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Quem é Ricardo Faria, o 'Rei dos Ovos' que pode entrar no top 10 dos mais ricos

Valuation da Global Eggs após aporte de Wall Street pode colocar empresário próximo dos R$ 30 bilhões

Ricardo Faria: valorização da Global Eggs pode elevar fortuna para cerca de R$ 32 bilhões (Leandro Fonseca/Exame)

Ricardo Faria: valorização da Global Eggs pode elevar fortuna para cerca de R$ 32 bilhões (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 3 de março de 2026 às 06h39.

O empresário Ricardo Faria pode estrear entre os dez brasileiros mais ricos após a holding Global Eggs atingir avaliação de R$ 41,52 bilhões (US$ 8 bilhões) com o aporte de até US$ 1 bilhão da Warburg Pincus, anunciado na segunda-feira, 2.

Com a nova avaliação, cálculos indicam que a fortuna do empresário pode ter superado R$ 31 bilhões — acima dos R$ 30,4 bilhões atribuídos a Jorge Neval Moll Filho, fundador da Rede D'Or, atual décimo colocado no ranking.

A participação de Faria não foi oficialmente divulgada, mas estimativas de mercado apontam que ele deve manter entre 75% e 80% do capital. Considerando a avaliação da empresa após o aporte, uma fatia de 80% corresponderia a cerca de R$ 33,22 bilhões. Mesmo com 75%, o valor ficaria próximo de R$ 31,14 bilhões.

Da agronomia ao império dos ovos

A trajetória começou na adolescência, quando uma viagem à Califórnia fez Faria trocar o plano de cursar medicina pela agronomia. Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ele construiu no campo a carreira que lhe rendeu o apelido de “Rei do Ovo”.

Fundada em 2006, a Granja Faria se tornou a maior produtora de ovos comerciais, férteis e pintos do Brasil. A empresa reúne 2.500 funcionários, 34 unidades produtivas e produz cerca de 14 milhões de ovos por dia.

Antes de se consolidar no agronegócio, Faria empreendeu na indústria. Em 1997, criou a Lavebras com cerca de R$ 83 mil (US$ 16 mil na cotação atual). Vendeu o negócio em 2017 e direcionou os recursos para a expansão agrícola. A receita do braço agro saiu de R$ 183 milhões em 2017 para mais de R$ 2 bilhões em 2022.

A expansão incluiu aquisições como Asa, Lana e Granja Alexaves, que impulsionaram o faturamento e ampliaram a presença nacional. Faria também se tornou um dos maiores produtores de grãos do país, com 120 mil hectares cultivados.

Consolidação internacional

A internacionalização ganhou escala com a criação da Global Eggs, holding que reúne ativos no Brasil, Europa e Estados Unidos. Em 2024, o grupo registrou crescimento de 50% e exportou 100 milhões de ovos férteis para 18 países.

Entre os movimentos recentes estão a compra da espanhola Hevo por 120 milhões de euros e a aquisição da americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão. Com as operações consolidadas, a Global Eggs projeta receita anual equivalente a cerca de R$ 10,38 bilhões (US$ 2 bilhões) e Ebitda próximo de R$ 2,6 bilhões (US$ 500 milhões).

O novo aporte da Warburg Pincus elevou o valor de mercado da companhia e consolidou a estratégia de expansão global. Como a maior parte do patrimônio de Faria está concentrada na holding, a valorização teve impacto direto sobre sua fortuna.

Além da Global Eggs, o empresário mantém ativos em terras agrícolas, produção de grãos e fertilizantes, que não entram na estimativa vinculada à nova avaliação da companhia.

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