Colaboradora
Publicado em 23 de outubro de 2026 às 11h14.
Última atualização em 23 de outubro de 2026 às 11h33.
A menopausa marca a última menstruação e o fim da fase reprodutiva da mulher.
Geralmente ocorre entre os 45 e os 55 anos e é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar, desde que não haja outra causa. Essa transição hormonal, conhecida como climatério, envolve o período anterior e posterior à menopausa.
Um estudo brasileiro publicado na revista Climateric, entitulado Profile of Brazilian climacteric women: results from the Brazilian Menopause Study, feito com mulheres de 45 a 65 anos, encontrou sintomas do climatério em 87,9% das participantes, com mediana de idade da menopausa de 48 anos.
Entre seus sintomas mais comuns estão as ondas de calor, a insônia, a ansiedade, as alterações de memória, as dores articulares e os desconfortos urinários. A intensidade e a duração dessas manifestações variam de mulher para mulher, assim como a necessidade de tratamento, que nem sempre envolve o uso de medicamentos.
Os termos descrevem etapas distintas da transição reprodutiva durante a menopausa. O climatério corresponde ao período de transição hormonal, que engloba a perimenopausa, a menopausa e a pós-menopausa. Veja no detalhe:
| Fase | Quando acontece | O que muda no corpo | Sintomas típicos |
|---|---|---|---|
| Climatério | Transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo | A função ovariana diminui progressivamente | Irregularidade menstrual, calorões e alterações do sono e do humor |
| Perimenopausa | Começa com as mudanças da transição e termina após a confirmação da menopausa | Os ciclos ficam irregulares e os níveis hormonais oscilam | Calorões, suor noturno, insônia e mudanças de humor |
| Menopausa | Confirmada retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar, sem outra causa | Marca o fim da menstruação natural | Pode haver sintomas vasomotores e geniturinários ou nenhum sintoma relevante |
| Pós-menopausa | Período posterior à menopausa, que se estende pelo restante da vida | Os níveis de estrogênio permanecem mais baixos | Ressecamento vaginal, sintomas urinários e, em algumas mulheres, calorões persistentes |
Ou seja, o climatério abrange toda a transição hormonal, enquanto a menopausa é um marco específico: a última menstruação natural, confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar, na ausência de outras causas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), alguns sintomas podem persistir por vários anos após a menopausa, como ondas de calor e ressecamento vaginal. Quando afetam a qualidade de vida, essas manifestações podem exigir acompanhamento profissional e avaliação das opções de tratamento.
A menopausa natural ocorre, em geral, entre os 45 e os 55 anos, segundo a OMS.
Ainda, considera-se de que é evento pontual que dura apenas um dia, e corresponde à data da última menstruação da vida da mulher, confirmada após 12 meses consecutivos de ausência de sangramento), porém o processo biológico que a envolve, chamado de climatério, dura em média de 7 a 10 anos.
Apesar disso, a transição, marcada pela pré-menopausa, pode começar anos antes da última menstruação, com mudanças no ciclo e sintomas como ondas de calor e alterações do sono, já que o intervalo varia de pessoa para pessoa.
Os sintomas também podem persistir por anos. Um estudo norte-americano publicado no JAMA Internal Medicine, com dados do acompanhamento SWAN, encontrou duração mediana de 7,4 anos para ondas de calor e suor noturno frequentes. Entre as participantes com data identificável da última menstruação, os sintomas duraram uma mediana de 4,5 anos depois dela. Os resultados não são uma estimativa específica para brasileiras.
Ondas de calor são o sintoma mais associado aos primeiros estágios do climatério, mas estão longe de ser a única manifestação dessa fase. Alterações no sono, ansiedade, cansaço, dores articulares, mudanças na pele e desconfortos urinários também são sinais que podem afetar a rotina, e são normalizados em muitos casos.
A dimensão desse conjunto de queixas aparece na pesquisa Menopausa no Brasil, realizada pela REDS Research em julho de 2025. Entre as brasileiras de 40 a 65 anos ouvidas no levantamento, 82% relataram sintomas associados à menopausa e, em média, sete manifestações simultâneas.
Ondas de calor lideraram a lista, com 64,5% das respostas, seguidas de:
Os chamados fogachos são episódios repentinos de calor, geralmente concentrados no rosto, no pescoço e no peito, que podem vir acompanhados de vermelhidão, transpiração, calafrios e palpitações.
Quando ocorrem durante a noite, são conhecidos como suores noturnos e podem interromper o sono.
As alterações do sono nem sempre se resumem à dificuldade para adormecer. Despertares frequentes, sono pouco reparador e dificuldade para voltar a dormir também podem ocorrer durante a menopausa.
Em muitos casos, eles aparecem associados aos suores noturnos, que acabam levando a culpa pelo interropimento do sono, mas não explicam todos os casos.
Na pesquisa da REDS Research, 47,9% das participantes relataram insônia e 58,7% mencionaram cansaço ou fadiga. Até porque, as duas queixas podem se sobrepor: noites mal dormidas afetam a disposição durante o dia, a concentração e o rendimento nas tarefas cotidianas.
A FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) alerta que a insônia persistente também pode ser um alerta. Apneia do sono, estresse, ansiedade e outras condições também precisam ser consideradas na avaliação clínica. Atribuir todo problema de sono à menopausa pode atrasar a identificação de causas tratáveis.
Mudanças de humor, ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração podem aparecer durante a transição menopausal. Algumas mulheres relatam lapsos de memória e sensação de raciocínio mais lento, frequentemente descritos como “névoa mental”.
Além da ansiedade relatada pelas pacientes, a pesquisa da REDS Research também identificou que 48,5% das participantes notaram aumento na irritabilidade.
Segundo a The Menopause Society, as oscilações hormonais podem estar relacionadas a mudanças no humor durante a perimenopausa. Alterações do sono, estresse e circunstâncias pessoais também influenciam a saúde emocional.
Da mesma forma, esquecimentos e dificuldades de concentração não devem ser interpretados automaticamente como sinais de uma doença neurológica. Quando são persistentes ou interferem na rotina, precisam ser avaliados.
Dores nas articulações e cansaço também aparecem entre as queixas frequentes do período, com 56,6% das mulheres relatando dores articulares.
Assim, embora sejam manifestações comuns na meia-idade e podem ser associadas a outras condições de saúde, elas também podem ser indícios da menopausa.
Além disso, as mudanças na composição corporal exigem atenção semelhante. Durante o envelhecimento, a massa muscular tende a diminuir, enquanto a distribuição da gordura corporal pode mudar. A transição menopausal também está associada à aceleração da perda de massa óssea.
Na pesquisa mencionada, 47,3% das participantes mencionaram ganho de peso. É importante ressaltar que, embora relevante durante o período de transição da menopausa, alimentação, atividade física, sono, genética, medicamentos e outras condições de saúde também influenciam o peso e a composição corporal.
A queda dos níveis de estrogênio, característica da perimenopausa, pode alterar os tecidos da vulva, da vagina, da bexiga e da uretra. Assim, isso pode causar ressecamento, ardência, irritação, dor durante as relações sexuais, urgência para urinar e aumento da frequência urinária.
Esse conjunto de sintomas é conhecido como síndrome geniturinária da menopausa, e merecem muita atenção, já que podem persistir ou piorar sem tratamento.
Ressecamento da pele, alterações na elasticidade, manchas, rugas e mudanças nos fios são queixas que podem se intensificar na meia-idade. A redução do estrogênio participa das alterações da pele e de sua hidratação, mas o envelhecimento natural, a exposição solar, a genética, as condições dermatológicas e outros fatores também têm influência.
No estudo Impacto da Menopausa na Beleza, divulgado também pela REDS Research, 89,6% das participantes apresentaram ao menos uma das queixas reunidas pela empresa na chamada “tríade facial”: linhas de expressão, manchas e rugas. O levantamento também identificou mudanças na textura e na saúde dos cabelos, com relatos de afinamento dos fios.
Novamente, embora as mudanças hormonais possam explicar parte dessas manifestações, nem toda queixa que surge nessa idade é consequência da menopausa.
Para confirmar a menopausa, é necessária avaliação médica. O profissional considera a idade, o histórico menstrual e os sintomas. Lembrando que a menopausa é confirmada retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruação, quando não há outra causa para a ausência do ciclo.
Até porque, não existe um exame de sangue único que confirme a pré-menopausa ou menopausa ativa em todas as mulheres. O mais popular é o hormônio folículo-estimulante (FSH), que pode ajudar em situações específicas, mas seus níveis oscilam durante a transição. Um resultado isolado nem sempre esclarece em que fase a mulher está.
O FSH pode ser solicitado, por exemplo, diante de suspeita de menopausa precoce ou quando há dúvida sobre o diagnóstico. Em mulheres com mais de 45 anos e quadro típico, o exame geralmente não é necessário para confirmar a menopausa.
A indicação depende dos sintomas, da idade e da hipótese clínica. Nem todas as mulheres precisam realizar exames laboratoriais.
| Exame | Para que serve | Quando pode ser solicitado |
|---|---|---|
| FSH | Avalia um hormônio relacionado à função ovariana | Suspeita de menopausa precoce ou dúvida diagnóstica |
| Estradiol | Mede um dos principais estrogênios produzidos pelos ovários | Como complemento em situações específicas |
| TSH | Investiga alterações da tireoide | Quando há suspeita de disfunção tireoidiana |
| Beta-hCG | Investiga gravidez | Quando a gestação ainda é possível |
| Ultrassonografia transvaginal | Avalia útero e ovários | Quando há indicação clínica, como sangramento anormal ou dor pélvica |
Durante a transição para a menopausa, os níveis de FSH e estradiol podem oscilar, por isso seus resultados não costumam ser avaliados isoladamente.
