Ciência

Microplásticos da escova de dente entram na mira de pesquisadores

Produtos de higiene bucal podem liberar as partículas, mas impacto na saúde ainda não é claro

Microplásticos: eles também estão na sua rotina de cuidado com os dentes, mas há formas de evitar uma exposição desnecessária (Getty Images)

Microplásticos: eles também estão na sua rotina de cuidado com os dentes, mas há formas de evitar uma exposição desnecessária (Getty Images)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 16h09.

Microplásticos já foram encontrados no coração, no cérebro, no sangue e no cordão umbilical de humanos. Parte dessa exposição vem, obviamente, do uso de plástico no nosso dia a dia — da tábua de cortar alimentos, dos potes onde armazenamos comida, nas garrafas de água reutilizáveis e nas roupas sintéticas.

Todos esses itens até têm alternativas ou podem ter o uso reduzido. Mas pesquisadores têm voltado a atenção para algo bem mais difícil de substituir e que também libera os microplásticos no corpo humano: escovar os dentes. É o que aponta uma matéria do New York Times.

A maioria dos produtos odontológicos é feita de plástico. Grande parte das escovas, por exemplo, tem cerdas de nylon, que é basicamente um filamento plástico. Em teoria, o atrito que fazemos ao escovarmos os dentes fragmenta esse material em pedaços microscópicos que ficam na boca, e dali podem entrar no corpo, engolidos ou por meio de fissuras na gengiva.

A pasta de dente e o fio dental também entram na lista. Isso porque tanto os materiais quanto as embalagens costumam ser feitos de plástico, cujas micropartículas podem ser liberadas a partir da fabricação ou do uso normal.

Alternativas "sem plástico"?

Já existem opções de escova com cabo de bambu, cerdas de pelo de javali, fio de seda, pasta em comprimido, embalagem de alumínio. Ainda assim, não existe a recomendação de nenhum produto específico, uma vez que não existem testes robustos comparando quanto cada um libera de microplástico, segundo o Dr. Dimitrios Michelogiannakis, ortodontista da Universidade de Rochester.

Na verdade, os especialistas ouvidos pelo NYT pedem atenção às alternativas do mercado, que também podem trazer prejuízos e ainda são mais caras. As cerdas de javali, por exemplo, podem machucar a gengiva e acumulam mais bactéria porque demoram a secar. O fio de seda, em estudo comparativo, foi o menos confortável, mais fácil de desfiar e de arrebentar.

É possível evitar essa exposição agora?

Os benefícios de escovar e usar fio dental são inegáveis e bem comprovados, já os riscos dos microplásticos odontológicos, ainda não. Então, a orientação principal é não abandonar a higiene bucal em hipótese alguma.

Nesse sentido, os especialistas listaram algumas atitudes que podem reduzir essa exposição:

  • Escove e passe fio com suavidade, pois movimentos bruscos podem fragmentar mais as cerdas e machucar a gengiva;
  • Prefira escovas com cerdas macias;
  • Troque a escova regularmente, a cada três ou quatro meses — ou antes, se as cerdas estiverem desgastadas;
  • Guarde os produtos longe do sol e lave a escova com água fria ou morna, pois a exposição ao calor degrada o plástico mais rapidamente;
  • Faça um bom enxágue, para tirar resíduos restantes. Mas sem exagero, pois muitos enxágues seguidos podem desgastar o flúor dos dentes.
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