Ciência

Por que uma rocha de 3,5 bilhões de anos está 'animando' cientistas

Estruturas microscópicas em uma rocha de 3,5 bilhões de anos sugerem a presença de antigos tapetes microbianos

Índia: formação rochosa poderá ajudar a esclarecer quando surgiram as primeiras formas de vida no planeta (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Índia: formação rochosa poderá ajudar a esclarecer quando surgiram as primeiras formas de vida no planeta (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 24 de agosto de 2026 às 19h34.

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Uma rocha com cerca de 3,5 bilhões de anos, encontrada no leste da Índia, pode preservar alguns dos vestígios mais antigos de vida já identificados na Terra. Em seu interior, pesquisadores encontraram estruturas microscópicas ricas em carbono e sílica que apresentam características compatíveis com antigos tapetes microbianos, comunidades formadas por microrganismos que habitavam o planeta durante o Paleoarqueano.

Os resultados foram divulgados por pesquisadores que analisaram amostras coletadas no Cráton de Singhbhum e repercutidos pelo Phys.org. Apesar do potencial da descoberta, os próprios autores ressaltam que serão necessários novos estudos para confirmar se as estruturas representam, de fato, uma das bioassinaturas mais antigas conhecidas.

Estruturas lembram comunidades primitivas de microrganismos

A rocha analisada é um tipo de chert, uma formação sedimentar rica em sílica. Ao examinar o material, a equipe identificou finas camadas alternadas de sílica e material carbonáceo distribuídas em um padrão semelhante ao produzido por tapetes microbianos.

Encontrar evidências tão antigas é um desafio porque as rochas desse período passaram por bilhões de anos de aquecimento, deformações e alterações químicas, processos que podem modificar ou apagar sinais biológicos.

Por isso, os pesquisadores buscaram diferentes tipos de evidência para distinguir estruturas produzidas por organismos daquelas formadas apenas por processos geológicos.

Para estimar a idade da rocha, a equipe analisou cristais de zircão utilizando datação por urânio e chumbo. O resultado indicou que os sedimentos foram depositados há aproximadamente 3,497 bilhões de anos.

Análises reforçam hipótese de origem biológica

Os pesquisadores também investigaram a composição do carbono preservado na rocha para verificar se ele era contemporâneo à sua formação ou resultado de processos posteriores.

A análise dos isótopos de carbono revelou proporções compatíveis com materiais de origem biológica. Além disso, exames por espectroscopia Raman identificaram a presença de querogênio relativamente pouco organizado, um material orgânico sólido encontrado em rochas sedimentares.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre a estrutura em camadas, a composição isotópica do carbono e a presença desse material orgânico fortalece a hipótese de que a rocha tenha preservado antigos tapetes microbianos.

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