.
Os pesquisadores levantam algumas hipóteses para explicar os resultados. Uma delas envolve a atuação da sinalização do GLP-1 em processos relacionados ao cérebro.
A semaglutida poderia influenciar mecanismos associados à inflamação e ao estresse celular, que já foram relacionados ao transtorno bipolar. Essas alterações poderiam, em tese, contribuir para uma maior estabilidade do humor.
Essa explicação, porém, ainda não foi demonstrada, de acordo com o estudo. A pesquisa analisou registros de saúde e não avaliou diretamente os mecanismos cerebrais responsáveis pela associação observada.
Os próprios pesquisadores destacam que o trabalho é observacional. Por isso, os resultados não permitem afirmar que a semaglutida seja responsável pela redução das internações.
Mesmo com a comparação de períodos de uso e não uso dentro dos mesmos indivíduos, outros fatores podem ter influenciado os resultados. Entre as limitações estão diferenças na gravidade das doenças, mudanças no tratamento e características do sistema de saúde sueco.
A equipe defende a realização de ensaios clínicos randomizados e controlados para verificar se a semaglutida realmente produz benefícios psiquiátricos em pessoas com transtorno bipolar.