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OpenAI aposta em descontos para competir com crescimento do Claude

Dona do ChatGPT estuda reduzir preços de tokens em resposta à Anthropic, numa corrida que pode afetar margens e fidelidade de clientes corporativos, segundo o WSJ

Sam Altman: CEO da OpenAI teme guerra de preços por IA (Florian Gaertner/Getty Images)

Sam Altman: CEO da OpenAI teme guerra de preços por IA (Florian Gaertner/Getty Images)

Publicado em 11 de junho de 2026 às 08h20.

A OpenAI está considerando reduzir drasticamente os preços que cobra por tokens — a unidade de medida que empresas de IA usam para faturar por seus produtos — em uma resposta antecipada a cortes semelhantes que a empresa espera da Anthropic, segundo o Wall Street Journal.

A decisão ainda não foi tomada, mas o movimento sinalizaria uma mudança significativa numa indústria que já perde bilhões de dólares em função dos custos de infraestrutura computacional.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, já havia sinalizado a pressão em evento recente.

"Os custos se tornaram um problema enorme", disse ele. "Acho que teremos muitas formas de ajudar as pessoas a obter mais valor por menos gasto."

Por que a Anthropic é o alvo

A OpenAI está tentando recuperar terreno perdido para a rival na corrida por clientes corporativos.

A receita da Anthropic disparou depois que o Claude Code (ferramenta de programação da empresa) se tornou viral entre engenheiros de software.

A startup de cinco anos ultrapassou a avaliação da OpenAI pela primeira vez, chegando a US$ 965 bilhões, enquanto a OpenAI estava avaliada em US$ 852 bilhões.

Em resposta, a OpenAI transformou o Codex, sua própria ferramenta de programação, no centro da estratégia da empresa.

A pressão vem de dois lados. De um lado, clientes corporativos que antes despejavam dinheiro nos produtos da Anthropic estão agora tentando conter os gastos.

Na corrida pelos IPOs de IA, o Perplexity prefere ficar de fora — por enquanto

Um executivo da Uber disse no início do ano que a empresa havia esgotado seu orçamento de 2026 para uso de IA agêntica.

De outro lado, o debate sobre tokenmaxxing (a prática de usar o máximo possível de tokens para aumentar produtividade, mesmo quando não há retorno mensurável) está pressionando as empresas a justificar o custo dos produtos de IA.

O risco de uma guerra de preços

Cortes drásticos de preços poderiam resolver o problema de adoção no curto prazo, mas criariam um problema estrutural mais sério: erosão das margens de empresas que já perdem bilhões por ano.

Tanto a OpenAI quanto a Anthropic operam com prejuízo em função dos custos enormes de processamento computacional necessários para responder a consultas e executar tarefas.

Uma guerra de preços seria também um teste precoce da solidez dos modelos de negócio de ambas as empresas antes de suas aberturas de capital.

A OpenAI protocolou confidencialmente seu pedido de IPO nesta semana, seguindo os passos da Anthropic, que já havia feito o mesmo.

Em mensagem recente no Slack a funcionários, Altman disse que a empresa planeja abrir capital "dentro do próximo ano", segundo o The Information.

O WSJ aponta um risco que investidores identificam há tempo: a intercambiabilidade dos produtos das duas empresas.

Clientes podem abandonar uma plataforma pela outra com relativa facilidade, o que significa que a lealdade conquistada agora pode ser desfeita rapidamente se os preços se equipararem.

Uma guerra de preços poderia acelerar exatamente esse ciclo de atrair clientes a curto prazo enquanto corrói a diferenciação que cada empresa construiu.

O debate sobre tokenmaxxing — amplamente discutido no Vale do Silício desde a declaração do CEO da Palantir, Alex Karp, que comparou o uso excessivo de tokens a um vício — chegou ao centro da estratégia das duas maiores empresas de IA do mundo.

A pergunta que o mercado ainda não respondeu é se preços mais baixos vão resolver o problema ou simplesmente tornar o prejuízo mais barato por unidade.

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