Ciência

O benefício oculto de ter cachorros e gatos, segundo a ciência

Pesquisa analisou dados por 18 anos e detectou que cães ajudam na memória e gatos na fluência verbal em adultos com mais de 50 anos

Cachorros e gatos: ter pets pode trazer benefícios ocultos (Getty Images)

Cachorros e gatos: ter pets pode trazer benefícios ocultos (Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 10h19.

Ter um animal de estimação pode ir além da companhia: cães e gatos mostram impacto direto na preservação de funções cognitivas em pessoas mais velhas. É o que indica uma pesquisa conduzida ao longo de quase duas décadas com adultos a partir dos 50 anos.

A análise, feita com base em dados do estudo europeu Survey of Health and Retirement, apontou diferenças claras entre as espécies. Pessoas que vivem com cães apresentaram desempenho superior em tarefas relacionadas à memória. Já os que convivem com gatos demonstraram menor perda na fluência verbal ao longo do tempo.

Outros tipos de animais, como aves e peixes, não mostraram influência significativa nesse aspecto. Os pesquisadores levantam hipóteses para isso: vínculos emocionais menos profundos e menor interação ativa podem explicar os resultados.

A autora do estudo, Adriana Rostekova, do grupo de psicologia do desenvolvimento da Universidade de Genebra, disse ao The Guardian que os estímulos gerados por cães e gatos são diferentes dos oferecidos por animais com menos demanda de cuidado.

Além disso, a convivência com esses pets tende a promover mais interação social, o que pode proteger contra o isolamento — um fator de risco conhecido para doenças neurodegenerativas.

Segundo a pesquisadora, o contato constante com animais domésticos ativa áreas do cérebro ligadas à atenção e ao controle emocional. No caso dos gatos, o comportamento imprevisível pode gerar estímulos adicionais em regiões relacionadas à linguagem e à adaptação.

A pesquisa também sugere que aspectos como rotina, responsabilidade e envolvimento afetivo são elementos que, juntos, contribuem para manter o cérebro em atividade. Mesmo sem efeitos terapêuticos diretos, esses estímulos diários têm potencial para reduzir o ritmo do declínio cognitivo.

Em um cenário global de aumento da expectativa de vida e crescimento dos casos de demência, os dados abrem espaço para discutir formas alternativas de promover o envelhecimento saudável.

Para especialistas, os animais podem ser aliados valiosos em estratégias preventivas que envolvam bem-estar, saúde mental e manutenção das funções cerebrais ao longo dos anos.

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