Ciência

O que é a falha de El Pilar, e como ela funciona?

Localizado no norte da Venezuela, o El Pilar é uma falha geológica que concentra atividade sísmica

Terremotos: entenda como monitoramento pode reduzir riscos, embora previsão exata continua impossível (Freepik)

Terremotos: entenda como monitoramento pode reduzir riscos, embora previsão exata continua impossível (Freepik)

Publicado em 25 de junho de 2026 às 16h51.

O sistema de falhas de El Pilar é uma importante zona tectônica no nordeste da Venezuela com cerca de 700 km de comprimento, formada por uma série de falhas geológicas ativas com deslocamento lateral à direita. Em termos geográficos, ele se concentra no estado de Sucre e integra a deformação associada ao contato entre as placas do Caribe e da América do Sul.

Do ponto de vista geológico, trata-se de um conjunto e não de uma única fratura. Esse sistema ajuda a acomodar parte do deslocamento relativo entre placas e, por isso, tem grande relevância para entender a sismicidade da região. Estudos citados na literatura também associam a falha a estruturas submarinas e a bacias deformadas por cisalhamento, o que reforça seu papel na arquitetura tectônica costeira do leste venezuelano.

Na prática, o interesse científico e social pelo sistema de El Pilar vem do seu potencial sísmico. Por estar ligado a uma zona de falhamento ativa, ele é monitorado como uma fonte relevante de terremotos na região, com potenciais impactos sobre áreas povoadas e infraestrutura.

O sistema de falhas de El Pilar é uma peça-chave da tectônica caribenha na Venezuela: como um corredor geológico ativo, que marca a dinâmica entre placas, os recentes terremotos na Venezuela foram decorrentes das falhas que compõem o El Pilar.

Entender o funcionamento da região nos ajuda a explicar a ocorrência de terremotos no nordeste do país e a prever futuros tremores.

O histório sísmico do El Pilar

Equipes de resgate evacuam uma pessoa ferida de um prédio desabado após um terremoto em Caracas em 24 de junho de 2026. Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu a Venezuela na quarta-feira, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), provocando pânico em Caracas, segundo jornalistas da AFP. O tremor, que foi seguido por vários tremores secundários, também foi sentido na Colômbia.

Embora os terremotos recentes tenham chamado a atenção pela intensidade, a região não é estranha a grandes abalos sísmicos. O El Pilar é uma complexa rede de falhas geológicas formada pelo encontro entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul, uma das áreas mais ativas do continente em termos sísmicos.

Nessa região de alta atividade tectônica, o conjunto de falhas El Pilar é a principal estrutura, na qual enormes blocos rochosos deslizam horizontalmente uns em relação aos outros. A falha se estende ao longo da costa norte venezuelana e acumula tensão continuamente à medida que as placas se movem cerca de 20 milímetros por ano.

A atividade sísmica se concentra na região pois o El Pilar se conecta à falha Bonocó, que atravessa o noroeste do país em direção ao nordeste-sudoeste, formando um ponto de encontro particularmente suscetível a terremotos.

Segundo especialistas da Eos, plataforma jornalística e científica, foi justamente nessa zona de junção que ocorreram os dois tremores gêmeos dessa semana. A liberação repentina da energia acumulada ao longo do tempo nessas estruturas geológicas explica a força dos tremores e reforça a importância da região no mapa sísmico sul-americano.

O histórico local mostra que eventos dessa natureza fazem parte de um padrão de longo prazo. Em 1900, um terremoto de magnitude 7,7 atingiu a área próxima a Caracas, enquanto pelo menos sete abalos superiores à magnitude 6 foram registrados ao longo do último século. Ainda assim, os terremotos recentes representam os mais fortes a afetar a região desde o grande sismo do início do século XX.

Outro fator que contribuiu para a violência dos tremores foi a profundidade relativamente pequena em que ocorreram. Os dois terremotos tiveram origem a cerca de 10 quilômetros abaixo da superfície, uma profundidade considerada rasa pelos padrões geológicos. Em eventos desse tipo, a energia liberada percorre uma distância menor até alcançar áreas habitadas, o que aumenta a intensidade das vibrações sentidas pela população e o potencial de danos à infraestrutura.

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