Modelo matemático indica que expectativas excessivamente altas podem reduzir recompensas (Deagreez/Getty Images)
Redatora
Publicado em 7 de junho de 2026 às 06h37.
Matemáticos das universidades de Wyoming e Warwick desenvolveram um modelo capaz de calcular o nível de ambição associado aos melhores resultados em situações de incerteza.
Segundo o estudo, publicado na revista Physical Review E, a estratégia mais eficiente costuma ser estabelecer metas acima da média, mas ainda dentro de um limite realista.
A pesquisa analisou como as pessoas avaliam oportunidades e tomam decisões diante de diferentes cenários.
Após milhares de simulações e comparações com dados do mundo real, os autores concluíram que a chamada "ambição ideal" tende a ficar entre a recompensa média e a máxima possível, sem chegar aos objetivos mais extremos.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores criaram um modelo estatístico capaz de representar diferentes níveis de exigência na escolha entre várias oportunidades.
A equipe simulou cenários variados, alterando fatores como a quantidade de opções disponíveis, a proporção entre resultados positivos e negativos e o esforço necessário para alcançar determinados objetivos.
Em seguida, as simulações foram comparadas com dados do mundo real, incluindo processos de admissão universitária e pesquisas eleitorais nos Estados Unidos.
Segundo os autores, os melhores desempenhos apareceram quando as pessoas buscavam recompensas acima da média, mas sem concentrar suas escolhas apenas nos cenários mais excepcionais.O estudo também identificou situações em que a estratégia ideal muda.
Em cenários marcados por riscos muito elevados — como crises econômicas raras, mas severas —, os pesquisadores observaram que ser mais ambicioso do que o normal pode ser vantajoso. Isso acontece porque eventos extremamente negativos tendem a reduzir a média geral dos resultados.
Nessas circunstâncias, buscar objetivos mais elevados pode ajudar a compensar possíveis perdas futuras.
O comportamento oposto apareceu em cenários nos quais existe a possibilidade de uma recompensa extraordinariamente alta.
Os pesquisadores citam como exemplo startups que podem valer bilhões de dólares, mas também apresentam grande chance de fracasso.
Segundo o modelo, quando existe um prêmio extremamente elevado concentrado em poucos casos, a estratégia mais eficiente tende a ser um pouco menos ambiciosa do que a média, contrariando a intuição de que vale a pena apostar tudo em um único grande sucesso.
Diante disso, os autores destacam que o modelo não oferece uma regra única para todas as decisões humanas. Especialistas que comentaram o estudo observam que diferentes pessoas atribuem pesos distintos a fatores como estabilidade financeira, segurança e tolerância ao risco.
Além disso, alguns ambientes funcionam sob uma lógica de "o vencedor leva tudo", na qual estratégias mais ousadas podem ser mais adequadas.
Ainda assim, os resultados sugerem que, na maioria das situações, os melhores desempenhos surgem quando as pessoas evitam tanto a falta de ambição quanto expectativas excessivamente otimistas. Ou seja: a matemática indica que vale a pena mirar alto - mas não necessariamente na lua.