Da mesma forma, a ultrassonografia, por si só, não confirma a menopausa. O laboratório Fleury, por exemplo, disponibiliza informações sobre o exame de FSH, mas cabe ao profissional de saúde avaliar a necessidade de solicitar exames complementares, considerando o histórico clínico e os sintomas de cada paciente.
A menopausa antes dos 40 anos pode indicar insuficiência ovariana prematura (IOP), condição caracterizada pela perda ou redução da função ovariana. Entre os 40 e os 45 anos, o quadro é classificado como menopausa precoce, segundo orientações do manual do Ministério da Saúde sobre transição menopausal e menopausa.
As causas desse quadro incluem alterações genéticas, doenças autoimunes, retirada cirúrgica dos ovários e tratamentos como quimioterapia e radioterapia. Em muitos casos, porém, a origem não é identificada.
Assim, irregularidade menstrual, ausência de menstruação, ondas de calor e ressecamento vaginal podem sinalizar alterações hormonais, mas não confirmam o diagnóstico isoladamente. Para determinar de fato a condição, a avaliação médica considera o histórico clínico e, quando necessário, exames laboratoriais.
O diagnóstico é importante porque a redução precoce da função ovariana pode comprometer a fertilidade e a saúde óssea. O acompanhamento permite avaliar os riscos individuais e discutir opções de tratamento.
O Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal do Climatério 2024, da Sociedade Brasileira do Climatério (SOBRAC), aponta a terapia hormonal como o tratamento mais eficaz para aliviar ondas de calor e suores noturnos.
Ainda, a indicação depende dos sintomas, da idade, do tempo desde a menopausa e do histórico clínico. A terapia não é necessária para todas as mulheres nem deve ser usada indiscriminadamente para prevenir doenças cardiovasculares ou promover o rejuvenescimento.
A Food and Drug Administration (FDA), agência do governo dos Estados Unidos responsável pela regulação de medicamentos e alimentos, mudou as advertências nas bulas de terapias hormonais usadas no tratamento dos sintomas da menopausa. A decisão, anunciada em fevereiro de 2026, veio após uma revisão iniciada em novembro de 2025.
Em 12 de fevereiro de 2026, a FDA aprovou a alteração nas bulas de seis produtos. A agência retirou essas referências do quadro de alerta máximo, mas a mudança não significa que os riscos tenham sido descartados. As informações sobre doenças cardiovasculares e câncer de mama continuam nas bulas de terapias sistêmicas.
A advertência sobre câncer do endométrio também foi mantida para produtos sistêmicos que contêm apenas estrogênio. O uso desse hormônio sem proteção adequada pode aumentar o risco da doença em mulheres com útero.
Para as mulheres no Brasil, a decisão não altera automaticamente as recomendações médicas nem as bulas dos medicamentos vendidos no país. A FDA regula medicamentos nos Estados Unidos. No Brasil, essa função cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e qualquer mudança nas bulas brasileiras depende desse órgão.
Mulheres que não podem ou não querem usar terapia hormonal têm outras opções. A escolha depende do sintoma, das condições de saúde e das evidências disponíveis.
A The Menopause Society, sociedade médica norte-americana especializada em menopausa, reconhece evidências para algumas abordagens não hormonais, entre elas:
O SUS oferece estriol em creme vaginal para tratar sintomas da menopausa, como o ressecamento vaginal. O medicamento integra a assistência farmacêutica básica, mas a distribuição depende da organização da rede de saúde de cada município.
Para ondas de calor e outros sintomas que podem exigir terapia hormonal sistêmica, a rede pública prevê avaliação clínica e discussão de alternativas de tratamento, conforme as necessidades de cada paciente.
Nos planos de saúde, a principal diferença está no pagamento dos medicamentos. A cobertura obrigatória definida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) inclui consultas, exames e tratamentos previstos no rol, de acordo com a modalidade do contrato.
Já os medicamentos de uso domiciliar, como comprimidos e alguns hormônios aplicados em casa, em geral não precisam ser custeados pelas operadoras, a menos que haja previsão contratual ou uma exceção legal.
Ou seja, a paciente pode ter cobertura para consultas e exames relacionados à menopausa, mas precisar pagar pelo hormônio prescrito. Antes de iniciar o tratamento, vale consultar a unidade de saúde sobre a disponibilidade do medicamento ou verificar com o plano quais despesas estão previstas no contrato.
A eficácia de suplementos e fitoterápicos no alívio dos sintomas da menopausa varia conforme a substância, e as evidências ainda são inconsistentes para muitos produtos. A FEBRASGO reforça que isoflavonas, cimicífuga e maca peruana, entre outros compostos que ficaram muito populares nos últimos anos, não apresentam resultados consistentes que sustentem sua recomendação para ondas de calor e suores noturnos.
Vitaminas e minerais podem ser indicados quando há deficiência nutricional ou uma necessidade clínica específica, mas não substituem tratamentos comprovados para os sintomas da menopausa. Produtos naturais também podem causar efeitos adversos e interagir com medicamentos.