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Anvisa alerta para risco de pancreatite por uso de canetas emagrecedoras sem prescrição médica

Alerta emitido pela agência abrange todos os medicamentos que contenham as substâncias semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 15h58.

Última atualização em 9 de fevereiro de 2026 às 16h24.

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um alerta nesta segunda-feira, 9, sobre o uso de canetas aplicadoras indicadas para tratamento de obesidade e diabetes sem prescrição médica ou em condições não aprovadas nas bulas desses medicamentos.

O comunicado menciona o crescimento no número de notificações de casos de pancreatite relacionados ao uso de fármacos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro.

O alerta emitido pela Anvisa abrange todos os medicamentos que contenham as substâncias semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida. Com isso, todas as canetas registradas no Brasil com essas formulações estão incluídas na recomendação.

"Embora o risco já conste nas bulas aprovadas no Brasil, as notificações têm aumentado no cenário internacional e nacional, o que exige reforço das orientações de segurança", diz a Anvisa, em nota.

A agência reforça que as canetas devem ser utilizadas exclusivamente para os fins aprovados em bula e sempre sob prescrição e acompanhamento médico. "Conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado".

O que é a pancreatite?

A pancreatite é uma inflamação que afeta o pâncreas, glândula localizada na região abdominal com funções essenciais para o organismo. O órgão é responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios, como a insulina, que regula os níveis de glicose no sangue.

Quando o pâncreas entra em processo inflamatório, as enzimas que normalmente atuam na digestão podem começar a afetar o próprio órgão. Isso provoca dores intensas, náuseas e desequilíbrios significativos no funcionamento do corpo. Em casos graves, a inflamação pode se disseminar, comprometer outros órgãos e, sem intervenção médica imediata, levar à morte.

Alerta no Reino Unido e casos no Brasil

A relação entre o uso das canetas e casos de pancreatite ganhou destaque após um alerta emitido pelas autoridades do Reino Unido.

No país, foram registradas 19 mortes associadas ao uso desses medicamentos, de acordo com a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA). Embora considerados raros, os casos foram graves, incluindo quadros de pancreatite necrosante com desfecho fatal.

No Brasil, a pancreatite já consta como possível reação adversa nas bulas dos medicamentos, mas a Anvisa informou que houve um aumento nas notificações.

"De 2020 até 7 de dezembro de 2025, houve o registro de 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito", informou o órgão.

A Anvisa também enfatizou que, mesmo com o alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia das canetas emagrecedoras. "Os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula".

Por outro lado, a agência reforça que o uso indiscriminado e "fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica", pode aumentar o risco de efeitos adversos e dificultar o diagnóstico precoce de complicações graves.

Recomendações

Diante dos casos de pancreatite e do alerta sobre o uso das canetas emagrecedoras, a Anvisa aos usuários: "Procurem atendimento médico imediato, em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos — sintomas sugestivos de pancreatite.

A Anvisa também exige aos profissionais da saúde a interrupção imediata do tratamento com as canetas emagrecedoras ao respeitar de reações e caso o diagnóstico seja confirmado.

"A Anvisa reforça ainda a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed, o que contribui para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no país, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional", acrescentou.

A EXAME entrou em contato com a Novo Nordisk (responsável por Saxenda e Ozempic) e a Eli Lilly (responsável pelo Mounjaro), mas ainda não obteve um posicionamento das empresas.

*Mais informações em instantes. 

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