Repórter
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 17h32.
A relação entre a escala 6×1 e a saúde dos trabalhadores esteve entre os argumentos para a mudança aprovada pelo Senado na quarta-feira, 14. Por 75 votos a um, os senadores deram aval à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê dois dias de descanso remunerado por semana e redução da jornada, sem corte nos salários.
A proposta recebeu apoio de parlamentares do governo e da oposição a menos de duas semanas do segundo turno da eleição presidencial, disputado entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República, foi o único a votar contra.
Fim da escala 6x1 vai reduzir o salário? Entenda o que diz a propostaEnquanto entidades empresariais criticavam a alteração, especialistas em saúde apontavam os efeitos da rotina de seis dias de trabalho para um de folga. Entre as preocupações estavam o estresse, a ansiedade, o burnout, síndrome de esgotamento profissional, e o risco de acidentes associado à falta de descanso.
A percepção dos próprios trabalhadores também aparece em pesquisas sobre o tema. Em levantamento divulgado em setembro pelo Instituto Locomotiva, mais de seis em cada dez participantes que trabalhavam nessa escala relataram prejuízos à saúde física e mental.
Realizado em junho e divulgado no início de setembro, o estudo do Instituto Locomotiva ouviu 1.030 pessoas com 18 anos ou mais em todo o Brasil. As perguntas abordaram a relação da escala 6×1 com saúde, convivência familiar, renda e disponibilidade de tempo livre.
Para 78% dos entrevistados, trabalhar seis dias por semana dificulta o descanso. Outros 71% avaliaram que esse modelo prejudica a manutenção de hábitos saudáveis. A ideia de que muitas pessoas abrem mão da saúde e do lazer para preservar a renda teve a concordância de 85%.
O levantamento também mostrou que 81% consideram o descanso um privilégio ao qual parte dos trabalhadores não tem acesso. Essa percepção foi compartilhada por 89% dos eleitores de esquerda e 76% dos eleitores de direita.
Entre os participantes submetidos à escala 6×1, os impactos relatados foram:
Os percentuais refletem a percepção dos entrevistados sobre os efeitos do regime de trabalho em sua rotina.
A implementação das regras depende da promulgação da emenda constitucional, prevista para os próximos dias. É a partir dessa etapa que começam a contar os prazos de adaptação.
Após 60 dias, os trabalhadores que cumprem a escala 6×1 deverão passar ao modelo 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado. Nessa primeira fase, o limite da jornada semanal cairá de 44 para 42 horas.
A redução seguinte deverá ocorrer em até 12 meses depois dessa etapa. Assim, no prazo de até 14 meses após a promulgação, a jornada máxima passará a ser de 40 horas semanais, com os dois dias de repouso.
O texto determina que a transição ocorra sem redução salarial. As empresas terão de adaptar a distribuição das jornadas às exigências, o que poderá envolver mudanças nos turnos, contratação de funcionários ou pagamento de horas extras, conforme a necessidade.
Ainda são aguardados detalhes sobre a aplicação das regras a atividades com regimes próprios. É o caso da escala 12×36, na qual o profissional trabalha por 12 horas e descansa nas 36 seguintes, utilizada em áreas como serviços hospitalares e vigilância.