Ciência

Nem só quantidade: variedade de exercícios é associada a mais longevidade, diz estudo

Esses estudos acompanharam os participantes por mais de 30 anos

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 27 de abril de 2026 às 18h16.

A prática regular de diferentes tipos de atividades físicas pode ser uma das formas mais eficazes de prolongar a expectativa de vida, segundo uma pesquisa publicada na revista de acesso aberto BMJ Medicine.

Os resultados, divulgados pelo Science Daily, indicam que a relação não está simplesmente ligada a fazer cada vez mais exercícios. Em vez disso, os benefícios parecem atingir um platô após determinado ponto, o que sugere a existência de uma quantidade ideal de atividade física.

O estudo também mostra que a diversidade de exercícios é importante por si só. Pessoas que participam de vários tipos de atividades físicas tendem a apresentar menor risco de morte, independentemente do volume total de exercício praticado. Ainda assim, os pesquisadores reforçam que manter-se ativo de forma geral continua sendo essencial.

Por que a variedade de exercícios é importante

A atividade física há muito tempo é associada a melhor saúde física e mental, além de um menor risco de morte. No entanto, ainda não estava totalmente claro se certos tipos de exercício oferecem vantagens específicas ou se combinar diferentes atividades gera benefícios adicionais além do volume total de exercício.

Para investigar essa questão, os pesquisadores analisaram dados de dois grandes estudos de longo prazo:

  • Nurses’ Health Study, com 121.700 participantes do sexo feminino
  • Health Professionals Follow-Up Study, com 51.529 participantes do sexo masculino

Esses estudos acompanharam os participantes por mais de 30 anos, com atualizações a cada dois anos sobre estilo de vida, histórico de saúde e hábitos de exercício, coletadas por meio de questionários.

Décadas de dados

Desde 1986, os participantes relataram uma ampla variedade de atividades físicas, incluindo caminhada, corrida leve (jogging), corrida, ciclismo (inclusive em bicicletas ergométricas), natação em piscina, remo ou calistenia, além de tênis e squash.

Pesquisas posteriores acrescentaram mais detalhes, incluindo treinamento com pesos ou exercícios de resistência, atividades de menor intensidade, como ioga, alongamento e exercícios de tonificação, além de tarefas vigorosas, como cortar grama, trabalhos moderados ao ar livre, como manutenção e jardinagem, e atividades pesadas, como cavar e cortar lenha.

Segundo a BMJ Medicine, a análise final incluiu 111.467 participantes para o total de atividade física e 111.373 participantes para a variedade de atividades.

Níveis de atividade, hábitos e perfis de saúde

Nos dois grupos estudados, os indivíduos puderam relatar até 11 ou 13 atividades diferentes, dependendo do estudo. A caminhada foi a forma mais comum de exercício no tempo livre, enquanto os homens relataram com mais frequência a prática de corrida ou jogging em comparação às mulheres.

Exercício e risco de morte ao longo de 30 anos

Durante mais de três décadas de acompanhamento, 38.847 participantes morreram, incluindo:

  • 9.901 mortes por doenças cardiovasculares
  • 10.719 mortes por câncer
  • 3.159 mortes por doenças respiratórias

Níveis mais elevados de atividade física total, assim como a maioria dos tipos individuais de exercício — com exceção da natação —, estiveram associados a um menor risco de morte por qualquer causa.

Atividades associadas a menor risco de morte

Diversas atividades apresentaram associações significativas com a redução do risco de mortalidade ao comparar os participantes menos ativos com os mais ativos:

  • Caminhada: redução de 17% no risco de morte
  • Subir escadas: redução de 10%
  • Tênis, squash ou racquetball: redução de 15%
  • Remo ou calistenia: redução de 14%
  • Treinamento com pesos ou resistência: redução de 13%
  • Corrida: redução de 13%
  • Jogging: redução de 11%
  • Ciclismo: redução de 4%

O benefício da variedade de exercícios

Mesmo após ajustar os dados para o volume total de exercício, os participantes que praticavam o conjunto mais variado de atividades apresentaram um risco 19% menor de morte por todas as causas.

Além disso, eles tiveram um risco entre 13% e 41% menor de morte por doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias e outras causas, em comparação com aqueles que realizavam menos tipos de atividade.

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