Lito Sousa: Doença neurodegenerativa rara não tem cura e pode causar demência, perda de memória, tremores e comprometimento dos movimentos. (YouTube/Reprodução)
Repórter
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 10h32.
Última atualização em 24 de agosto de 2026 às 10h33.
Amigos do influenciador e piloto Lito Sousa, de 59 anos, passaram a produzir conteúdos para manter o canal Aviões e Músicas ativo no YouTube durante o período em que ele trata a doença de Creutzfeldt-Jakob, condição neurodegenerativa rara. O criador de conteúdo publica vídeos sobre aviação na plataforma há mais de 15 anos.
Neste domingo, Sérgio Sacani, influenciador responsável pelo canal Space Today e pelo podcast Além da Ciência, participou do Aviões e Músicas com um vídeo sobre os efeitos do El Niño na aviação. No início da publicação, Sacani explicou por que assumiu temporariamente o espaço do amigo.
"A gente já fez muita coisa junto", lembrou. "Estamos aqui dando toda a força do mundo para o nosso amigo Lito. E quem é criador de conteúdo, quem tem canal no YouTube, a gente não tem INSS, nem nada disso. Então, quando a gente fica doente, quando acontece algum problema, a gente não pode deixar o canal sem vídeo. Se a gente deixar o canal sem vídeo, o algoritmo nos esquece, e o algoritmo é pior que o ser humano."
Segundo Sacani, a mobilização busca evitar que o Aviões e Músicas fique sem novas publicações durante a ausência de Sousa. O grupo também pretende preservar a atividade do projeto como fonte de renda para as famílias que dependem do canal. Para isso, amigos do piloto se organizaram para produzir novos conteúdos.
"Tem famílias que dependem do canal e o Lito está temporariamente fora do nosso hangar. Mas, ainda bem que é um cara muito gente boa, o cara mais querido da internet brasileira, e tem toda uma tripulação de amigos que vai ajudar ele. Ele recrutou toda essa galera para manter o Aviões e Músicas de pé enquanto ele vai se recuperar."
Fora da produção de conteúdo para a internet, Sousa acumula mais de 37 anos de experiência na aviação comercial e privada. O piloto também criou uma metodologia voltada a pessoas com medo de voar e é proprietário de uma escola de aviação responsável pela formação de mecânicos de aeronaves, pilotos, comissários e engenheiros.
Desde sexta-feira, 21, familiares, amigos e seguidores procuram universidades e pesquisadores responsáveis por estudos científicos relacionados à doença. Até o momento, porém, não há vagas disponíveis para novas investigações relacionadas ao diagnóstico.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma desordem cerebral neurodegenerativa, rara e fatal, associada aos príons, proteínas anormais capazes de provocar danos estruturais no cérebro. As alterações conferem ao tecido cerebral uma aparência esponjosa.
Entre os sintomas estão o declínio cognitivo e psicomotor rápido. Nas fases iniciais, podem ocorrer perda de coordenação motora, conhecida como ataxia, tremores, espasmos musculares involuntários, chamados de mioclonia, e paralisias.
O quadro também pode incluir perda de memória, desordem mental, demência, alterações na linguagem e na visão, fadiga e mudanças no sono.
Não existe atualmente um tratamento capaz de reverter a progressão da doença de Creutzfeldt-Jakob. A abordagem médica se concentra em cuidados paliativos e acompanhamento multidisciplinar para aliviar dores e controlar os sintomas neurológicos.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é considerada rara e tem poucos registros desde as primeiras notificações, na década de 1960.
Entre 2005 e 2021, o Brasil registrou 1.576 notificações de casos suspeitos da doença de Creutzfeldt-Jakob, segundo levantamento do Ministério da Saúde. Do total, 34% tiveram confirmação, o equivalente a cerca de 547 casos ao longo de 16 anos.
De acordo com o boletim epidemiológico, São Paulo concentrou 202 casos. Minas Gerais registrou 57; Paraná, 44; Rio de Janeiro, 38; e Rio Grande do Sul, 35.