Nasa: programa Artemis preve retorno do homem à Lua antes de 2030 (Freepik)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 23 de abril de 2026 às 18h05.
A Nasa planeja realizar um experimento incomum na superfície da Lua: provocar um incêndio controlado para entender como o fogo reage fora da Terra.
O teste faz parte da preparação para as missões do programa Artemis e quer entender como prevenir e conter chamas em ambientes fechados. O foco da agência é preencher uma lacuna considerada crítica no planejamento de segurança. Com o avanço das missões tripuladas e a perspectiva de estruturas permanentes no satélite natural, o comportamento do fogo em um ambiente de gravidade reduzida voltou ao centro das discussões.
Na Terra, o ar quente sobe e influencia diretamente a forma e a propagação das chamas. Em condições diferentes, esse padrão muda. Em espaçonaves e habitats fechados, o fogo pode assumir formatos menos previsíveis, o que dificulta o controle e amplia o risco operacional.
A avaliação da Nasa é que esse ponto precisa ser testado diretamente na superfície lunar. A preocupação não está apenas na ignição, mas também na velocidade de propagação, na estabilidade da chama e no tempo de combustão dos materiais usados em missões espaciais.
Para isso, a agência desenvolveu a missão FM2, sigla para Flammability of Materials on the Moon. O lançamento está previsto para o fim de 2026, e o experimento será conduzido com a queima de amostras de materiais dentro de uma câmara selada instalada diretamente na Lua.
O sistema permitirá o monitoramento contínuo do fenômeno. A proposta é registrar como o fogo começa, como se espalha e quanto tempo consegue se manter ativo sob as condições locais.
Em relatório apresentado na Conferência de Ciências Lunares e Planetárias, realizada entre 16 e 20 de março, os pesquisadores da Nasa afirmaram que os testes devem fornecer dados de referência e integrar um esforço mais amplo para entender como a gravidade lunar afeta a inflamabilidade dos materiais.
Segundo o documento, a análise deve abranger a ignição, a propagação e a estabilidade das chamas ao longo do tempo. Esses dados podem orientar protocolos de segurança e escolhas de materiais em futuras operações tripuladas.
A principal preocupação é a diferença entre a gravidade da Terra e a da Lua. No satélite natural, a força gravitacional equivale a cerca de um sexto da terrestre. Essa condição pode alterar de forma relevante o comportamento das chamas.
Os pesquisadores apontam que a propagação do fogo depende diretamente das condições gravitacionais. Em determinados cenários, materiais considerados seguros na Terra podem queimar por mais tempo ou de forma mais constante na Lua.
Outro fator observado é a ausência do fluxo de ar ascendente típico do planeta. Sem esse movimento, as chamas tendem a apresentar um comportamento diferente e podem ter maior dificuldade de extinção.
Na prática, isso pode transformar pequenos focos em ameaças persistentes. Em ambientes fechados, como módulos habitacionais e trajes espaciais, esse tipo de ocorrência ganha peso adicional porque envolve estruturas essenciais para a permanência humana no local.